lobo e lua

lobo e lua

24.1.09

De como encontrei o rock and roll (ou de como ele me encontrou)

Lana Esthevlana
COLUNISTA ANTI-SOCIAL

Não gosto de dizer que sou uma pessoa eclética. Para mim isso soa exatamente como “oi, não tenho personalidade e ouço com prazer o que estiver tocando”.

Alguns dizem que sou “roqueira”, mas acham estranho, pois eu não me visto somente de preto e, acima de tudo, sou cheirosa e não me drogo. Rótulo é uma coisa infame, não?

Bem, não sou roqueira-rebelde-sangue-nos-olhos visto que sou louca por uma boa roda de samba. Não sou sambista (ou sambadeira, sei lá... hahaha!) e também amo bossa-nova. Ahn, não importa. No fim das contas, eu prefiro dizer que gosto daquilo que me faz dançar, seja por dentro ou seja por fora.

Entretanto, admito que o estilo que mais gosto é o rock, pois algo contido na mistura dos sons de sua guitarra, baixo e bateria me faz lembrar de liberdade. Me faz pensar em vida.

E na vida.

Lá na década de 90, considerada por mim como a década dos últimos suspiros do rock, quando eu estava na quarta série do primário, não era uma menina de muitos amigos. No caso, não de muitos amigos da minha idade. Eu gostava de ficar com o pessoal da 6ª e da 7ª. Eles que tinham uns papos legais e usavam roupas legais. Casaco xadrez, All Star rabiscado e calça rasgada. E as músicas que eles ouviam? Era melhor do que brincar o dia inteiro na rua. Eu poderia passar a tarde toda deitada no chão do meu quarto, com os fones de ouvido do meu moderníssimo walkman tocando Nirvana, Pearl Jam e Ramones.

Não sei explicar a magia. Na verdade, acredito que não seja possível. Só lembro que, à medida que fui escutando as bandas, não conseguia parar. E minha vontade de ouvir mais e mais músicas era tanta que o pessoal mais velho decidiu me dar uma overdose de rock. Me contaram sobre o surgimento do rock and roll, de suas origens negras e do impacto cultural que causou. Foi como uma iniciação numa seita secreta.

Depois das aulas teóricas, veio a prática.

Pratiquei ouvindo bandas e cantores como: Creedence Clearwater Revival, Bruce Springsteen, The Beatles, The Rolling Stones, The Who, The Cranberries, The Doors, Raul Seixas, Legião Urbana, David Bowie, U2, The Clash, Rod Stewart, The Animals, AC/DC, Elvis Presley, Aerosmith, Led Zeppelin, Bad Company, Dire Straits, Pink Floyd, Barão Vermelho, Cazuza, The Beach Boys, Scorpions, Velvet Underground, Billy Joel, Bryan Adams, RPM, Eric Clapton, Metallica, Queen, Social Distortion…

Claro que não vou colocar o nome de todas as bandas aqui, pois se tornaria uma leitura absurdamente extensa e cansativa. Sem contar que minha memória não é tão boa assim. Porém, achei importante citar boa parte da música que me fez entender o que é a liberdade. Pois pode até soar um tanto patético/poético, mas, quando escuto algumas dessas bandas, sinto que posso parar no tempo e analisar minuciosamente cada coisa da vida. E nada como transformar revoltas, angústias, desejos e sorrisos em música.

Um brinde ao bom e velho rock and roll. Um brinde à liberdade de espírito através da música. Seja ela qual for.

A sensacional Lana Esthevlana também pode ser encontrada aqui.

18.1.09

Ecos

Conto de Chico PF
(Francisco Paula Freitas)

– E como poderia esquecer? Você era uma boa bisca, tomava todos os meus namorados. Primeiro foi o Nathanael, filho do tio Curiácio. Não, não era o mais velho, era o do meio, aquele mais moreno, forte, que passava as férias lá em casa; depois foi o Abílio, do seu Serafim, o farmacêutico lá de Mata Cavalos. Teve também o Nico do cartório, primo do Quincas Macieira, o pianista; foram tantos que você me tomou... Você com aquela sua carinha de songamonga chantageando papai o tempo todo só porque tinha tido a “espanhola”, já estava mais do que curada e ficava fingindo, dava aqueles desmaios... Eu te perdôo, você era muito levada. Bons tempos aqueles, não eram, Neusa?

— Se eram; mas isso faz muito tempo! Você também era bem sonsa. A propósito, você está com noventa e um, não é?

— Está maluca? Como noventa e um se eu sou apenas dois anos mais velha que você e pelo que eu sei você está com oitenta e oito? Por Deus Nosso Senhor, por que não perde essa mania de querer me fazer mais velha do que sou?

— Não, Cota, oitenta e oito teria o mano Sylvio se estivesse vivo, que Deus o tenha, e eu sempre fui mais moça do que ele, um ano.

