lobo e lua

lobo e lua

27.12.09

A Filosofia como remédio

Dr. Mijaro Nomuro
DESEMPREGADO

Comprei um livro sensacional, "A Filosofia como remédio para o desemprego", de Jean-Louis Cianni, Editora BestSeller, baratinho, 18 pratas, até um desempregado pode comprar.

O autor tinha um baita emprego numa firma francesa, mas foi demitido. Pra família pensar que arrumou outro emprego, acorda todos os dias às 6, toma café e às 7 já tá no escritório de sua casa, com o computador ligado, para despistar, mas, na verdade, fica lendo e redescobre os livros de Filosofia de sua juventude, associando os antigos ensinamentos à sua precária situação atual.

Eu passei a fazer coisa semelhante, de uns meses pra cá. Minha mulher passa, me vê no computador e pensa que eu tô trabalhando.

Uma vez por dia, digo que vou atender um cliente. Vou é pra padaria, que tem várias mesas e lá faço um lanche demorado, enquanto assisto à sessão da tarde.

Depois volto e levo meu cão Nick pra passear pela cidade, ao anoitecer.

Meu psiquiatra me perguntou se eu queria que ele aumentasse a dose do remédio, mas eu disse que não. Só fico deprimido quando penso nas minhas sempre adiadas férias na Itália, ou na Praia de Copacabana, mas essa sensação só se acentua às segundas. No resto da semana, sigo a programação normal, sem grandes transtornos.

Gostaria, sim, de conhecer a Itália, desde que vi meu primeiro filme com Claudia Cardinale. Deve ser uma beleza ver de perto aqueles monumentos, o Coliseu, a Fontana di Trevi, Veneza e seus canais, Florença e seus museus, Sophia Loren e Maria Grazia Cuccinotta.

Como sempre fui pão-duro, posso me dar ao luxo de viver uns tempos sem salário, mas visitar a Itália agora me parece uma insanidade.

A única coisa que cortei das despesas foi a renovação da assinatura de uma revista. Não vou cortar a TV a cabo, ainda mais agora que "Combate", minha série favorita na infância, voltou ao ar pelo TCM, com um episódio no sábado e outro no domingo. Não perco nenhum e ainda gravo tudo.

Fui tentar minha aposentadoria, mas a dona que me atendeu lá no INSS, enquanto espirrava laquê no cabelo, doida pra ir embora, foi logo avisando que eu ia receber uma merreca por mês, "culpa do Fernando Henrique":

- Quem se aposentou até 1998 tá numa boa, colega! Depois disso, sifu! Um mendigo de porta de botequim fatura mais que um aposentado. Quer um conselho? Vai lavar pratos, fazer alguma coisa até os 65 anos, ou então roube um banco.

Trouxe essa dúvida pra casa. O estranho é que, à noite, passou "Como roubar um milhão de dólares" na TV a cabo.

O que foi mais um motivo pra não cortar minha assinatura. Anotei umas dicas. Agora só falta saber o que vai dar no meu teste vocacional. Vou começar tudo de novo, já que não existe emprego na minha área, então vou tentar ver se sei fazer outra coisa. A mulher que me atendeu, olhando pra minha cara de quarentão ("que retardado!"), disse que deve conseguir marcar pros próximos 20 dias.

Eu espero. Não tenho nada pra fazer mesmo.

Bom, vou continuar lendo o livro. Que recomendo!

Dr. Mijaro Nomuro trabalhava com o dr. Fugiro Nakombi. Mas os dois foram demitidos.

12.12.09

Padre recebe homenagem de comunidade

Apulcro Mambojambo
ENVIADO ESPECIAL


O padre Manoel Pereira de Assis foi agraciado com um jantar em homenagem aos seus 35 anos de trabalho ininterrupto à frente da paróquia de São Bartolomeu do Reino de Deus.

Um renomado político, estimado membro da sociedade local, foi convidado para entregar um presente e fazer um breve discurso de agradecimento.

O político se atrasou e o sacerdote, então, decidiu proferir umas palavras:

“A primeira impressão que tive desta paróquia não foi boa. Pensei que o bispo tinha me enviado a um lugar terrível, pois a primeira pessoa que se confessou comigo me disse que tinha roubado um aparelho de TV, que tinha roubado dinheiro dos seus pais, também tinha roubado a firma onde trabalhava, além de ter aventuras amorosas com a esposa do chefe e se dedicar ao tráfico de drogas.

“Fiquei assustadíssimo… Mas, com o passar do tempo, entretanto, fui conhecendo mais gente que em nada se parecia com aquele homem… Inclusive vivi a realidade de uma paróquia cheia de gente responsável, com valores, comprometida com sua fé e, desta maneira, tenho vivido os anos mais maravilhosos do meu sacerdócio”.

Justo neste momento chegou o político, a quem foi passada a palavra para entregar o presente da comunidade.

Pediu desculpas pelo atraso e começou o discurso dizendo:

“Nunca vou esquecer o dia em que o padre chegou à nossa paróquia… Como poderia? Tive a honra de ser o primeiro a me confessar com ele…”

28.11.09

Conversa na Redação

Redação. Noite. Entram Gudesteu e Lana.

Gudesteu: - Descobri que minha mulher é uma grande mentirosa.

Lana: - É? E por que você acha isso?

Gudesteu: - Ela não apareceu em casa ontem à noite e, quando perguntei por onde andou, inventou que estava com a irmã dela.

Lana: - E não estava?

Gudesteu: - Claro que não! Quem passou a noite com a irmã dela fui eu!

14.11.09

As desventuras de Anselmo, o boêmio

Regina Lewinsky
CORRESPONDENTE

Anselmo era um sujeito casado, mas, também, boêmio e mulherengo de carteirinha. Sempre que tinha uma chance, "aprontava", entregando-se a homéricas farras, o que fazia a sua infeliz consorte(?) se descabelar e viver no seu encalço, sempre que possível.

Em uma de suas furtivas noites de orgia, depois de tomar todas com colegas de trabalho, num pouco recomendável barzinho da periferia, cada um arranjou uma parceira e saíram em caravana pra a beira-mar; dois casais em cada carro, com a "inocente" finalidade de assistir "corrida de submarino", num tempo em que essa prática não significava, ainda, um risco de vida.

E foi um tal de pernas, braços e cabeças a se engalfinharem naquele pequeno espaço, em frontal desafio à Lei de Newton ... uma verdadeira promiscuidade!

Ao raiar o dia, percebeu, horrorizado, que havia extrapolado o limite do horário de chegar em casa ainda com uma desculpa razoável e, desfazendo-se das sua parceira, rumou pro seu lar, "bolando" uma justificativa possível pra aquele execrável ato. Ao aproximar-se de casa, desde longe Anselmo vislumbrou o seu mais temível pesadelo: lá estavam, alinhadas que nem meio-fio, sua esposa e ninguém menos que a sua temível sogra, contumaz desafeta, que nunca entendeu o porquê da filha ter escolhido "semelhante cafajeste pra marido, quando havia tido tantos pretendentes tão mais aceitáveis antes dele".

O cara gelou, quando viu o que o aguardava: as duas, de "mãos nos quartos", balançando uma das pernas, numa ameaçadora coreografia sincronizada, com aquelas caras de quem está prestes a explodir (só faltava o fatídico rodo nas mãos), o fulminavam com olhares nada compreensivos.

Dentre todos os impropérios que ouviu, enquanto fechava o carro, só uma frase o fez estremecer: "Vamos chegar atrasadas no casamento!" ... Foi aí que ele lembrou: logo mais, às 9 horas, o casal estava escalado para apadrinhar o casamento de uma das irmãs da esposa e o evento iria se realizar numa cidadezinha a uns 200 km dali!

O miserável quis morrer! Com aquela ressaca, aquele gosto de brecha de tamborete e de cabo de guarda-chuva na boca, um sono de matar e a cabeça a ponto de estourar, ainda tinha que se por lindo e loiro, todo engravatado, em um recinto em que estaria presente toda a família dela (que, não por acaso, não o via com bons olhos). ERA A MORTE!

Aproveitando-se do pouco tempo que tinha pra se arrumar e tentar se recompor, passou pelas duas feito uma bala, sem dar a mínima satisfação, se fingindo preocupado com o adiantado da hora. Entrou embaixo do chuveiro, gargarejou um desinfetante bucal, pra disfarçar o bafo de onça, arrumou-se todo, perfumou-se e entrou no carro, onde as duas já haviam se aboletado, pensando na desagradável cantilena que iria escutar durante todo o percurso, o que, com efeito, aconteceu.

Tentando desenvolver a velocidade máxima, pra abafar as impiedosas vozes das duas, sentiu alguma coisa impedindo-o de acelerar. Foi aí que ele petrificou: ao dar uma espiada pra baixo, vislumbrou um sapato de mulher! Pronto. Estava perdido! Como defender-se do indefensável, agora que aquele inanimado objeto, silenciosamente, "entregava" sua abominável traquinagem?

Como todo bom malandro, logo teve uma idéia: inventou que o carro estava apresentando um problema, diminuiu a marcha, abriu a porta, fingindo olhar o pneu traseiro e arremeteu no acostamento a prova do crime. Oh! Que alívio! Agora podia seguir a viagem sem mais atropelos que não o blá-blá-blá daquelas duas! Chegou à igreja a tempo de ver que o carro que conduzia a noiva ainda adentrava o pátio. Apressado, dirigiu-se à entrada lateral, quando viu que as suas companheiras de viagem sequer haviam ainda saído do carro ...

"Ora, bolas!" - resmungou - "Essas duas com tanta pressa e ficam ali, só falando mal de mim". Voltou, já com ares de quem ia repreendê-las pela demora, mas parou e deu meia-volta, rindo cínicamente entredentes, quando ouviu o seguinte diálogo:

- Mamãe, é claro que a senhora esqueceu! Como é que o seu sapato poderia sumir daqui, se a senhora nem saiu do carro???

