lobo e lua

lobo e lua

26.5.08

Tributo a um gênio monumental

Muita gente conhece esta cena final de "O Grande Ditador", realizado por Charles Chaplin em 1940. Nós, do Jornal da Lua, íamos fazer uma reunião de pauta quando alguém avisou que o filme seria exibido na TV a cabo. Então, adiamos tudo e fomos rever, pela décima ou vigésima vez. E não vai ser a última! Para quem não conhece, reproduzimos aqui o discurso que encerra o filme. E quem já conhece deve ler novamente, deve ler sempre. É mais uma obra-prima arrepiante de um dos maiores gênios da Arte de todos os tempos.

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.

Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"

Charles Chaplin - 1889/1977

20.5.08

Brasil vai dar um passo adiante


Gudesteu Hostalácio
ENVIADO ESPECIAL


Tivemos mais uma breve conversa com um pessoal aí que corrigiu umas provas do Vestibular. E conseguimos outras brilhantes respostas dos estudantes que vão dirigir este país, brevemente. Vamos dar um passo adiante, sem dúvida! Só precisamos tirar da frente um enorme precipício.
Respirem fundo e vamos lá!

"A floresta de araucária foi desenvolvida pela aracruz celulose para produzir papel reflorestado."

"Toda energia cinética você deve pegar a velocidade e dividir por 2 pra dar certo."

"Torriceli foi o inventor das torradas."

Perguntas e respostas:

O que entende por Helenização?

"É quando eles queriam chamar todas as meninas nascidas num determinado período de Helena."

Descreva o caminho do sangue venoso.

"Ele sai da cabeça, passa pelo coração e vai pro pé."

Traduza:

I am = "Você é"

laught = "leite parmalat com menor teor de gordura"

tunner = "carro todo enfeitado de playboy."

follows = "comprimentar quando se está indo embora."

master = "se for sistem é o criador do videogame."

finding = "fingindo"

straight = "estrago"

travel = "travado"

height = "oito"

myth = "tem dois, um com cabelo vermelho e um é careca bigodudo. Eles explodem coisas."

12.5.08

Festa imperdível em Urubici

Neste fim de semana, estaremos ali, não em Urubici, mas perto dali.





8.5.08

Mulheres dominam o mundo

Lana Esthevlana
REPÓRTER DE LUXO

O Jornal da Lua apresenta mais uma grande revelação da blogosfera. Trata-se de Lana Esthevlana, contratada a peso de ouro para ser a nossa repórter de luxo. Lana observa como poucos a vida ao seu redor. Quando fomos acertar os últimos detalhes de seu contrato, ela nos contou a seguinte história:

Um casal viajava de carro. Casados há muito tempo, com uma vida muito estável. Ele era um grande empresário.

Parando num posto de gasolina para reabastecer, o marido aproveitou para ir no banheiro, esticar as pernas e comer alguma coisa. A mulher permaneceu no carro. Quando retornou, ele a viu conversando com o frentista. O que mais lhe chamou a atenção era o fato deles parecerem muito íntimos, como se já se conhecessem há anos.

Pagou o que devia e, de volta à estrada, perguntou à mulher:

- Você conhece aquele frentista?

- Ah, conheço sim. Ele foi meu namorado nos tempos do colégio.

Com um grande sorriso, o marido disse:

- Ô, ainda bem que você o largou e ficou comigo. Caso contrário, a essa altura você seria mulher de frentista, ao invés de mulher de um grande empresário bem sucedido.

E ela respondeu:

- Meu amor, se eu tivesse ficado com ele, hoje o frentista seria você. E eu continuaria sendo a mulher do grande empresário bem sucedido.

Lana Esthevlana também pode ser encontrada ali.

5.5.08

Educação brasileira é a melhor do mundo

Apulcro Mambojambo
ENVIADO ESPECIAL

Mais um furo de reportagem do Jornal da Lua. Desta vez, conseguimos algumas respostas de estudantes no Vestibular. Parecem as do ENEM, mas é porque esses estudantes já passaram pelo ENEM. Agora, depois de tudo que aprenderam, estão no Vestibular. É assim que nosso querido Brasil, pentacampeão mundial, segue em busca de seu futuro. Vocês vão ver, se existir mesmo algum futuro, é claro!

"Lavoisier era assim chamado pois se lavava facilmente, ou seja, lavou + easyer."

"O vento está intimamente ligado com propagação de ondas de ar, elas batem e carregam tudo pela frente quando são de alta amplitude."

"A igreja através dos anos perde seu público alvo pois o imposto do dízimo é de 10%."

"O tecido adiposo é um orgão gordo, mas muito gordo que separa as pessoas do frio."

"A mitocôndria é uma bolinha furada e cortada, cada pessoa tem a sua e ela produz um muco chamado secreção."

"O coração serve pra bater, ele fica batendo e quando pára a pessoa tem que colocar um contador de passos."

"D. João sexo era um ditador dinamarquês que impediu a revolução russa."

"Sólon possuia uma forte perspicácia que mesmo nos livros agente percebe sua importância."

"O Brasil foi povoado por ladrões, prostitutas, mercenários e pelos negros que vinham da áfrica procurando emprego dentro de navios negrescos."

"Cabral andava nú pois perdeu as calças no triângulo das bermudas."

"Toda vírgula deve ser pressedida de alguma palavra, pode ser qualquer uma."

"A prosopopéia é o início de uma epopéia."

"Proparoxítona é toda palavra que começa com "p" e termina com "a"."