— Então você quer dizer que tem oitenta e sete e eu noventa e um? Não é possível, pode ser até que eu tenha mais de oitenta e nove, mas ainda não fiz noventa e um mesmo! Minha memória anda fraca esses dias e minha cabeça não está lá muito boa para contas, depois, não sei por quê, sempre que a gente conversa, você vem com essa sua mania de falar de idade. Pare com essa teimosia, Neusa, já lhe pedi, encoste um pouco mais a veneziana, o sol está muito forte, me passa esta linha. Haja paciência! Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

— Para sempre seja louvado, mas teimosa é você, Cota, e não vou passar linha nenhuma. Deixa de ser mandona. Se quiser, venha buscar ou peça por favor.

— Lembra-se do... Como era mesmo o nome dele? Aquele empregado do tio Manduca, o... Ah! Lembrei, o Charles! Ele não usava sapatos, não havia para o tamanho dos seus pés. Era muito engraçado, negro que só ele com aquela beiçola e aquela risada banguela. Era americano, começava a contar, via que não entendíamos, apontava para o céu, gesticulava e dizia que já tinha andado de aeroplano. Não falava quase nada da nossa língua, e assim mesmo tia Isaura mandava ele às compras. Na volta, vinha sempre meio grogue e com quase nada do que tinha ido buscar. Quando titia reclamava, ele ria sem parar. Vivia fazendo patacoadas.

— Diziam que fora marinheiro, tomou uma carraspana e perdeu o navio que voltava para a terra dele. Sem documentos, foi parar no Pedregulho, lá onde o Judas perdeu as botas. Tio Manduca, que era da guarda-civil, ficou com pena, o acolheu e o trouxe para casa.

— Que fim terá levado?.....

— Não sei não, acho que pelo tempo já deve ter morrido.

— Falar em morte, sabe quem está muito mal? A Castorina. Não bastasse a artrose. Reparou nas mãos dela? Depois que o Rosas se foi, ela começou a definhar, definhar, e já não anda. Fica só naquela cadeira. Agora parece que vai ter de ser internada. Eu bem que queria telefonar para ela, mas com este telefone novo é muito difícil, a ligação nunca se completa. Parece estar sempre escangalhado... A filha, aquela sirigaita, sempre viajando, não pode ficar com ela. Tão moça, coitada, ainda não fez oitenta anos e está nesse vai não vai.

— Você sabia que eu flertei com o Rosas? Foi na festa da cumeeira da casa da tia Alice... Ele era bonito que só. Tinha uns sorrisos...

— Sabia sim. Você achava que nós éramos bobas, pois sim.

— É, mas por esta luz que me alumia, namorávamos só com os olhos. Se eu lhe pedir uma coisa, você jura que faz?

— Só com os olhos, uma figa! Bem que ele fazia aquele olhar de songamonga, mas não diga isso que Deus te castiga. Você vivia abarracada, pensa que eu não via? Naquele convescote da Quinta da Boa Vista eu tive que dar uma volta enorme com a mamãe, que Nosso Senhor a tenha, para que ela não visse você e aquele tal de Antenor Galalau, lá perto do lago, atracados... Faço, diga o que é. Eu também namorei muito e sei o que é isso. Sabendo levar, a vida é muito boa. É como eu sempre disse, se você quiser ser feliz, seja.

— Não, não desvie, eu quero é que você jure que vai fazer o que eu vou pedir. Mas tem que jurar!

— Fale logo, Neusa, eu juro, quero que Deus me cegue.

— Quando eu morrer, você não vai me deixar ir no caixão sem pintura. Promete? Jura?

— Que coisa mais mórbida! Por que isso agora? Você está com saúde. Que idéia maluca é essa? Quem disse que você vai morrer? De onde tirou esse pensamento? Essas coisas não acontecem assim tão de repente, Neusa. É bem verdade que já estamos entradas no tempo. Mas, já que você tocou no assunto, pensando bem, podemos fazer uma combinação: se eu for primeiro, você terá que fazer o mesmo comigo, eu também quero ir bem bonita. Além disso, não sei se é verdade, mas, Deus me livre e guarde, ouvi dizer que em algumas pessoas a boca não fecha mais quando morrem e... você sabe, depois que o Emílio me fez esta prótese... Só se amarrar um lenço para manter a boca fechada, senão... pode cair, já imaginou? Que vergonha!

— Está bem, mas ah! meu Deus, para que você foi se lembrar disso, se acontecer comigo, você não deixa, Cota, por amor a Deus, dá um jeito, mas lenço em mim, não. Vou ficar horrorosa; nunca fiquei bem nem de lenço nem de chapéu. Lembra que quando eu colocava qualquer coisa na cabeça, eu ficava feia, estranha. Existem pessoas que não podem colocar nada na cabeça, já outras, não só podem como ficam muito bem. Mamãe mesmo, que Deus a tenha no Reino dos Céus, era uma dessas, ficava linda de chapéu... Mas, em último caso, você vê qualquer coisa. Quem sabe um daqueles estampadinhos, amarrado no queixo, tipo camponesa, como o que eu usava na praia, no período que passamos na casa que papai alugou no Caju? Sempre fui caprichosa e acho que ainda o tenho. Lembro de você tão pálida, tão magrinha, se não fosse o iodo daquelas águas acho que não resistiria ao linfatismo. A ideia do doutor Salles em nos mandar para a praia foi que lhe salvou. Lembra-se, mana?