- Minha filha, eu num tô doida, não ... Me responda como é que eu iria me arrumar todinha e calçar um sapato só, sem notar a falta do outro pé? Isso é um fenômeno inexplicável! E agora, como é que eu vou entrar na igreja? Vou perder o casamento da minha filha pela falta de um sapato. Que absurdo!!!

Regina Lewinsky também pode ser encontrada aqui.

1.11.09

Baile na casa do Aristides

Ivani Cunha
JORNALISTA CONVIDADO

Deixo a memória viajar até os anos 50: Vila Nova Esperança, região Nordeste de Belo Horizonte. As crianças andavam descalças ou usavam tamanco de madeira e, de uma forma ou de outra, estavam expostas aos escorpiões de agosto, que na minha casa fizeram uma vítima.

A vida era calma e haveria tédio se não tivéssemos um vizinho chamado Aristides, ou Aristides da Margarida – era assim que as pessoas se referiam aos casais na Belo Horizonte da periferia, onde se reproduziam os costumes do interior mineiro. Podia ser também a Margarida do Aristides, mas é dele, o “Tide”, que estou falando, sem desmerecer nem um pouco a mulher.

Éramos vizinhos divididos por uma cerca de arame farpado, que em certas épocas se cobria de ora-pro-nóbis e, em outras, de incontroláveis trepadeiras selvagens. Muros eram dispensáveis naquele tempo. Mas eu acho que às vezes o Aristides preferia que houvesse um bom muro, fácil de escalar, em vez de uma cerca entre os dois lotes. Ele devia pensar assim nas madrugadas em que era obrigado a fugir da própria casa, sob a ameaça de um convidado pé-de-valsa sob efeito do álcool.

Alguns bailes na casa do Aristides por pouco não se transformavam em tragédia. Nosso vizinho promovia pelo menos um arrasta-pé por mês. À noitinha começavam a chegar os casais: as mulheres com os cabelos armados, saias rodadas e boleros bem justos, algumas com uma pinta na face ou no queixo, que era moda; seus acompanhantes, de paletó e gravata, alguns caprichando no linho, podiam pentear os cabelos mirando-se nos bem lustrados sapatos de bico fino.

Essa parte da vila ainda não desfrutava o conforto da energia elétrica, mas sempre havia um grupo de músicos para animar os bailes do Tide, que também dominava o seu instrumento, um reluzente trombone de vara. À luz de lampiões e lamparinas, e irrigados por boa cana e outras bebidas fortes, os casais deslizavam sobre o piso de tijolo areado ao som de boleros, tangos, foxtrotes, rumbas, sambas-canções e outros ritmos.

Ficávamos lá em casa à espera do grito do Aristides:

“Padrinho, me acode que vão me matar.” Meu pai, padrinho de casamento dele, ia até à porta da cozinha para esperá-lo ou corria ao quintal para ajudá-lo a pular a cerca. Depois escondia o afilhado e lhe passava o sermão de sempre:
“Aristides, tenha juízo, um dia você não vai conseguir fugir para cá. Pense nisso. Você tem mulher e filho. Olhe que a bebida só traz complicação...”

Antes do amanhecer, os convidados se despediam, e durante algum tempo ainda se ouviam, bem longe, as notas de uma flauta, quem sabe de um dos músicos que passaram a madrugada tocando. Aristides prometia que no próximo baile seria diferente, com bebida sob controle e nada de briga. Ninguém acreditava.

Algumas horas depois o homem estava bem disposto outra vez, ensaiando alguns acordes no trombone ou treinando em frente da casa uns perdigueiros para ajudá-lo nas caçadas ou render-lhe alguns trocados. À tardinha, o canto das cigarras era quebrado pelo tropel de um cavalo. A poeira vermelha escondia o cavaleiro, mas era sempre ele, o Tide, montado no animal em pelo.

Estava novamente alterado pelo álcool que fora servido de má vontade no bar do Benedito Antão ou no armazém do Antônio Melgaço, que conheciam bem o freguês. O cavalo percorre num galope a rua esburacada, o cavaleiro grita, bate os calcanhares na barriga do animal, balança, escorrega até quase o pescoço do bicho, mas não cai. As mães recolhem os filhos, e a minha diz para a amiga que a visita: “Ele é boa pessoa, não devia beber. Tenho pena da Margarida...”

Aristides era um bom sujeito de verdade, apenas cometia suas pequenas loucuras. Com seus bailes, perdigueiros e exibições de cavaleiro pela esburacada rua Dália, atual Rua Margarida Prachedes, divertia as pessoas e ajudava a empurrar o tempo naquela época em que o mundo era pouco maior do que os nossos quintais.

Mas eu pretendia escrever mesmo era uma crônica sobre um garimpeiro que me pagou apenas a metade do combinado pela revisão de suas histórias.

Que o diabo o carregue!

Ivani Cunha é jornalista em Belo Horizonte

24.10.09

Famosas últimas palavras

“Atira, se for homem!”

“Deixa comigo”

“Atravessa correndo que dá”

“Ah, não se preocupe: o que não mata, engorda”

“Fica tranqüilo, este alicate é isolado”

“Sabe qual a chance disso acontecer? Uma em um milhão”

“Essa camisa do Cruzeiro não é minha não….Eu sou atleticano como vocês”

“Adoro essas ruas, são super tranquilas”

“Tem certeza que não tem perigo?”

“Meu sonho sempre foi saltar de paraquedas. E neste instante vou realizá-lo. E eu mesmo o dobrei!”

“Confie em mim”

“Aqui é o piloto. Vamos passar por uma leve turbulência”

“Capacete? Imagina, tá calor”

“Eu sempre mudei a temperatura do chuveiro com ele ligado. Não ia ser hoje que alguma coisa iria acontecer”

“Desce desse ônibus e me encara de frente, sua bicha!”

”Eu sei nadar, não se preocupe”

“Kung-Fu nada. Eu vou acabar com você”

“Vamos lá que não tem erro”

“Pode mexer. É pitbull, mas é mansinho”

“Posso ver uma luz no fim do túnel”

“BÚÚÚÚÚÚÚÚÚ! Vovó, te assustei? Vovóóóóóóóóó!!!!!!”

11.10.09

Chat adolescente

Vagabundo Social
BLOGUEIRO CONVIDADO


Zahovic_10 – oi

]TixaWinda[ - oi

Zahovic_10 – td bem?

]TixaWinda[ - sim e ctg?

Zahovic_10 – tb

Zahovic_10 – ddtc?

]TixaWinda[ - avr

]TixaWinda[ - e tu?

Zahovic_10 – lx

Zahovic_10 – idd?

]TixaWinda[ - 14

]TixaWinda[ - tu?

Zahovic_10 – 16

Zahovic_10 – nome?

]TixaWinda[ - Patrícia

]TixaWinda[ - e tu?

Zahovic_10 – rui

Zahovic_10 – tens foto?

]TixaWinda[ - xim e tu?

Zahovic_10 – s

Zahovic_10 – podes enviar?

]TixaWinda[ - enviah tu primeiruh

Zahovic_10 – pk?

]TixaWinda[ - n te conhexo…

Zahovic_10 – como é keu sei k depois envias?

]TixaWinda[ - eu enviuh

Zahovic_10 – mas eu pedi primeiro :(

]TixaWinda[ - alturah e peso?

Zahovic_10 – lol

Zahovic_10 – 1,68 de altura

Zahovic_10 – 62 kg

Zahovic_10 – e tu?

]TixaWinda[ - sou baixinhah…

]TixaWinda[ - 1,54m

]TixaWinda[ - nao gordah

Zahovic_10 – kor dos olhos e do kabelo?

]TixaWinda[ - cabelo caxtanho claruh e olhox caxtanhox esverdeadox

]TixaWinda[ - e tu?

Zahovic_10 – tenho kabelo meio loiro

Zahovic_10 – olhos azuis

]TixaWinda[ - goxto de olhox azuix

Zahovic_10 – dizes me o numero do sutiã?

]TixaWinda[ - 38

Zahovic_10 – tanto?

]TixaWinda[ - xim

Zahovic_10 – mandas me a foto?

]TixaWinda[ - ok

/Ficheiro recebido em C:\Documents and Settings\rui\Os meus documentos\As minhas imagens\Gajas\Euzinha4.jpeg

]TixaWinda[ - exa fotoh jah tem algum tempuh..

Zahovic_10 – es gira

]TixaWinda[ - ja n tenho o cabeluh axim

Zahovic_10 – mas fika-te bem como ta na foto

]TixaWinda[ - ;)

Zahovic_10 – que koisas gostas de fazer?

]TixaWinda[ - danxar, ouvir musicah, xair à noite, paxear à beira mar, ver telenovelax… :p

]TixaWinda[ - muita coisah e tu

Zahovic_10 – jogar futebol, ir kurtir kom o pessoal, fazer bodyboard, ouvir musika, tar na net e assim

Zahovic_10 – k musika ouves?

]TixaWinda[ - britney spears, shakirah, sandy e junior, henrique iglesias, eminem e maix algunx

Zahovic_10 – eu kurto limp bizkit, algumas de linkin park e de papa roach, eminem, tupac, marilyn manson, korn…

]TixaWinda[ - ok

]TixaWinda[ - manda-me a tuah fotoh

Zahovic_10 – ta bem vou procurar

]TixaWinda[ - falah

Zahovic_10 – keres falar de ke?

]TixaWinda[ - sexo tah bom pra ti?

Zahovic_10 – pode ser

Zahovic_10 – ainda és virgem?

]TixaWinda[ - querex fazer sexo virtual?

Zahovic_10 – ok komo é k se faz?

]TixaWinda[ - n sabex??

Zahovic_10 – virtual nao

]TixaWinda[ - tipuh: eu digo linguado

]TixaWinda[ - e tu a xeguir dizes outra coisah

Zahovic_10 – ok entao começa tu

]TixaWinda[ - max pera, ainda n me mandaxte a fotoh

Zahovic_10 – ainda n enkontrei, deve tar aki numa pasta klk

]TixaWinda[ - procurah

Zahovic_10 – mas vamos começando

]TixaWinda[ - nao

]TixaWinda[ - procurah

Zahovic_10 – oh tenho aki muitas imagens ja n sei onde a pus

*]TixaWinda[ saiu de #BaCanal

*]TixaWinda[ está offline

Zahovic_10 – puta

*não é possível enviar a mensagem porque ]TixaWinda[ está offline

Vagabundo Social pode ser encontrado aqui.

3.10.09

Pesquisa Millôr/Jornal da Lua

A questão foi levantada pelo Millôr, e o Jornal da Lua dá prosseguimento. Numa época em que se fala em legalização de tanta coisa, como maconha, casamento gay etc e etc, devemos também levar em conta um dos mais importantes tópicos da atualidade:

Você é a favor ou contra a legalização da corrupção?

26.9.09

Dr. Bruegel atende

Prezado dr. Bruegel: você não vale nada, mas eu gosto de você! Você não vale nada, mas eu gosto de você! Tudo que eu queria era saber por quê?!? Tudo que eu queria era saber por quê?!?

Você brincou comigo, bagunçou a minha vida. E esse sofrimento não tem explicação. Seu sangue é de barata, a boca é de vampiro. Um dia eu lhe tiro de vez do meu coração.
Eu quero ver você sofrer, só pra deixar de ser ruim. Eu vou fazer você chorar, se humilhar, ficar correndo atrás de mim. Você não vale nada, mas eu gosto de você! Você não vale nada, mas eu gosto de você! Tudo que eu queria era saber por quê?!? Tudo que eu queria era saber por quê?!? (Anna Vitória – Uberaba)

Prezada Anna Vitória: eu devia estar contente, porque eu tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável e ganho mais de quatro mil reais por mês. Eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista, eu devia estar feliz porque consegui comprar um BMW 2006. Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema depois de ter passado fome por dois anos aqui na Cidade Maravilhosa. Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa. Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado. Porque foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto "e daí?" Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aí parado.

Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo pra ir com a família no Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos. Ah! Mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado, macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco.

É você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal. E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial, que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social. Eu que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. Porque, longe das cercas embandeiradas que separam quintais, no cume calmo do meu olho que vê, assenta a sombra sonora de um disco voador.

21.9.09

O poder da burrice

“Duas coisas são infinitas: o Universo e a burrice humana. Mas, a respeito do Universo ainda tenho dúvidas", disse Albert Einstein. Componente inalienável da natureza humana, a burrice é, provavelmente, a força mais perigosa do Cosmos.

O que significa burrice? O conceito não tem uma definição teórica indiscutível. Não é o oposto de inteligência: há pessoas inteligentes que, vez por outra, fazem o papel de burras. Uma definição convincente foi dada pelo historiador e economista italiano Carlo Cipolla: “Uma pessoa burra é aquela que causa algum dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas sem obter nenhuma vantagem para si mesmo – ou até mesmo se prejudicando.”

A burrice tem a peculiar vocação de se traduzir em ações, e por isso mesmo se torna perigosa. Segundo Cipolla, que identificou cinco “leis fundamentais da burrice”, até mesmo os mais inteligentes tendem a desvalorizar os riscos inerentes à burrice. E ela é mais perigosa que a crueldade: esta, tendo uma lógica compreensível, pode pelo menos ser prevista e enfrentada. Para começar, pensemos naqueles que, em tempos de Aids, mantêm relações sexuais sem proteção ou nos que não usam um antivírus no próprio computador, expondo a si mesmos e aos outros ao contágio de vírus reais ou virtuais.

A burrice sempre ofereceu cenas e personagens cômicos, como no conto de Andersen, “A roupa nova do imperador”, no qual dois alfaiates mal-intencionados convencem o rei a vestir uma roupa maravilhosa, invisível para as pessoas burras. Era uma armadilha: ninguém queria admitir a própria burrice nem contradizer o soberano, afirmando não ver a roupa (que de fato não existia). Só um menino teve a coragem de dizer que o rei estava nu, revelando a trapaça. Mas, atenção: rir da burrice pode deixá-la “simpática” e, portanto, desvalorizada. Se na ficção o estúpido é facilmente reconhecido, na vida real as coisas são diferentes.

A burrice tem três características fundamentais:

1) Ela é inconsciente e recidiva: o burro não sabe que é burro e tende a repetir várias vezes o mesmo erro. Tais características contribuem para dar mais força e eficácia à ação devastadora da burrice. A pessoa estúpida não reconhece os próprios limites, fica fossilizada em suas convicções particulares e não sabe mudar. Por isso, como diz o psicólogo italiano Luigi Anolli, “no âmbito clínico, a burrice é a pior doença, por ser incurável”. O estúpido é levado a repetir os mesmos comportamentos porque não é capaz de entender o estrago que faz e, portanto, não consegue se corrigir.

2) A burrice é contagiosa. As multidões são muito mais estúpidas que as pessoas que as compõem. Isso explica porque populações inteiras (como aconteceu na Alemanha nazista ou na Itália fascista) podem ser facilmente condicionadas a perseguir objetivos insanos, um fenômeno bastante conhecido na psicologia. “O contágio emotivo próprio do grupo diminui a capacidade crítica”, explica Anolli. “Percebe-se a polarização da tomada de decisão: escolhe-se a solução mais simples, que na maioria das vezes é a menos inteligente.”

3) Além da coletividade, há um outro fator que amplifica a burrice: estar numa posição de comando. “O poder emburrece”, afirmava o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Por quê? Quando estão no poder, as pessoas muitas vezes são induzidas a pensar que, justamente por ocuparem aquele posto, são melhores, mais capazes, mais inteligentes e mais sábias que o resto da humanidade. Além disso, estão cercadas de aduladores, seguidores e aproveitadores que reforçam o tempo todo essa ilusão. Dessa forma, quem está no governo chega a cometer as mais graves faltas com a aprovação geral.

Há pessoas que chegam incrivelmente perto da verdade sobre si mesmas e a respeito do mundo. Elas têm uma percepção equilibrada, são imparciais quando se trata de atribuir responsabilidades de sucessos e fracassos e fazem previsões realistas para o futuro. Testemunhas vivas do quanto é arriscado conhecer a si mesmas, elas são, para muitos psicólogos, pessoas clinicamente depressivas. Martin Seligman, docente de psicologia na Universidade da Pensilvânia (EUA), demonstrou que o chamado “estilo explicativo” pessimista é comum entre os deprimidos: quando fracassam, assumem toda a culpa, consideram-se burros, péssimos em tudo e se convencem de que essa situação vai durar para sempre.

E quais são os resultados de tanta (às vezes excessiva) honestidade intelectual? Deborah Danner, pesquisadora da Universidade de Kentucky (EUA), examinou os efeitos da longevidade em 180 noviças norte-americanas, otimistas e pessimistas. Quanto mais otimistas se mostravam as religiosas, mais tempo viviam. As mais joviais viveram em média uma década além das pessimistas.

É claro que ser realistas e ao mesmo tempo serenos e otimistas seria o ideal; mas não há dúvida de que às vezes um pouco de burrice faz bem.

Colaboração de Fernanda Magalhães, do blog Comportamento Real

6.9.09

Autobiografia de Bertrand Russell


Prólogo

Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso instável, por sobre profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.

Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase - um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão - essa solidão terrível através da qual a nossa trêmule percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que - afinal - encontrei.

Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber porque cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.

Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a constituir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.

Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.

Bertrand Russell (1872-1970)

1.9.09

O motivo do meu divórcio

Domingo, como sempre fiz, acordei muito cedo, coloquei meu agasalho, tomei café e fui até a garagem preparar meu barco de pesca.

De repente, começou a chover torrencialmente. Havia até neve misturada com a chuva, ventos a mais de 80 km. Liguei o rádio e ouvi que o tempo seria chuvoso durante todo o dia.

Resolvi não ir e voltei pra casa. Silenciosamente, tirei minha roupa e entrei novamente debaixo do cobertor.

Afaguei as costas da minha mulher suavemente e disse bem baixinho:

- O tempo lá fora está terrível.

Ela, ainda sonolenta, respondeu:

- E você acredita que o idiota do meu marido foi pescar com esse tempo?

15.8.09

Woodstock - 40 anos


Nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969 aconteceu o mais importante festival de rock de todos os tempos: Woodstock, em uma fazenda nos arredores de Nova York. Durante aqueles três dias, estiveram no palco alguns dos maiores nomes da música pop/rock, como Jimi Hendrix, The Who, Ten Years After, Country Joe, Santana, Joe Cocker, Joan Baez, Janis Joplin, Creedence, Crosby, Stills, Nash & Young, Richie Havens e Grateful Dead.

Sabe-se que outros nomes importantes foram convidados, como John Lennon, Bob Dylan e The Doors, mas, por motivos diversos, não puderam estar lá. Tudo bem! Os artistas que estiveram no palco de Woodstock fizeram História, com "H" maiúsculo!

Cerca de 500 mil pessoas compareceram. Foi uma loucura, pois ninguém imaginava que tanta gente fosse pra lá. No entanto, o resultado final fez justiça ao slogan que imortalizou o Festival: "Três dias de paz, amor e música". Nenhuma violência foi registrada.

O filme sobre Woodstock, lançado em 1970, com três horas de duração, mostrou a grandiosidade do evento. Por questões contratuais e também porque seria impossível registrar todos os artistas que se apresentaram, vários deles não apareceram no filme, como Janis Joplin e Creedence.

Agora, 40 anos depois, essas lacunas começam a ser preenchidas. Novos filmes, discos e livros já chegaram ou estão para ser lançados. As novas gerações vão poder entender melhor o que era aquela "Revolução Hippie", aquela "Contracultura", expressões muito usadas na época e que significavam uma mudança de atitude dos jovens em relação a um sistema de vida opressor e que só criava guerras mundo afora, como a do Vietnã.