— E como, mana, e como! Mas que friagem, está um vento danado. Você não sente frio não? Assim vou me constipar. Fecha este postigo.

— Não fecho nada. Se quiser, levante você, ou peça por favor. E sabe o que mais? O diabo que te carregue!

Publicado no livro "Café e Bar Ponto Chic" - Editora Bertrand Brasil

11.1.09

Vem cá, meu anjinho, com a titia

Maristela Bairros
CORRESPONDENTE


Quando estiver no restaurante e for premiado com a presença de lindas criancinhas alternando choro, risadas e correrias entre as mesas, não se abale nem invente de ir até os pais reclamar.

Aja sorrateiramente.

Levante, pare no meio do corredor e, quando uma delas se aproximar, zoando, abaixe-se, com o mais meigo dos sorrisos, e diga a ela que, se não for para o colo da mamãe, você vai arrancar as orelhas dela na boa.

Ou, se não quiser ser tão radical, apele para mitos antigos: diga que o bicho-papão está vindo para levar todos os amorzinhos de crianças que correm e atrapalham as refeições dos adultos.

Pode dar problema com os pais, mas vale a pena. Você será inesquecível nas lembranças dos pimpolhos.

Publicado em “Chutando o Balde – O livro dos desaforos”, Editora Artes e Ofícios

Maristela Bairros também pode ser encontrada aqui.

4.1.09

Millôr, o pensador

Ninguém ignora que o homem é um produto do meio. E que o meio é um produto do homem. O resultado não poderia ser outro – a mediocridade.

Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre pra depois.

Nasci com talento melódico numa época em que o pessoal só se interessa por percussão.

Analista é um sujeito que, partindo de premissas falsas, consegue chegar a conclusões perfeitamente equivocadas.

Se os animais falassem, não seria conosco que iriam bater papo.

Nunca deixe de fazer amanhã o que pode deixar de fazer hoje.

Nas noites de Brasília, cheias de mordomia, todos os gastos são pardos.

Um desses livros que quando você larga não consegue mais pegar.

50% dos doentes morrem de médico.

Chato é uma pessoa que não sabe que “como vai?” é um cumprimento, não uma pergunta.

Todo governante se compõe de 3% de Lincoln e 97% de Pinochet.

Quem se curva aos opressores mostra a bunda aos oprimidos

Especialista é o que só não ignora uma coisa.

Fobia é um medo com PhD.

Toda fotografia antiga é uma punhalada.

O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia.

O gourmet é o comilão erudito.

O haddock é um bacalhau que venceu na vida.

O homem é o único animal que cuida bem do animal que vai comer.

Há escritores que se acham eternos. Mas são apenas infindáveis.

Eu escrevi um livro, plantei uma árvore e criei um filho. Hoje, meu filho, embaixo da árvore, queima o livro.

O humorismo é a quintessência da seriedade.

Idade da razão é quando a gente faz as maiores besteiras sem ficar preocupado.

Desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal.

Um otimista não sabe o que o espera.

Millôr Fernandes

29.12.08

Curiosos perfis de blogueiras

Certas blogueiras conseguem ser criativas até na hora de preencher o "perfil". É o caso de três que selecionamos para mostrar neste post.

A primeira é Nathália Esthevlana, do Cólica Mental, nossa colunista anti-social, usando aqui o pseudônimo de Lana. No seu perfil, na parte de "interesses", ela responde objetivamente: "Sobreviver a 2008", que deve ser atualizado daqui a alguns dias para "sobreviver a 2009".

A segunda usa atualmente o apelido de Glutone Insanu. Também muda constantemente o nome do blog, que hoje é o Web Material. Garante que não lê livros, mas o incrível é que escreve sempre muito bem, principalmente sobre cinema. Vejam seu perfil:

"Definida cientificamente como Homo sapiens sapiens, portadora dos cromossomos xx e do gene da impulsividade. Diplomática apenas quando lhe é conveniente, pode ser explosiva se não houver entes queridos no local. Caso tenha entendido as famosas 'bulhufas' disso tudo, entenda a tamanha dificuldade que se encontra ao descrever um ser que constrói mundos e deturpa realidades. No mais, vamos parar com essa chulice que é falar de si em terceira pessoa e passemos à vida como ela quase é!

E que tal uma ilustração para - ao menos tentar - deixar de lado vossa falha imaginação? Sou a da foto. Porém, não é essa a pessoa que sai às ruas! Durante anos tentei caber no que me julgava ter de ser dentre todas as criaturas e jamais me apontei como mulher entre a minha face e o que há por trás dela. Contudo, basta-me ser só humana com todas as dores e gozos que isso contém. Tenho um belo coelho chamado Lutero, quase sempre peco por omissão, raramente por transbordamento e, a cada vontade, por gula (Glutone Insanu é o nome científico em latim, claro, relativo ao apetite insopitável e que eu inventei). Talvez eu apenas saiba experimentar a vida através de seu mais rudimentar sentido: o paladar. Rude, enfim, é o que mais consigo ser.