"Make Love, Not War" era outro slogan dos Anos 60. Criado por jovens que nasceram durante ou logo após a Segunda Guerra Mundial. Que cresceram ouvindo e dançando o rock and roll, um tipo de música detestado pela geração anterior.

Em 1970, o genial John Lennon cantou, em uma de suas músicas ("God"): "O sonho acabou". Sim, a década de 1960 chegava ao fim, a música e seus artistas não conseguiram mudar o mundo, mas foi o mesmo Lennon que, no ano seguinte, cantou novamente: "Você pode pensar que eu sou um sonhador, mas não sou o único" (em "Imagine"). Sim, o artista é contraditório, mas expressa seus sentimentos no momento. O sonho acabou, mas depois retornou.

Porque Woodstock não ficou perdido na poeira do tempo. Prova disso é que hoje, 40 anos depois, toda a mídia fala do Festival. Na internet, no rádio, na televisão, nas revistas, nos jornais, nos livros, no cinema, a mensagem daqueles três dias em Woodstock permanece viva. É preciso sonhar com um mundo melhor. E a música é um excelente veículo para expressar este sonho.

9.8.09

Ideias geniais

Lana Esthevlana
COLUNISTA ANTI-SOCIAL

Eu gostaria imensamente de fazer parte da população economicamente ativa, mas encontrar um emprego é mais difícil do que eu pensei. Sabe, você vê as estatísticas desesperadoras do telejornal, jornal impresso e dos livros de Geografia atualizados e pensa: “Pff, isso deve ser lenda.” Mas não, não é.

O que eu queria mesmo, do fundo do meu coração, era ter uma ideia genial. Sabe, aquela sacada brilhante que você diz: "Putz! É isso!", e logo em seguida fica podre de rico (sim, sim, sou capitalista selvagem).

Mas ter esta tal ideia me desanima. É que não é fácil achar sócios pra ela, e, quando se encontra esses sócios, o mais difícil é convencê-los de que esta ideia é realmente genial, original, visionária, produtiva e rentável (até porque meus mais prováveis sócios em potencial estão sem um puto no bolso...).

Aliás, os gênios sempre são incompreendidos. E sempre serão, acredito eu. Tenho certeza de que Einstein tinha aquele cabelo incrivelmente cool porque os repuxava de frustração, já que ninguém acreditava nele. Isto para não citar Van Gogh, que cortou a própria orelha.

Gênios só são reconhecidos quando morrem, e eu não quero isso. Quero desfrutar de minha fama e sucesso em vida. Podendo andar de limusine pra cima e pra baixo e beber champanhe na hora que eu bem entender (isso tá mais pra diva do que pra gênio, mas quem se importa?).

Pelo visto, vou continuar minha vida de garota normal que sonha com um mundo idealizado, onde todos são ricos, bonitos e falam cinco idiomas fluentemente... (?)

Er... Esse não é meu mundo idealizado, mas por hoje tá valendo!

Depois que nos enviou este post, Lana encontrou um emprego. Confiram aqui.

1.8.09

"Amigos" virtuais

Yvonne Dimanche
CORRESPONDENTE

Descobri que tenho um monte de amigos virtuais. Uma tal Caroline Andrade me enviou 85 mensagens para dizer que as fotos ficaram maravilhosas. Não sei bem que fotos foram essas, mas acredito que devam estar lindíssimas. Há uns quatro anos, recebia diariamente uma propaganda de uma firma que me garantia que o meu pênis iria crescer. Não fiz o tratamento, mas agora um monte de gente me envia mensagens afirmando que eu posso tomar Viagra para ficar mais potente.

E cartões da UOL? Recebo vários por dia e deve ser de algum fã tímido, porque não consta o nome do remetente. Pode ser esse fã que me alerta que o meu nome está no SERASA e que estou devendo uma conta de telefone da TIM. Deve ser um aparelho para me comunicar com os espíritos do além, já que o meu celular é da Claro. Zeloso, esse meu apaixonado da minha situação financeira. Quando eu fizer o recadastramento da minha conta a pedido de inúmeras mensagens que recebo do Bradesco, darei a minha senha para que ele possa acertar as minhas dívidas.

Mas uma das coisas que mais tem me dado felicidade são os inúmeros amigos estrangeiros que tenho espalhados pelo mundo. Todos os dias recebo mensagens com "Hi", "Hello" ou algo do gênero. Um dia desses, recebi inclusive umas dez mensagens escritas em mandarim (acho eu). Antes de ontem, foi uma em hebraico, parece. Brincadeiras à parte, eu me pergunto o motivo do Hotmail, do Yahoo e outros não serem mais rigorosos com esses spams.

Uma coisa que me impressiona é a criatividade da turma do "Mal". Todas as vezes que se inventa uma coisa diferente, que pode fazer um enorme bem para a sociedade, aparece alguém que imediatamente transforma aquilo em uma arma, no sentido literal ou figurado. Foi assim com o avião, que depois foi utilizado para jogar bombas. A Internet tem se tornado a cada dia que passa um perigo sem precedentes, divulgando pedofilia, dentre outras barbaridades. A facilidade que temos de fazer qualquer transação bancária pelo computador também pode se tornar um transtorno. Os bancos têm lançado mão de recursos para impedir problemas com nossas contas, mas o hacker é sempre mais esperto. Está sempre um passo adiante.

Acho legal que existam grupos em que pessoas com características comuns procurem o seu espaço para troca de ideias ou até mesmo relacionamento de amizade ou sexual. O problema é quando essa característica é ilegal ou coloca em risco a vida de terceiros que não pediram para participar da brincadeira, como é a pedofilia. Todas as vezes que recebo fotos de crianças possivelmente sequestradas, eu sempre telefono para o número indicado para saber se a notícia procede, ainda que possa ser uma ligação interurbana. Apenas uma única vez recebi uma resposta positiva. A propósito, ninguém atende ao telefone. É tudo mentira e o(a) engraçadinho(a) não teve dó nem pena de mostrar a foto de uma criança que fica conhecida em todo o país. É muita sacanagem.

A impressão que eu tenho é que aquela famosa frase "não faça com os outros aquilo que você não gostaria que fizessem com você" perdeu completamente o sentido. Se vocês repararem bem, isto também é um ato de violência, só que mais sutil. E nós, que moramos em grandes centros (ou perto deles), além de termos toda a preocupação do mundo com relação à nossa segurança física, não podemos ficar tranquilos para curtir o computador. Triste tempo o que vivemos.

Durante alguns anos, Yvonne editou um dos melhores blogs que conhecemos, o BlogGente. Hoje se dedica a outras atividades. De vez em quando, o Jornal da Lua vai republicar alguns de seus posts, para conhecimento dos novos blogueiros e também como uma forma de homenagear esta verdadeira amiga virtual.

19.7.09

Café e Bar Ponto Chic


Chico PF
(Francisco Paula Freitas)

– Lalau é o escambau, que eu não afanei nada de ninguém. Fico aqui o dia inteiro, dando duro no batente, vendendo meu capilé, trabalhando como um desgraçado, toda hora tendo que espalhar serragem pelo chão, que nunca vi gente tão porca, cospem pra todo lado, e você, que não sai desse bem-bom, ainda vem dizer que aquele pau-d’água falou que eu malhei a cara-metade dele na despesa? Não sou nenhum santinho do pau oco, mas isso eu não fiz e nem faço. Cuidado comigo que hoje eu amanheci de ovo virado.

— Calma, as coisas não são bem assim. Você precisa morigerar. Só porque dá duro pra caramba e no final do dia fica esfalfado do lesco-lesco, não tem o direito de apresentar uma conta fajutada. Você não pode fazer isso. Principalmente com uma mulher desacompanhada. Ele me contou tudo, tintim por tintim. Disse que ela está amuada contigo.

— Que papo é esse, rapaz? Parece que você tá com a cachorra. Tem procuração para defender esses pilantras? Não deve ter e, pelo que vejo, também não está acreditando no que eu digo. Eu não gosto de disse-me-disse, mas é bom ficar sabendo: se há um vivaldino nessa história, não sou eu que fico aqui me estuporando e sim aquele pé-de-chinelo, que vive ao deus-dará e se intitula dono da sirigaita. Ele não se manca, deixa a mulher ficar batendo perna por aí, vir ao bar sozinha e depois vem demandar. O que você não sabia e fica sabendo agora é que ele larga ela por aí, pela rua da amargura, mas vive fazendo reclame. Diz que ela é da pontinha, que tem it, que é avançada, que nem combinação e porta-seios usa. Quer saber? Desconfio que ele até manda ela se virar. Pinta de marafona ela já tem, e de sobra...

— Tome tenência, rapaz, ele não é o três com goma que você está pensando. O homem é valente. Falou que amanhã, quando vier tomar a média com canoa na manteiga, não vai nem querer ouvir você pedir penico. Se continuar assim, você vai é viajar para a cidade de pés juntos. Eu, no seu lugar, ia preparando umas batidas e uns salgadinhos para o gurufim.

— Eu, hein, rosa, sai pra lá! Valente coisa nenhuma, lugar de valente é na linha de frente. Tu pensa que eu tenho medo daquele pau-de-virar-tripa? Não tenho, e te adianto: se ele ficar com esse parangolé de otário, neguinho ainda leva a devassa que ele diz que é dele, de vez. Mas isso não me interessa, eu sou comerciante e quero é o meu. Não sou da laia deles, não vivo de me-dá, me-dá e o que vem de baixo não me atinge. Se aquela bola maltravada, aquele caixão sem alças, aquele pirilampo vier aqui, não me pagar e me desacatar, não vai ter jeito, dou-lhe uma bifa, a groselha vai escorrer pela cara e ele vai ter que recolher o chinelo charlote e se picar. Com as perninhas de saracura e aquele andar de gabiru, não vai dar para ir muito longe... Gurufim, se tiver, não vai ser para mim. Você, que é amigo dele, pode ir fazendo a vaquinha...

— Tu tem que cobrar é dela, rapaz. O cara não tem culpa; a mulher contou pra ele o que houve. Disse que você ficou falando só safadeza, tirando onda e se exibindo. Quando viu que ela te dispensou, aí você forçou a mão no lápis...

— Nada disso, dispensar coisíssima nenhuma, quando eu apresentei a dolorosa, a jabiraca é que veio com o papo de que estava tesa, que sustentava ele e ainda por cima morava longe, em uma meia-água de telha-vã e coisa e loisa. Pra você ter uma idéia, só de croquete, a doidivana e a mocoronga, amiga dela, por sinal, um peixão, ô mulher bem apanhada, comeram mais de oito! Eu senti a cascata, porque logo depois de armar o charivari, ela amansou e engrenou uma de que lá pras suas bandas tinha um arrasta-pé para pé-de-valsa nenhum botar defeito. Disse isso, dando a entender que eu aparecesse um dia. Não sou metido à besta, mas no ar, eu senti que a coisa era chinfrim. Ela percebeu e emendou um lero, dizendo que realmente o bate-coxas podia não ser para um magnata do meu tope, que era longe, mas mesmo assim, ela mandaria o convite e que muito malandro gostaria de receber um erreéssevepê desses. O baile era bom, tinha muita pastora, muita cabrocha, se insinuou e fez o jeito. Ela era mesmo uma jambete de não se jogar fora... Mudei de idéia. Percebi o jogo forte, vi que ela, no duro, era da gandaia, da pá-virada e cheguei a pensar em dar um bordejo lá. Era só aparar o bigode, mandar o jaquetão para o tintureiro, dar um brilho no pisante, jogar uma brilhantina no curto-cheio, fazer um laço triângulo, e... olha lá o bacana.

— O que você está me dizendo? Quer dizer que você passou mesmo a cantada na mulher do Braz? Cruz-credo, você tá é doido, rapaz! Pensa que ele é bocó? Ele é perverso. Eu acho que você vai mesmo é pro beleléu...

— Doido, eu? O que eu quero é o meu dinheiro! Ela deixou vinte, mas eram trinta e sete mangos. Na lona ela não estava nem está, pois no dia, você precisava ver, veio toda aprumada, uma belezoca. Vestido rabo-de-peixe, uma sandália de amarrar na perna com salto Anabela, além de muito bem pintada de pancake, ruge e ciliom. Tinha uns brincos grandes de argola, tipo cigana, e um cordão folheado a ouro com um camafeu pingente com o retrato do filho, coitado do menino. Para completar, e enlouquecer qualquer cristão, trescalava fragrâncias de Seiva de Mutamba, sabe lá o que é isso? Mas se desse mato não sair coelho, da parte da bruaca ou do pé inchado, eu não vou ficar aqui bancando o paspalhão, eles que guardem o de baixo. Se ficar na saudade, vou querer tirar uma casquinha, porque, pensando bem, ela está longe de ser um estropício. A morena é tranchã, é do balacobaco; não chego a dizer que minha mãe a quereria para nora, mas se ela parar com os fricotes, aparecer aqui de novo com aquela maldita sandália e me der bola outra vez, garanto que de um jeito ou de outro vou buscar o meu. No prejuízo não vou ficar...

Publicado em "Café e Bar Ponto Chic" - Editora Bertrand Brasil

11.7.09

Reflexões mais ou menos filosóficas

O amor é como capim: você planta e ele cresce. Aí vem uma vaca e acaba com tudo.

Como é difícil se livrar de uma mulher fácil.

Li que fumar fazia mal, então parei de fumar... Li que beber fazia mal, então parei de beber... Li que comer gordura fazia mal, então parei de comer... Li que sexo fazia mal, então parei de LER!

O casamento é uma carga tão pesada que para carregá-la são necessárias duas pessoas, e, às vezes, três.

No Brasil, se o feriado é religioso, até ateu comemora.

A mata é virgem porque o vento é fresco!

Toda ideia revolucionária provoca três estágios:
1º: É impossível, não vou perder meu tempo
2º: É possível, mas não vale o nosso esforço
3º: Eu sempre disse que era uma boa ideia

Fases de certos projetos:

Entusiasmo - Desilusão - Pânico - Busca e punição dos culpados - Glória aos não participantes

Seja qual for o defeito do seu computador, vai desaparecer na frente de um técnico, retornando assim que ele se retirar.

Se ela te dá bola, é feia. Se é bonita, tá acompanhada. Se tá sozinha, você tá acompanhado.

Quase todo o exame final que você prestou foi baseado na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.

A luz no fim do túnel é um trem vindo na sua direção.

A fila do lado sempre anda mais rápida.

Se você está se sentindo bem, espere um pouco: isso passa.

Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.

As nuvens são como os chefes: quando desaparecem, o dia fica lindo.

Tamanho não é documento e dinheiro não traz felicidade. (Autor desconhecido, pobre e de pinto pequeno)

O novo e-mail do governo é: planalto@lheira.gov.br

A vida é uma droga. E você ainda reencarna.

4.7.09

Inimigo Público


Jorge Fernando dos Santos
BLOGUEIRO CONVIDADO

Ele nunca tinha matado ninguém. Pior que isso, nunca tinha roubado, estuprado ou traficado seja lá o que fosse. Por isso mesmo foi condenado à pena máxima: 150 anos de trabalhos forçados ou redução da pena mediante morte súbita. Somente assim a sociedade pôde respirar aliviada. Tratava-se do inimigo público número um. Aquele que, desde a infância, recusava-se a cometer qualquer tipo de delito, por menor que fosse.

Tudo começou aos sete anos de idade, quando ele cedeu seu lugar no ônibus a uma velhinha. Todo mundo ficou surpreso e os vizinhos que se encontravam a bordo chegaram a comentar o fato. Mas ninguém levou aquilo muito a sério. Ele é só uma criança, alguém comentou. Alguns dias depois, o que parecia ter sido uma simples travessura da infância aconteceu novamente. A mãe, que estava com ele, não teve outra alternativa senão repreendê-lo na frente dos demais passageiros, que já se mostravam injuriados com o menino.

Já aos 13 anos, ele se recusou a consumir uma droga oferecida pelo primo, que era seu colega no primeiro grau. A notícia logo se espalhou e tanto a família quanto a diretora do estabelecimento de ensino se horrorizaram. O ópio custa tão caro e esse menino simplesmente não aceita a oferta do primo que tanto o admira? Quem ele pensa que é? - muitos comentaram. E ele continuou ignorando esse tipo de pressão. Aliás, acostumou-se com aquela forma de tratamento.

Consciente de sua própria rebeldia e - por que não? - orgulhoso de ser um adolescente do tipo rebelde e contestador, foi várias vezes suspenso da escola e quase tomou bomba por questionar os ensinamentos antiéticos de seus professores.

Os pais já não sabiam mais o que fazer. O padrinho, que além de ser seu tio era também um deputado federal várias vezes investigado por corrupção - e por isso mesmo reeleito duas vezes para o cargo - simplesmente rompeu os laços afetivos com a família. Não quero ser lembrado como parente de um caso perdido como esse, justificou. Seu irmão, pai do garoto problema, lamentou o fato. Como sempre fazia, castigou o filho passando-lhe uma descompostura e repetindo as desvantagens de ser uma pessoa que não se mostra enquadrada no sistema.

Aos 17 anos, ele cometeu um legítimo ato de atentado ao pudor. Em plena fila de alistamento militar, socorreu um recruta que, estando de sentinela há várias horas, desmaiou sob o intenso sol do verão. Se você fosse um militar, seria levado à corte marcial, disse um sargento, furioso diante do fato inusitado jamais ocorrido em seu pelotão. Dispensado do serviço obrigatório, conseguiu arranjar emprego numa agência bancária da cidade. Mas não durou muito no emprego. Acabou sendo demitido por justa causa depois de se recusar a tomar parte num desfalque planejado pelo gerente.

Jamais pensei criar um filho pra isso, desabafou o pai numa discussão em família. Trabalhar honestamente como caixa de banco, isso é um absurdo! Calma, pediu-lhe a mulher, sempre paciente. Ele é ainda muito jovem, há de aprender com a própria vida.

Não aprendeu. E por isso mesmo, aos 30 anos de idade, tendo já uma enorme ficha criminal - que incluía multas de trânsito por respeitar o sinal vermelho e por jamais estacionar em fila dupla - acabou sendo preso em flagrante ao tentar salvar uma jovem de ser estuprada por um padre dentro de uma igreja do seu bairro.

Apesar de nunca ter aprovado suas atitudes, o pai contratou os serviços do melhor advogado da cidade, um eminente professor de Direito que já havia tirado da cadeia vários chefões do crime organizado. Tudo em vão. A promotoria agiu com incrível competência, apresentando várias testemunhas e comprovando todos os crimes praticados pelo réu.

No final do demorado julgamento, que catalisou a atenção da imprensa e mobilizou a opinião pública do país, o veredito foi unânime. Um elemento de tamanha periculosidade, verdadeira ameaça aos interesses do sistema vigente, não poderia continuar às soltas, incomodando as pessoas normais que obedecem cegamente aos mandamentos da lei. Hoje, ele está confinado numa cela escura em alguma das penitenciárias privadas do país, cuja especialidade é justamente punir aqueles que se recusam a levar vantagem na vida.

Jorge Fernando pode ser encontrado aqui.

28.6.09

Michael Jackson (1958/?)

Logo que soube da morte de Michael Jackson, me lembrei de um faxineiro que trabalhava na galeria onde eu tinha uma loja de discos.

Ele dizia ter 20 anos, mas parecia menos, pois era franzino, muito magro e baixinho. Assim que abri a loja, ele apareceu e perguntou se tinha lá algum disco de Michael Jackson. "Tem alguns", eu disse. "Qual você procura?"

"Na verdade, nenhum, pois tenho todos. Só quero saber, pois, na hora do almoço, posso vir aqui e ouvir um pouquinho?"