Não li um livro sequer nessa encarnação e pretendo deixar para a próxima! Sinceramente? Para mim, livros são instrumentos de tortura! Não me orgulho disso, porém, não faço questão em esconder. Ainda assim, fuço em uma ou noutra coisinha escrita e, por vezes, leio e releio William Blake e seus Provérbios do Inferno. Ah! Eu também gosto de ler bulas e descobri que são mais eficazes que os próprios medicamentos! Jamais coloquei os pés para fora desse país, porém, gostava de ir a um Reino (Swazilândia, África) ou a um Tango (Buenos Aires, Argentina). Se pudesse escolher uma cidade para passar o resto dos meus dias, seria Mongaguá (SP): tem um ar interiorano e com cheirinho de mar! Sou de Áries, de longe e de ninguém! Não sou de igrejas, Orkut e popularidades.

Falo palavrões, sou viciada em arroz e fã de Elvis Presley desde os 11 anos. Sinto saudades dos anos 50's e 60's que não cheguei a ver. Gosto de tomar banho de água fria! Literalmente! Gosto de tomar banho no quintal olhando o céu. Quando chove me sento no chão e deixo a chuva encharcar minha roupa. A verdade é que eu sempre deixei muita coisa acontecer comigo, mas, não vem ao caso. Minha infância deu-se nos anos 80's e apreciava os Contos de Fada: invejava a beleza e sorte das princesas, admirava a ousadia das madrastas e irritava-me com a parvoíce dos príncipes! Não suporto crianças mandonas, adultos obedientes e idosos indiferentes. Por sentir que vivo no interior de um casulo e aguardando um momento oportuno para dele me libertar, escrevi "Lepidóptera": uma breve poesia que joga com as palavras enquanto descreve essa alusão.

Resumindo: Complicada e nada perfeitinha, apareci em meados do mês quatro da última década na qual as crianças eram crianças até chegar a chata da maioridade. Detesto a Ética que, ao meu pobre ver, não passa de permissão para mentir e proteger um grupo fechado. Entendeu!? Um dia algum médico ou advogado te explica... ou não! Simples dona de um blog feito para estapear alguns rostos sem tocá-los e também para colecionar coisas das quais não saberia que existiram se não relesse os arquivos. Não é um blog necessariamente atento à política e muito menos ao que sai nos jornais. Afinal de contas, um mero blog pessoal seria para o quê? Salvar o mundo? O meu não!"

A terceira é Kamilla Barcelos, do Mundo Efêmero, já convidada para trabalhar aqui no Jornal da Lua, assim que conseguir um tempinho em sua estafante vida de estudante. Vejam seu perfil:

"Tenho 17 anos e não fugi de casa. Com essa minha cara de menininha, o máximo que eu consigo é ser a musa dos garotos da quinta série. Nasci na época errada, sinto-me um peixe fora d'água ou, como diria Carlos Drummond, 'um certo jeito de ser gauche'.

Aliado a isso, um misantropismo de natureza. Ninguém escreve meu nome corretamente. Nem cobro também que as pessoas o acertem. Mas também para quê que o pai dela foi incrementá-lo? Até ele às vezes erra. Meu nome é em homenagem ao meu avô, pois fazemos aniversário no mesmo dia. Sou mineira e falo uai. Gosto de Bossa Nova, porque quando a escuto eu me sinto no Rio de Janeiro e na praia. Já que Minas não tem mar, vamos Bossanovear! Sou colecionadora de histórias e de palavras.

Possuo alto grau de miopia, mas enxergo muito mais que certas pessoas. O vírus da gripe me ama. Sou feita de livros. De filmes. De pessoas. De músicas. De amores. De amizades. De medos. De suspiros. De reflexões. De sinceridade. De auto-estima. De baixo-estima. De idéias mirabolantes. De planos. De sonhos. De aventuras. De desventuras. De fantasias. Sou perfeccionista. Sou ansiosa. Sou a caçula da família. Chocolate é minha fonte energética. Gosto de humor irônico e ácido.

Gosto de escrever e tirar fotos, ambos para registrar os momentos da minha vida. Gosto de política, mas não de políticos. Não gosto de futebol, mas sou cruzeirense. Não assisto a filme dublado nem sob tortura, quer dizer, se tiver um ator bonito, até que a tortura vale a pena. Sonho em morar no último andar de um prédio e fazer uma viagem de caminhão. Talvez os dois sonhos sejam por complexo da minha baixa estatura. Se bem que um dos maiores revolucionários, Luís Carlos Prestes, tinha 1,60 de altura e nem por isso deixou de liderar a gigantesca Coluna Prestes.

Detesto cortar o cabelo. Pretendo virar a Rapunzel, quem sabe assim eu não encontro o meu príncipe? Odeio Coca-Cola. Odeio café. Odeio ter aula no sábado. Odeio nem sempre poder fazer o que eu realmente gosto. Odeio falta de responsabilidade. Opino sobre tudo, mesmo sem saber do que se trata. Não gosto de meio termo e neutralidade. Pois acho que a vida é muito curta para ficarmos nos escondendo daquilo que realmente pensamos e gostamos."