"Claro, pode vir", eu disse.

E ele sempre aparecia lá, escolhia uma faixa e começava a dançar, daquele jeito que seu ídolo tinha imortalizado. Sorria, dizia que era o máximo e depois voltava ao trabalho de limpar a galeria.

Durante quatro anos, ele cumpriu esse ritual de aparecer e pedir pra ouvir Michael Jackson. Depois, fechei a loja e nunca mais voltei lá. A notícia da morte de Jackson fez com que eu me lembrasse dele e de outras figuras que passavam por lá. Tinha um que andava com uma foto do Bono no bolso. Ele parava qualquer pessoa, na galeria ou dentro das lojas, tirava a foto do bolso e perguntava: "Não sou parecido com ele?" E, se a pessoa demonstrava alguma dúvida, ele ficava de perfil e perguntava novamente: "Assim, nessa posição, não parece?"

Também passavam por lá o Elvis jovem e o Elvis quarentão. Explico: um imitava o rei do rock nos anos 50, com topete, enquanto o outro era gordo e usava um cavanhaque enorme, além de tentar imitar o modo de andar de Elvis, tudo muito bem estudado.

Os clientes, em geral, eram fãs que imitavam seus ídolos. Um imitava John Lennon, outro o Jim Morrison, tinha também Jimi Hendrix, James Brown...

Um dia, percebi uma grande aglomeração no corredor e fui ver o que era. Tomei o maior susto, pois podia jurar que era o próprio Michael Jackson! O sujeito era alto, tinha uma daquelas roupas que Jackson vestia nos shows, parecendo um uniforme militar, um tom de pele muito parecido com o astro que deixava de ser negro, também usava maquiagem, inclusive nos olhos, o cabelo com uma ponta escorrendo pela testa, um chapéu... Impressionante a semelhança!

O faxineiro estava lá, no meio da multidão. Pequenino, com seu uniforme cinza, sorria e observava o sósia. Quando tudo acabou, ele entrou na minha loja e disse:

"É bom a gente ter um ídolo, né?"

Por isso, dei como incerta a morte de Michael Jackson no título deste post. Quem tem um ídolo, vivo ou morto, sabe do que falo. Aquele pobre faxineiro, que morava longe e levava horas de ônibus pra chegar na galeria e voltar pra casa, tinha em Michael Jackson um forte motivo pra viver e ser feliz. Hoje, ele deve estar triste, mas logo voltará a ouvir as músicas de seu ídolo e dançar como se estivesse em um palco.

Quando me lembrei dele, depois que soube da morte de Jackson, uma música invadiu meus pensamentos. Foi "Gente Humilde", de Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Hollanda.

"Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar"

21.6.09

Turista encontra gênio no deserto

Um turista visitava um deserto no Oriente Médio quando encontrou uma garrafa. Ao abrir a tampa, apareceu um gênio:

- Olá! Sou o gênio de um só desejo, às suas ordens.

O homem pensou por um tempo e disse:

- Então eu quero a paz no Oriente Médio. Veja este mapa: desejo que estes países vivam em paz.

O gênio olhou bem para o mapa e respondeu:

- Amigo, estes países guerreiam há 5 mil anos! Sou bom, mas não o suficiente para isso. Peça outra coisa!

O homem voltou a pensar e disse:

- Nunca encontrei a mulher ideal. Gostaria de uma bem humorada, que goste de futebol, cerveja, não seja ciumenta, bonita, culta, fiel, carinhosa e que não goste de cartões de crédito!

O gênio suspirou fundo e disse:

- Deixa eu ver esse mapa aí de novo!!

13.6.09

Um dia bonito como outro qualquer

A mãe o ouviu falando alto, enquanto fazia a barba:

- Finalmente, as coisas estão melhorando pro meu lado. Tava na hora, né? Tanto tempo deixado de lado, ninguém se lembrava de mim, pensei que não fosse mais trabalhar. E, sem trabalhar, como é que eu ia fazer a Dorinha virar sua nora, hein, mãe?

Depois, foi pro quarto trocar de roupa:

- Tudo indica que esse pessoal vai me valorizar. Eu já tô cansado de trabalhar e ninguém reconhecer meu esforço. Mas eu estive com o chefe ontem e fui muito bem recebido. No fim do ano, ainda vão nos dar uns dias de folga, mãe. Podemos todos ir pra Copacabana, ver a queima de fogos e saudar o Ano Novo. Não vou me queixar deste ano. Vou até agradecer. E saber que o próximo será ainda melhor. Cansei de ser um pessimista.

Abriu a porta, viu o sol, o dia claro, respirou fundo e disse pra mãe:

- Minha saúde melhorou, Dorinha parou de encher o saco com aquele ciúme doentio dela. Fala pro pai que, se ele quiser, podemos tomar umas logo mais à noite, aqui por perto mesmo. Tenho muitos motivos pra comemorar, né?

Foi nesse momento que a bala perdida acertou seu coração.

30.5.09

Combate volta ao ar na TV a cabo

Um dos melhores seriados de todos os tempos está de volta. A partir do próximo sábado, 6 de junho, às 13 horas, com reprise na madrugada de domingo, às 4h30, o TCM (canal 91, pela Net) exibe Combate, desde o seu primeiro episódio. A série foi produzida entre 1962 e 1967, e reprisada nas décadas seguintes, conseguindo uma legião de fãs em todo o mundo.

Combate retrata as aventuras de um pelotão do exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, logo após o Dia D, quando os aliados invadiram a Normandia e começaram a expulsar os nazistas dos países ocupados na Europa.

O que transforma Combate num cult é o fato de não se restringir a mostrar trocas de tiros entre soldados. O tiroteio apenas faz parte de diversas histórias que acontecem naquele cenário de guerra. É ali, no front, numa situação limite, que dramas pessoais são mostrados e analisados de maneira empolgante.

O pelotão, comandado pelo tenente Hanley (Rick Jason), tem uma patrulha fixa, integrada pelo sargento Saunders, o excelente Vic Morrow (na foto acima, em escultura de Michael Keropian, e também na foto abaixo), pai da atriz Jennifer Jason Leigh, e os soldados Cage, Kirby e Baixinho, além de Doc (o médico).

Entre os atores convidados, temos mais um pelotão de astros, como Charles Bronson, James Franciscus, Claude Akins (Xerife Lobo), John Cassavetes, Lee Marvin, Telly Savalas (Kojak), Robert Duvall, Dennis Hopper (Sem Destino), Bill Bixby (O Incrível Hulk), Fritz Weaver, Nick Adams (O Rebelde) e Ricardo Montalban (Ilha da Fantasia), entre outros. Atrás das câmeras, a série contou com diretores que depois se consagraram no cinema, como Robert Altman (Dr. T e as Mulheres, Nashville etc). Mais informações no site combatfan.

Em Combate, não há nenhuma manifestação a favor da guerra. Em um dos episódios, um médico alemão se une ao médico americano para salvar a vida de uma criança francesa. Em outro, um soldado ajuda um colega, que lhe devia dinheiro de jogo, e é acusado de só ter feito aquilo por causa da dívida. “Não”, ele diz. “Eu o ajudei porque era o meu dever.”

Lições de dignidade, caráter e amor pelo semelhante tornam Combate uma série que pode ser vista a qualquer tempo, independente de sua ação transcorrer na Segunda Guerra Mundial. São lições das quais nunca devemos nos afastar, seja qual for a guerra, pessoal ou social, em que nós somos os personagens principais.

23.5.09

Inglesa vai ao supermercado no Brasil


A inglesa Mary Smith resolveu morar no Brasil.

Aqui chegando, ainda treinando falar português, fez a seguinte lista de compras, quando foi ao supermercado:


- Pay she

- MacCaron

- My on easy

- All face

- Car need boy (may you kill oh!)

- Spar get

- Her villas

- Key jo (parm soon)

- Cow view floor

- Pee men too

- Better hab

- Lee moon

- Bear in gel

Ao voltar pra casa, bateu com a mão na testa e disse:

- Is key see me do too much! Put a keep are you!

17.5.09

A difícil vida dos gordos

Celso Japiassu
BLOGUEIRO CONVIDADO


Numa época em que se cultivam os magros, os gordos sentem-se excluídos. Ao contrário dos séculos passados, quando homens e mulheres exibiam corpos redondos e pesados e os magros, suspeitos de tísica, eram olhados com desconfiança.

Hoje, é difícil para os gordos encontrar o tamanho certo de roupa porque são raros os três X nas gôndolas das lojas, enquanto proliferam os talhes médio e pequeno, como se o mundo fosse habitado por adolescentes desnutridos.

As cadeiras são geralmente muito pequenas e se transformam em aparelhos de tortura nas longas viagens de avião, quando os cintos de segurança mostram que também foram imaginados para passageiros abaixo de um peso decente. E as companhias aéreas, ao mesmo tempo em que diminuíram o espaço entre as filas, aumentaram o número de cadeiras.

As diminutas refeições atualmente servidas a bordo denunciam a conspiração destinada a manter os passageiros em condição de extrema magreza, de modo a que possam caber nas poltronas e nos banheiros das aeronaves.

Estas são injustiças menores, quando confrontadas com as que são cometidas pelos exames de sangue. As taxas indicadoras de perigo teimam em permanecer altas e os médicos, antes mesmo de examinar um gordo, dizem que ele precisa perder algum peso.

Todas estas são reflexões sombrias que povoam meus pensamentos enquanto me preparo emocionalmente para, mais uma vez, entrar numa dieta cruel e desumana.

Celso Japiassu pode ser encontrado aqui.

10.5.09

Diante da Lei

Franz Kafka

Diante da Lei está um guarda.
Vem um homem do campo e pede para entrar na Lei.
Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar-lhe a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde.

- "É possível", diz o guarda. "Mas não agora!"