25.12.08

Epidemia instantânea


Jaya Viana
BLOGUEIRA CONVIDADA

Não escrevi nada no dia do Natal por estar um tanto enfadada com tamanha mesmice que sempre gira em torno do mesmo. Sou indiferente. E aí ainda aparece o melindre. É isso que vejo cercar essa época do ano. É esse clima de vulnerabilidade/amabilidade que parece tomar conta de todo mundo, como se fosse uma epidemia instantânea.

Sempre foi assim, basta iniciar dezembro que as ações se modificam, que os corações se abrem e que as pessoas (não todas) chegam a se forçar a agir de maneira que não lhes convêm na maior parte do tempo. Isso tudo dura até a meia-noite do dia 25 de dezembro. Depois passa como se nunca houvesse chegado.

Tudo isso aí é pra explicar a falta de sentido que me arrebata na noite do dia 24. No exagero de vazio que enxergo no Natal. Nas lágrimas que sempre aparecem pra lavar a alma. Nas saudades. Nos telefonemas de quem está longe. E por mais que possam ser sinceros meus desejos de “luz, paz e amor a você e toda sua família”, eu prolongo isso durante o ano inteiro. Não acho que seja preciso esperar um único dia no ano pra dizer a alguém o quanto ele é estimado e o quanto você se importa com seu bem estar.

Natal é pra comemorar o aniversário de Cristo. Eu não gosto de aniversários. E é notável de longe a decadência desse real sentido da data. Tantos esqueceram, e a grande maioria só transformou tudo em mais uma data comercial onde se trocam presentes. É assim que é. É um clichê escancarado, mas é tremendamente real.

Lá, quando pequena, minha vó me ensinou o sentido do Natal, mas a verdade é que nunca aprendi a amar essa data. E a cada ano eu me via com uma parte diferente da família, deixando meu coração rasgado em um monte de pedacinhos que não mais se reuniriam, e lembrar disso não era motivo algum de alegria. Hoje isso não me afeta mais, porém o amor, a vontade de se vestir de vermelho, de esperar a meia-noite, só fizeram diminuir. Diminuir ao ponto de praticamente inexistir. É uma tradição que não faz parte de mim.

No fim, tudo acaba com a televisão ligada e uma programação horrenda.

Isso tudo não me impediu de desejar a todos um Felicíssimo Natal, de coração!

Preservemos esse sentimento bom durante a vida inteira, e não apenas por alguns dias.

Jaya Viana também pode ser encontrada aqui

A ilustração deste post é um presente da nossa amiga Maristela Bairros

20.12.08

Evitar o Natal é um dos meus hobbies

Jânio OB
ENVIADO ESPECIAL AOS QUE NÃO GOSTAM DO NATAL

Se alguém der uma olhada pelas ruas, durante a noite do dia 24 de dezembro, pode ter a impressão de que ninguém está sozinho. Em cada quarteirão, dá pra se ver várias casas cheias de luzes coloridas e ouvir gritos de crianças. Poucos carros trafegam por avenidas, parecendo transportar pessoas atrasadas para alguma festa. Ninguém parece estar sozinho neste dia...

No entanto, um grupo de pessoas prefere trocar a ruidosa festividade familiar e o farto cardápio natalino por um filme, um livro ou um disco que não lembram a data nem de longe. Em uma rápida análise, alguns diriam que este grupo é composto por pessoas à beira da depressão, avessas a abraços e tapinhas nas costas ou traumatizadas pela figura carnavalesca do Papai Noel.

Mas, basta conversar um minuto para compreender logo que elas apenas não dão a mínima para o tal espírito natalino."Essa ode ao consumismo é muito triste", analisa Gudesteu Hostalácio. "Dar presentes, enfeitar a casa, toda essa alegria esquisita....não gosto. Acho ruim até as musiquinhas." Gudesteu prefere ficar longe dos pinheiros verdes e dos "jingle bells". "Gosto de ficar sozinho neste dia. As pessoas convidam, mas sempre dou um jeito para não comparecer a estas festas. Prefiro ficar em casa vendo televisão, mas quando aparece qualquer comercial sobre o Natal, mudo logo de canal."

Ele tentou convidar a mãe para, quem sabe, enfrentarem juntos a noite que ambos consideram um porre. "Mas não adianta...ela não vem mesmo". Já Apulcro Mambojambo diz que o pior é lidar com a neurótica expectativa das pessoas durante a semana que antecede o Natal. "É muito irritante. Para mim, é apenas mais um dia comum como os outros. Mas todos ficam doidos: a mãe desesperada com o tender, horário para servir a ceia, horário dos presentes...Ficar sozinho é muito melhor."

A cada dia 24 de dezembro, caso ninguém apareça com um inconveniente convite de última hora, Mambojambo consegue atingir seu objetivo com louvor: ficar em casa sozinho, ver um pouco de televisão, ler ou ouvir rock and roll."Minha mãe briga. Ela pergunta: 'Vai passar o Natal como bicho outra vez? Como se não tivesse ninguém?' Mas nestas festas tem sempre algumas pessoas da família que você não quer ver... Pô, e eu ainda sou vegetariano! Aquele monte de carne sobre a mesa durante a ceia não me diz nada!"