O guarda afasta-se então da porta da Lei, aberta como sempre, e o homem curva-se para olhar lá dentro. O guarda ri-se e diz: - "Se tanto te atrai, experimenta entrar, apesar da minha proibição. Contudo, repara: sou forte. E ainda assim sou o último dos guardas. De sala para sala estão guardas cada vez mais fortes, de tal modo que não posso sequer suportar o olhar do terceiro depois de mim."

O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. Mas, ao olhar o guarda envolvido no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco desviado.

Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando, pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras coisas, mas são perguntas lançadas com indiferença, à semelhança dos grandes senhores. No fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar.

O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo, mas diz sempre: - "Aceito apenas para que te convenças que nada omitiste."

Durante anos seguidos, quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e aquele afigura-se-lhe o único obstáculo à entrada na Lei. Nos primeiros anos, diz mal da sua sorte, em alto e bom som, e depois, ao envelhecer, limita-se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil, e como ao fim de tanto examinar o guarda durante anos lhe conhece até as pulgas das peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda.

Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão, um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte está próxima.

Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeça as experiências de tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao guarda. Faz-lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo já arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo, porque a diferença de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do campo. - "Que queres tu saber ainda?", pergunta o guarda. "És insaciável."

- "Se todos aspiram a Lei", disse o homem, "como é que, durante todos esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar?"

O guarda da porta, apercebendo-se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase inerte:

- "Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para ti era feita esta porta. Agora vou-me embora e fecho-a."

Franz Kafka (Praga, 3 de julho de 1883 - Klosterneuburg, 3 de junho de 1924) foi um dos maiores escritores do século XX. Suas obras, como A Metamorfose, Colônia Penal, O Processo e O Castelo, retratam indivíduos presos em situações absurdas num mundo impessoal e burocrático.

2.5.09

us grandi pobrema da amazonia

E vamos nós com mais alguns trechos retirados do último ENEM. Os bravos estudantes que os redigiram nos dão a esperança de que o país em que vivemos tem mesmo um futuro brilhante! São eles que vão dizer o que vocês poderão ou não fazer, brevemente. Não acreditam? Basta esperar. A única coisa que pode nos atrapalhar é esse negócio de mudança climática. Ou a tal gripe suína. A superpopulação. A ganância. O ser humano. No mais, tudo vai bem no melhor dos mundos. Inclusive o desmatamento, tema da prova do ENEM, que, como vocês todos sabem, tá sob controle. Como, aliás, tudo nesse mundo. Ou vocês pensam que existe algo errado no mundo? Crise? Que crise?

"A amazônia tem valor ambiental ilastimável."
(Ignorem, por favor)

"A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas."
(Onde está o guarda Belo nessas horas?)

"Retirada claudestina de árvores."
(Deve ser alguma Cláudia nordestina)

"Temos que criar leis legais contra isso."
(Sim, porque lei ilegal é inconstitucional!)

"A camada de ozonel..."
(Pode ser o ozônio do coronel)

"a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor."
(Basta mandar o elenco do CQC cortar árvores!)

"A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração."
(Parece música sertaneja, não?)

"A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável."
(Este é imbatível na categoria "o maior enchedor de linguiça")

"Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação."
(NÃO!!! SIM!!!)

"Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises."
(Quantos?!?!)

"A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes."
(- Red Bull neles - dizem as árvores)

"O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório."
(Talvez seja o barquinho do 007)

"O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando."
(É porque não gritamos SIM à "reflorestação"!)

"Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc."
(O urso é o polar, aquele branquinho, pra ficar bem claro! Já o leão é negro, porque é africano.)

"Convivemos com a merchendagem e a politicagem."
(É uma grande "burragem" o que fazemos!)

"Na cama dos deputados foram votadas muitas leis."
(Depois dizem que eles não fazem nada! Trabalham até na cama!)

"Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia."
(Mas "qui pobrema"!!)

Pra finalizar, uma breve observação sobre o post anterior, aqui abaixo: muita gente não percebeu que um quadrinho tem ligação com o outro! São estudantes recebendo seus diplomas e, a seguir, caem num abismo, quando deveriam cair no mercado de trabalho, que, infelizmente, não existe! O que restou foi um patrão montando no lombo de um humilhado trabalhador, pra exibir a faixa "Feliz dia do trabalho". Que trabalho? E outra coisa: ADORO FERIADOS! Ou vocês pensam que eu gosto de trabalho? Trabalho apenas porque me obrigam a pagar contas. Se não fosse isso, eu estaria agora mesmo na Praia de Copacabana, tomando água de coco e vendo garotas de biquini!

18.4.09

Dicas de uma blogueira


Dama de Cinzas
BLOGUEIRA CONVIDADA

Modestamente, Dama de Cinzas deu a este post o título de "Não é uma receita de blog". Mas nós acreditamos que é uma bela receita sim. Lemos atentamente, arquivamos e recomendamos que muitos blogueiros que querem manter suas páginas por muito tempo leiam também.

Os que me conhecem sabem que quanto mais me mandam calar a boca mais eu falo. Então resolvi escrever sobre um assunto do tipo "não se meta nisso que não é da sua conta". O que vou passar não é uma receita para que você tenha um blog de sucesso, nem como escrever melhor seu blog, nem nada disso, afinal não me sinto nem um pouco capacitada para tal coisa, mas são uns toques que um rapaz me deu lá por volta de 2003, quando comecei a escrever meu primeiro blog.

Dicas para que você consiga levar seu blog de maneira menos cansativa tanto para você como para quem o lê:

- Evite se obrigar a escrever posts diários, eles cansam demais o autor do blog, pois no início os temas brotam como mato, mas, com o decorrer dos meses, encontrar um tema fica tão difícil quanto um parto! Simplesmente sua mente vai se enchendo de um branco total, e a angústia bate forte. A qualidade do blog tende a cair. Com o desespero, vem o cansaço, você sente que não consegue mais escrever como antes e quer dar um ponto final naquela tortura, acabando com o blog ou abandonando. Deixe sua mente fluir, siga os sinais da vida e escreva quando der vontade. Obviamente, vontade e criatividade variam de pessoa pra pessoa.

- Posts diários cansam também quem te acompanha. Por mais que se goste de ler blogs, um dia ou vários outros você não quer abrir site nenhum. Ou tá cansado, ou seus calos estão doendo, ou brigou com seu(ua) amado(a), ou pegou uma chuva quando saiu do salão depois daquela escova maravilhosa, ou seu time de futebol perdeu. Enfim, todos nós estamos sujeitos a tempestades e trovoadas e não temos a capacidade de ficar todos os dias acompanhando as postagens de todos os blogs que gostamos.

- Evite repetir assuntos do tipo "peguei uma gripe danada", "não tirei boas notas", "amo meu namorado(a)", enfim tudo que tenha a ver com um cotidiano que faz parte da vida de todas as pessoas, a menos que esteja escrevendo um diário para que pessoas do seu convívio te acompanhem. No mundo virtual, assim como no nosso dia-a-dia, ninguém quer saber dos pequenos detalhes da sua vida, daquilo que acontece a todos, todos os dias. Procuramos por informações diferentes, assuntos que nos estimulem a pensar, ou situações inusitadas. Posts tipo "minha tia foi dar banho no gato e ele correu molhado pela casa toda" simplesmente entediam o leitor, que acaba nem lendo até o final.

- Relacionado ao item anterior, procure escolher temas que estimulem as pessoas a pensar. Inclusive, quando quiser escrever sobre sua vida, ligue o acontecido a um tema de interesse de todos. Isso é algo que faz o leitor ter tesão de ler seu post, e não apenas ler sobre um problema ou acontecimento que ele não conhece na totalidade.

- Não espere que os seus melhores textos sejam reconhecidos. Tantas vezes escrevemos um post que julgamos banal, e é aquele que o pessoal mais gosta, e o vice-versa também acontece...

- Se você quer que seu blog seja bem comentado, terá que comentar nos blogs dos seus colegas blogueiros. Assim como você gosta que leiam um texto que teve o maior trabalho de escrever, todos na esfera blogueira esperam o mesmo!

- Tente descobrir qual o seu melhor estilo. Se você é um excelente poeta, aposte nos poemas. Se escreve bem crônica, abuse desse estilo literário. Se o seu forte é o humor, faça o pessoal rir. Mas evite tentar ser quem você gostaria de ser. Eu, por exemplo, jamais vou colocar um poema escrito por mim, porque sou uma péssima poetisa... rs... Acho que ninguém vai gostar e vai ficar aquele troço sobrando no meu blog.

Pra finalizar, vou ratificar: não estou dando ordem no blog de ninguém, não estou dando receita de nada, não estou dizendo que sou melhor que ninguém, não estou proibindo nada! Afinal, cada um tem seu blog e faz o que quer com ele. Inclusive eu tenho todo o direito de fazer um post dando essas dicas para quem estiver interessado e acha que vale a pena!

Dama de Cinzas é editora deste blog aqui.

Aproveitamos para recomendar mais dois blogs:

O primeiro é o Memória Culinária, da Junelise, que conhecemos desde criancinha, e sabe do que tá falando (e cozinhando!).

O segundo é da Natália Xavier, uma blogueira que conhece tudo de artes gráficas, web design e afins. Podem conferir, clicando no banner aqui abaixo!

11.4.09

Blogueira fora de série faz 20 anos

Há pouco mais de um ano, eu fazia minhas tradicionais navegadas quando fui cair num blog que logo mudou meu estado de espírito. Era o Cólica Mental. Fiquei ali, lendo vários posts. Há tempos isso não me acontecia. Procurei saber quem escrevia daquela maneira, com tanto humor nas entrelinhas, juntando Sartre e Simone de Beauvoir com Zorra Total e CQC!

Era Nathália Esthevlana. E com apenas 18 anos!! Logo a convidei pra fazer parte do Jornal da Lua. Trocamos e-mails pra acertar os detalhes e conheci um pouco mais daquela autora tão diferente. Fizemos algumas experiências e dei a ela o cargo de colunista anti-social. Os jornais tradicionais têm colunistas sociais. Aqui Nathália é a colunista anti-social, usando o codinome de Lana Esthevlana. Tirei isso de sua própria definição de perfil que vi no Cólica Mental. E como ela se recusa a escrever o novíssimo “antissocial”, continuamos à moda antiga.