Mambojambo já atendeu telefone durante uma destas deliciosas madrugadas solitárias. “E para quê? Nunca mais! Tenho que inventar que tô doente, com alguma coisa contagiosa, senão cismam de vir me pegar...É ruim, hein?”

De acordo com Mario Persona (mariopersona.com.br), quem inventou Papai Noel foi a Coca-Cola. “Bem, o Papai Noel já existia antes, mas ele era magro. Só foi engordar mesmo na década de trinta, quando sua imagem foi contratada pela empresa que ainda não tinha inventado a Coca Light.

“A figura do velhinho barrigudo e simpático que hoje vemos nos anúncios foi uma criação do artista Haddon Sundblom, que, por sinal, era seu próprio modelo. Nariz e bochechas vermelhas deixavam claro que refrigerante não era exatamente a bebida preferida do modelo-artista”, conta Persona.

Na Bíblia, lemos que os Reis Magos foram até o menino Jesus em sua manjedoura e passaram a "adorá-lo, abrindo tesouros, ofertando dádivas, ouro, incenso e mirra". Dizem que a tradição das festas de Natal começou assim. Mas, para muitos (não parece, porém são muitos), tudo não passa de uma “festa comercial”, bem distante dos verdadeiros ensinamentos de Cristo.

13.12.08

Festas e mais festas


Lana Esthevlana
COLUNISTA ANTI-SOCIAL


Já esqueci várias vezes que era meu aniversário.

Acordava mal-humorada, como todo dia, olhava pro teto... pra janela... respirava fundo... me espreguiçava e de repente ouvia vozes me dizendo "parabéns!" e pensava "puta merda! É hoje. "

Dia de aniversário, pra mim, é um pesadelo. Pô, você tem que sorrir pra todo mundo que te dá os parabéns, tem que ficar rodeado de pessoas. Afinal, elas querem ficar perto de você (?).
Esse ano, quatro dias depois do meu aniversário, um amigo meu chegou e disse:

- Seu aniversário é em maio?
- Não, é em abril mesmo.
- Ah, é verdade. Que dia mesmo?
- Dia 13.
- Caramba, me desculpa! Esqueci completamente!
- Menino, eu não ligo.
- Putz, que bom. Porque eu também não.

Sabe, não vejo motivo pra comemorações. É só mais um dia no ano.

Acho totalmente “narcisista” comemorarmos o dia em que nascemos. Como se isso tivesse mudado significativamente o rumo da História. Hahahaha. Minha família também adora uma festa! Nossa, não sei como têm disposição pra tanto!

Isso quando minha mãe não inventa de fazer festa aqui em casa. Que não é bem uma festa, mas uma reunião dos amigos dela e do meu pai. Bem, a questão é que ela faz toneladas de comida e faz faxina na casa uma semana antes.

Quando sei que vai ter alguma coisa aqui, me programo dias antes pra ocupar completamente minha semana. Pra fugir da faxina, da preparação da comida e da festa. Dia desses minha mãe chamou dois casais, amigos dela e do meu pai, para passarem o dia aqui em casa. Eles chegaram e eu não vi. Estava no quarto do computador. Daí fui terminar de me arrumar, porque estava de saída, e passei pela sala e nem me liguei de falar com eles.

Minha mãe me chamou atenção na frente de todo mundo! Terrível.

- Ô bichinho do mato, vai falar com o pessoal não?
- Ah, nem vi que eles estavam aí (!!!). Oi, pessoal. Agora dá licença que tô atrasada.

Eu sei, eu sei. Sou um poço de falta de educação, mas eu não sei ser falsa. Só quando é realmente necessário. E, sabe, pra mim, ali não era o momento de ser. Só esse ano eu já devo ter fugido de umas 20 festas. E isso só da minha família.

Certa vez, minha mãe me avisou da festa no dia. Daí eu tive que pensar rápido, né? Cheguei pra ela e disse:

- Poxa, mãe, eu já tinha marcado de sair...
- Ah, então, nesse caso, tudo bem.

(Ligo pro namorado)
- Oi! A gente vai se ver hoje, tá bom? Vem me buscar. Tchau.

E o Natal? O que mais me irrita com relação ao Natal é o fato de todos, durante mais ou menos uma semana, se preocuparem com o mundo. Só pra mostrar que possuem o espírito cristão, sabe? Ajudam os mendigos... Fazem o “Natal sem fome”. Como se somente no Natal as pessoas precisassem comer.

Daí milhares de pessoas se vestem de Papai Noel e saem distribuindo presentes pras criancinhas mais pobres. Poxa, ao invés de darem brinquedos, não seria melhor dar um jeito pra que elas tivessem um futuro decente garantido? Isso sim seria um Natal onde alguma mudança realmente válida seria feita.

Ainda nessa onda de bondade do Natal, vem o Ano Novo, onde todos desejam paz, um mundo melhor, onde não haja injustiça e nem esses crimes atrozes que vemos o tempo todo na TV.