Um dia, ela me disse pra olhar um “blog de testes” que tinha em seu painel. Lá estava um novo template pro JL, com aquela Lua imensa! Claro que adorei! Continuamos trocando ideias e nos conhecemos pessoalmente em setembro do ano passado, numa exposição sobre Clarice Lispector, no Rio.

Meses antes, fiz uma página na rádio Last FM, mas acabei esquecendo de voltar lá. Em seu blog, Nathália criou um link, “Também estou na Last FM”. Fui lá, curioso pra saber o que uma representante do século 21 gostava de ouvir. Foi uma de minhas maiores surpresas. Quase tudo que ela ouvia era o que eu ouvia desde a minha adolescência! Ela conhecia tudo que eu conhecia e muito mais!

Numa noite, depois de entrar na página dela na Last (o que faço até hoje!) e ficar ouvindo suas faixas escolhidas, tive um sonho: eu estava em 1969, o que aconteceu a seguir indicava isso. Toca o telefone e vou atender:

- É Nathália! Vamos pra Woodstock?

No sonho, Nathália tinha 18 ou 19 anos. Na realidade, ela só iria nascer dali a 20 anos, em 1989. Mas, em sonhos, épocas, lugares e pessoas que não se conhecem se misturam, pelo menos comigo é assim. Então, neste sonho, nós éramos vizinhos.

- Wood... Como é?

- Woodstock! Ouvi agora no programa do Big Boy, na Rádio Mundial. Vai ser em agosto, três dias de festival, imagina! Dias 15, 16 e 17 de agosto!

- Mas, onde é? É festival de música?

- Woodstock fica perto de Nova York! Quase todos os grandes vão pra lá, pensa bem! Não podemos perder!

- Nova York? E quais são esses grandes?

- Quais são? Anotei aqui: Jimi Hendrix, The Who, Santana, Ten Years After, Creedence, Joan Baez…Bob Dylan não vai, mas podemos procurar em Nova York, fiquei sabendo que ele tá lá! Não me pergunte pelos Beatles, que eu sei que você vai perguntar! Eles não vão. Nem os Stones. Mas parece que até Janis Joplin vai. Quer mais? Crosby, Stills, Nash and Young, Country Joe and The Fish, Joe Cocker...

- Você tá me gozando, Nat? Esse pessoal todo junto? Vai ser um festival tipo o que houve em Monterey, dois anos atrás?

- Isso mesmo! Só que com muuuuitoo mais artistas! E nós perdemos Monterey! Esse nós não vamos perder! Vai logo arrumando a mochila e o sleeping bag!

- Nooossaa! Vamos ver Hendrix de perto? Claro que eu topo! Vai ser ao ar livre?

- Passa aqui mais tarde que eu te conto tudo. Agora tenho que ir numa passeata contra a ditadura. Você não quer ir?

- Tô trabalhando. Contra a ditadura, mas acho que vão censurar meu artigo. Tem Coquetel Molotov aí?

- Hahaha! Meu grau de violência e repulsa a esse povo não chega a tanto. Mas, se for preciso, treinei jogar pedras na tropa de choque. Vou seguir de braços dados com diversos artistas, como na Passeata dos Cem Mil, ano passado. Cara, de repente eu conheço Chico Buarque, já imaginou?

- É mesmo, pena que eu não posso ir. E o lema de Maio de 68 continua, né?

- Sim, “É Proibido Proibir”. Ah, sábado estréia o filme do Bergman! Não esquece, hein?

- Não esqueço, vamos juntos! E tô louco pra ver “Sem Destino”, já te falei dele, não foi?

- Com Steppenwolf e Hendrix na trilha sonora? Claro! Compra logo o disco, vai sair aqui antes do filme!

Quando acordei, percebi como eu a via. É uma típica garota dos anos 60, mas que passou a infância nos anos 90 e entrou na adolescência junto com o século 21. Ela soube estudar o passado recente e entendeu tudo muito bem. Por isso, poderia tranquilamente passear com Janis Joplin em Copacabana ou jantar com Woody Allen em Nova York. Aliás, se Woody Allen fosse mulher, seria a Nathália!

Em um de seus posts, Nathália diz que não vê nada de mais no dia de seu nascimento, que muitas vezes nem se lembra, que a data não mudou em nada o rumo da humanidade. Típico pensamento de uma garota dos anos 60, adepta da Contracultura.

Tá OK, Nat! Então, em vez de te dar os parabéns pelos seus 20 anos no dia 13 de abril, fica aqui esta pequena homenagem. E, claro, vamos pra Woodstock!

1.4.09

Chegamos (quem diria!) aos dois anos

Já disse aqui que minha intenção, quando criei o Jornal da Lua, era contar com uma equipe, como uma redação mesmo. Nada de um autor só. Primeiro, porque eu prefiro muito mais ir pra praia do que ir pro trabalho; depois, porque acho muito mais divertido, já que tenho mesmo que trabalhar, fazer isso ao lado de pessoas engraçadas, que me contem piadas inteligentes, que me façam rir.

É difícil encontrar essas pessoas no mundo moderno. Pelo menos, pra mim! Mesmo assim, convidei algumas. Perto do dia primeiro de abril de 2007, data ideal pra lançar um jornal virtual que queria ser o filho de “O Pasquim”, vi que ninguém aparecia, só uma ou outra resposta evasiva, “vamos ver...”, “quem sabe..."

Acabei entrando nessa vida completamente só. Depois de algumas semanas, vi que a solução de meu problema estava na própria blogosfera. Comprei o livro da Maristela Bairros, blogueira de Porto Alegre, intitulado “Chutando o Balde”, e pedi pra publicar trechos no blog. Com o consentimento dela, lembrei de outro livro, desta vez de meu amigo de longa data, Chico Paula Freitas, carioca do Méier que hoje mora em Copacabana. Liguei pro Chico e perguntei se poderia publicar alguns contos de “Café e Bar Ponto Chic”, lançado pela Bertrand Brasil.

Bom, já tinha dois colaboradores. Depois, veio a Yvonne, com outro estilo, uma cronista perfeita! Falando do presente ou do passado, eu nunca perdia um post da Yvonne. Quando ela lançou um post, declarando estar “cansada do blog”, eu logo fiz meu convite: “Parando ou não com seu blog, você JÁ É da minha equipe, OK?”

Foi da mesma forma que trouxe a Regina Simões, um talento que também pensava em fechar as portas. Claro que eu não deixei. Regina tem um tipo de humor que encaixa perfeitamente no que eu imaginava para o Jornal da Lua. Ela reativou o seu blog, mas entrou para nossa equipe usando o codinome de Regina Lewinsky, uma alusão àquela Lewinsky que ficou famosa pelo caso com Bill Clinton. Como eu também sou Bill, em vez de me enviar uma foto dela, como fizeram Maristela e Yvonne, mandou uma caricatura genial, da Lewinsky famosa, com uma tatuagem no braço, um coração com uma seta e o nome “Bill”. Rolei de rir quando recebi. Observem aqui na lateral direita!

Conheço vários outros blogueiros e blogueiras que eu poderia convidar. De alguns, pego uns “posts emprestados” de vez em quando. Mas, sei que muitos levam seus blogs com dificuldade, falta tempo, têm problemas pessoais que os afastam da blogosfera. E existem também aqueles e aquelas que eu adoro ler, e que estão muito bem em seus próprios blogs, de tal forma que eu nem penso nesses autores fora de suas criações naturais.

Outra conquista memorável para o Jornal da Lua foi Nathália Esthevlana Alves, que escreve aqui usando o codinome de Lana Esthevlana. Desde que cheguei em seu blog, em meados de março do ano passado, consegui não só uma colaboradora, mas uma amiga de todas as horas, dona de um talento único. Tenho tantas histórias sobre a Nathália, que vou precisar de um outro post.

Caroline Lira, que completava 17 anos quando a conheci, nunca saiu de meus planos. O “único” problema é que o dia tem apenas 24 horas, e Carol precisa de um dia de 40 ou 50 horas. Uma garota que estuda e trabalha desde cedo. Deve ter começado a ler com uns cinco anos. E foi logo devorando os clássicos, James Joyce, Cervantes, Platão, Nietzsche, Camões, Hegel, Dante, Sartre, Clarice Lispector, além de poetas como Fernando Pessoa, Rilke, Cecília Meireles, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Mário Quintana etc e etc.

Não se percebe humor em seus textos. Mas são escritos de uma maneira tão intensa, tão singular, brilham como uma joalheria abarrotada de diamantes, que eu a queria na equipe, e continuo querendo. Só que o dia continua com 24 horas. Porém, a foto dela já tá aqui, vejam à direita. E é preciso lembrar que minha inspiração, “O Pasquim”, não contava só com humoristas em sua equipe. Lá estavam, por exemplo, Sérgio Cabral (pai do atual governador do Rio), Paulo Francis, Luiz Carlos Maciel e Newton Carlos, o analista internacional que nunca sorria.

Gostaria também de trazer Kamilla Barcelos e Gabi Mazzei, duas outras excelentes blogueiras e humoristas. Já publiquei um texto da Kamilla aqui. No momento, ela inicia nova vida em outra cidade e não tem tempo pro próprio blog. Mas, uma hora, vamos nos encontrar. Quanto à Gabi, creio que em breve vocês a terão por aqui.

Aí este jornal vai ficar do jeito que eu imaginei no início. Eu trabalho um pouquinho, vou pra praia e as garotas fazem o resto! Hehehe!

E teremos fôlego suficiente para muitos anos. Com o objetivo inicial preservado: fazer com que os leitores riam, enquanto têm a doce esperança de que esse mundo esquisito em que vivemos tem conserto.

O meu muito obrigado a todos os que passam por aqui!

Beijos e abraços!