Mas os desejos ardentes por essa paz tão grande só duram do dia 31 pro dia 1º. Depois, todos voltam às suas vidas, como se nada tivesse acontecido. Como se os pedidos tivessem sido de mentira.

Desprezível, não é mesmo?

A fantástica (e carí$$ima!!) Lana Esthevlana também pode ser encontrada aqui.

6.12.08

Como aumentar o prazer feminino

Dr. Mijaro Nomuro
ESPECIALISTA EM MULHER

Técnica nº 1: Mãos molhadas

Faça sua parceira sentar-se em uma cadeira confortável na cozinha. Certifique-se de que ela consegue ver muito bem tudo que você faz. Encha a pia da cozinha com água e adicione algumas gotas de detergente para louça com aroma. Segurando uma esponja macia, submerja suas mãos na água e sinta sua pele ser envolvida pelo líquido, até que a esponja esteja bem molhada...

Agora, movendo-se devagar e gentilmente, pegue um prato sujo do jantar, coloque-o dentro da pia e esfregue a esponja em toda a superfície do prato.

Vá esfregando com movimentos circulares até que o prato esteja limpo.

Enxague o prato com água limpa e coloque-o para secar. Repita com toda a louça do jantar até que sua parceira esteja gemendo de prazer!

Técnica nº 2: Vibrando pela sala

É um pouco mais difícil do que a primeira, mas com algum treino você vai fazer com que sua parceira grite de prazer!

Cuidadosamente, pegue o aspirador de pó.

Seja gentil, demonstre a ela que você sabe o que está fazendo. Ligue-o na tomada, aperte os botões certos na ordem correta. Vagarosamente, vá movendo-se para frente e para trás, para frente e para trás... Por todo o carpete da sala. Você saberá quando deve passar para uma nova área.

Vá mudando gradativamente de lugar. Repita quantas vezes seja necessário até atingir os resultados.

Técnica n° 3: Camiseta molhada

Este joguinho é bem fácil, embora você precise de mente rápida e reflexos certeiros. Se você for capaz de administrar corretamente a agitação e a vibração do processo, sua parceira falará de sua performance a todas as amigas dela!

Você precisará apenas de duas pilhas. Uma pilha com as roupas brancas e outra pilha com as coloridas. Encha a máquina de lavar com água e vá derramando gentilmente o sabão em pó dentro dela (para deixar a mulher ofegante, use exatamente a quantidade recomendada pelo fabricante).

Agora, sensualmente, coloque as roupas brancas na máquina... Uma de cada vez.... De-va-gar. Feche a tampa e ligue o "ciclo completo". Sua companheira vai ficar extasiada. Ao fim do ciclo, retire as roupas da máquina e estenda-as para secar. Repita a operação com as roupas coloridas...

Técnica nº 4: O que sobe, desce

Esta é uma técnica muito rapidinha. Para aqueles momentos em que você quer surpreendê-la com um toque de satisfação e felicidade. Pode ter certeza: ela não vai resistir. Ao ir ao banheiro, levante o assento do vaso. Ao terminar, abaixe novamente. Faça isso todas as vezes. Ela vai precisar de atendimento médico de tanto prazer!

Técnica nº 5: Gratificação total

Colocar em prática esta técnica pode levar sua companheira a um tal estado de sublimação que será difícil depois acalmá-la, podendo causar riscos irreversíveis à saúde da mulher. Esta técnica leva algum tempo para o seu aperfeiçoamento. Empenhe-se com afinco. Experimente sozinho algumas vezes durante a semana e tente surpreendê-la numa sexta-feira à noite. Funciona melhor se ela trabalha fora e chega cansada em casa. É assim:

Aprenda a fazer uma refeição completa. Seja bom nisso. Quando ela chegar em casa, convença-a a tomar um banho relaxante (de preferência aromático, em uma banheira de água morna que você já preparou). Enquanto ela está lá, termine o jantar que você já adiantou antes dela chegar em casa.

Após ela estar relaxada pelo banho e saciada pelo jantar, execute a Técnica nº 1.

Preste atenção nela, pois o estado de satisfação será extremamente alto, tão alto que poderá causar coma repentino!

Colaboração da Marcela, do INFINITO PARTICULAR

JÁ ESTÁ NO AR O BLOG DO MEU IRMÃO, CELSO JAPIASSU. VÃO LÁ VISITAR!

29.11.08

Diferenças entre presídio e trabalho

Gudesteu Hostalácio
ENVIADO ESPECIAL AO PRESÍDIO
&
Apulcro Mambojambo
ENVIADO ESPECIAL AO TRABALHO


PRESÍDIO
Você passa a maior parte do tempo numa cela 5x6m.

TRABALHO
Você passa a maior parte do tempo numa sala 3x4m.
____________

PRESÍDIO
Você recebe três refeições por dia, de graça.

TRABALHO
Você só tem uma, no horário de almoço, e tem que pagar por ela.
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PRESÍDIO
Você é liberado por bom comportamento.

TRABALHO
Você ganha mais trabalho com bom comportamento.
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PRESÍDIO
Um guarda abre e fecha todas as portas para você.

TRABALHO
Você mesmo deve abrir as portas, se não for barrado pela segurança por ter esquecido o crachá.
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PRESÍDIO
Você assiste TV e joga baralho, bola, dama...

TRABALHO
Você é demitido se assistir TV, acessar internet e jogar qualquer coisa.
____________

PRESÍDIO
Você pode receber a visita de amigos e parentes.

TRABALHO
Você não tem nem tempo de lembrar deles.
____________

PRESÍDIO
Todas as despesas são pagas pelos contribuintes, sem seu esforço.

TRABALHO
Você tem que pagar todas as suas despesas e ainda paga impostos e taxas deduzidas de seu salário, que servem para cobrir despesas dos presos.
____________

PRESÍDIO
Algumas vezes, aparecem carcereiros sádicos.

TRABALHO
Carcereiros usam nomes específicos: gerente, diretor, chefe...
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PRESÍDIO
Você tem todo o tempo para ler piadinhas.

TRABALHO
Ah, se te pegarem...
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TEMPO DE PENA
No presídio, com bom comportamento, a pena pode ser reduzida a menos da metade.

No trabalho, você tem que cumprir 35 anos, e não adianta ter bom comportamento.

22.11.08

A funcionária


Yvonne da Lua
CORRESPONDENTE

- Olha, meu chapa, o negócio é o seguinte: não vou poder trabalhar no sábado à noite porque estarei menstruada - disse Rosilene ao seu cafetão.

- O quê?!? Que mané menstruada é esse? Donde já se viu puta recusar cliente? - respondeu Geraldão.

- É isso mesmo que você ouviu: m-e-n-s-t-r-u-a-d-a. E tem mais, a próxima vez que você me encher a cara de porrada eu tomarei providências. Irei primeiramente na Delegacia das Mulheres e darei entrada em um processo. Além de você responder criminalmente pelos seus atos, eu darei entrada em uma licença no Ministério do Trabalho, você terá que arcar com as minhas despesas e eu ficarei em casa descansando.

- Como é que é? - perguntou Geraldão, perplexo. Você nem carteira de trabalho tem.

- Não tenho do verbo quero ter e é agora. Já tô com ela na mão pra você assinar tudo direitinho. E tem mais: se me perturbar muito, vou processar você pelos 6 anos que trabalhei sem os meus direitos. Ah! E se quiser me comer, vai ter que pagar que nem os outros clientes, porque também processo você por assédio sexual. Já assinou a carteira? Anda logo, porque tenho que ir ao banco abrir uma conta-salário.

- Conta-salário? Que merda é essa?

- Se você não sabe, eu vou explicar direitinho: conta-salário é onde você depositará os meus proventos. Quero ganhar um fixo de R$ 500,00 e mais comissão de 50% sobre cada cliente. As minhas férias serão em dezembro e mensalmente quero receber um auxílio-doença para poder fazer exames ginecológicos. O exame da AIDS é gratuito, você não gastará nada, mas, por outro lado, quero receber também uma verba-insalubridade para os dias de muito frio e chuva - disse Rosilene, cheia de dignidade.

- Mas eu nem sei o que é proventos e insalu o quê. Como é que eu vou poder fazer isso tudo se nem eu mesmo tenho carteira ou, nesse caso, uma firma - respondeu Geraldão, já perdendo a paciência.

- Como você vai fazer eu não sei, mas quero os meus direitos e é agora. Chega de exploração. Acho bom você resolver esse assunto agora porque eu sou capaz de fazer uma verdadeira revolução. Eu e as demais meninas faremos greve e piquetes. Vai ser tão bom, finalmente eu vou poder participar de passeatas, gritando palavras de ordem: "Piranhas unidas, jamais serão vencidas", "Não fique aí parada, você é explorada" - respondeu Rosilene, com um certo ar de CUT -. Já conversei com a companheira Heloisa Helena e ela ficou de vir à inauguração do SPGPEA. O Fernando Gabeira, nosso anjo protetor, também virá para dar uma força.

- Mas o que é isso? - perguntou Geraldão, já sem ar.

- Sindicato das Putas, Garotas de Programa e Afins - respondeu Rosilene, cheia de moral.

- Quem é afins? - quis saber Geraldão.

- Ah! o "afins" abrange muita gente: ex-BBBs, modelos que engravidam de jogadores de futebol e pagodeiros, ex-namoradas de ex-BBBs, ou seja, as putas que deram certo na vida. As famosas que saem nas revistas. Com a contribuição delas, nosso sindicato será muito forte, tenho fé em Deus - respondeu a nossa revolucionária.

- Bom, você realmente não quer que eu seja feliz. Deixa isso pra lá, neguinha. Pode deixar, a partir de hoje você tá livre de mim, vou vender paçoca nas barcas Rio-Niterói. Eu não entendo nada dessas coisas e não serei eu que resolverá o seu problema. Vou ser autônomo agora, só eu e São Jorge, mas me diz uma coisa: de vez em quando posso dar umazinha em nome da nossa velha amizade?

Yvonne da Lua também pode ser encontrada aqui.