"O barroco foi na época em que não existiam calçadas e as ruas não eram pavimentadas, chuvia e o barro se tornava realmente oco."

"A Ásia é aquele lugar que tem briga todo dia, tem homem bomba e a polícia se chama police."

"O armistício era um absolutista português que era amigo de napoleão."

"Índice pluviométrico é a medida das escalas pluviômicas sobre unidade de tempo."

"Uma massa de ar pode ser quente ou fria, a quente serve pra chuver e a fria num é bom nem falar…"

28.4.08

Notas de falecimentos



Patty Moon
REPÓRTER ESPECIAL

Pois é, moçada! Além desse engenheiro aí, lamentamos informar a morte do valente macaco-prego Chico, semana passada, em Araxá. Chico foi protagonista de um dos casos jurídicos mais interessantes dos últimos tempos. Morador da Mata do Ipê, em Uberaba, foi preso e julgado, sob alegação de que teria agredido visitantes. Ou seja, gente chata.

Condenado, foi mandado para uma reserva em Araxá, onde vivia desde janeiro. Segundo sua tratadora, Chico estava até engordando ultimamente. Mas, vai ver que morreu disso mesmo. Sem muita coisa pra fazer, já que morava numa área restrita, Chico só viu prazer em comer. Aparentemente, foi um ataque cardíaco. O que geralmente acontece com quem come muito e tem vida sedentária. A morte de Chico mereceu até manchete de primeira página no Jornal de Uberaba, único órgão de imprensa, além do Jornal da Lua, que sempre se posicionou ao lado do macaco-prego.

Chico representou a luta das espécies ameaçadas de extinção por uma raça que se julga dona do Planeta Terra. A mesma raça que pega uma menina de cinco anos e joga pela janela do sexto andar, como se fosse um saco de lixo. Nós, do Jornal da Lua, perguntamos: somos mesmo superiores?



22.4.08

Estrada do Mato Alto


Chico PF
(Francisco Paula Freitas)


Caía a tardinha, lá vinham os dois. Às vezes de ônibus, quase sempre de bonde. Ele, empertigado em sua magreza, chapéu na cabeça, gravata com laço grande e bem folgada ao pescoço, sentado, a bengala entre as pernas, de vez em quando cruzava as mãos sobre o seu castão e apoiava o queixo pontudo.

O menino lia em silêncio os cartazes do veículo e vez por outrafazia uma pergunta que o velho respondia escondendo um meio sorriso, achando graça e gostando da curiosidade esperta do neto.

Chegavam. Na porta da vila, antes de entrar, ele se voltava à igrejinha que ficava logo ali, no final da elevação da rua, tirava o chapéu, encostava-o ao peito e balbuciava umas palavras a Deus, que o menino, embora não entendendo o que significavam, respeitava silenciosamente. Nesses momentos, o garoto olhava para o avô e percebia, em seus olhos, lágrimas, que vinham da comunicação entre eles, ambos deuses.

Cumprindo o ritual, entravam na vila e, uns quarenta passos depois, estavam em sua casa. O velho balbuciava novas palavras incompreensíveis ao quadro do Cristo pregado no alto da parede, em frente à entrada, tirava o paletó e mantinha a gravata afrouxada. Fazia umas graças aos presentes e, em seguida, sentava para a sua pequena refeição.

A filha mais velha, que ansiosa os aguardava, beijava-o, despedia-se dele, dos irmãos e da mãe, pegava o seu menino que acabara de chegar e iam embora. Isto era uma rotina. Mas esta era uma outra história.

Naquele dia, já eram quase oito horas da noite e ainda estavam na rua. No bonde aceso e barulhento, que, com a luz amarela, iluminava a rua larga e escura por onde passava, iam o avô e seu neto pelo sertão carioca.

Na zona rural, as ruas mal iluminadas ajudavam a lua cheia a flutuar bem baixo, quase ao alcance da mão. Apesar do verão, o veículo aberto, em ligeiro movimento, dava frescor e tornava a viagem agradável. Menino e velho iam em silêncio. Nas curvas que fazia — viajavam no reboque — o bonde, volta e meia, deixava entrever a lua. O que para o avô era poesia, encantamento, uma lembrança talvez, para o menino era uma novidade. Sair de noite. Que bonito era o luar na roça, como podia ser grande a lua!

O episódio ficou gravado na memória do menino, pois a aventura não era comum. Na rua ainda àquelas horas! A claridade do luar iluminando os amplos capinzais entre as casas espaçadas, uma aqui, outra ali, que no sertão era assim, o bonde, serpenteando devagar, a mão amiga, segura e morna do avô em sua mão, eram coisas que iriam ser de difícil esquecimento. No dia em que aprendeu o significado da palavra esplendor, lembrou-se daquele momento.

O menino, agora pai e homem maduro, visita o primo. Conversam, falam da infância, do passado e bebem. Entre umas e outras, o primo diz:

— Sabe aquele retrato do nosso avô, que ficava na sala de jantar? Está comigo.
A despeito de já se terem ido mais de trinta anos, não era difícil provocar a memória. Havia de fato, entre outros, um retrato do avô pintado a óleo por um consagrado pintor alemão da primeira metade do século passado, que vivera na região serrana. O quadro era de alto valor artístico. Além disso, valia um bom dinheiro.

A tela é trazida à sala. Estava sem a moldura original, que o cupim dera cabo. Ambos, em silêncio, olham o quadro que acostumaram-se a ver quando meninos. Ali estava o rosto de um homem moço, que teria de envelhecer para se tornar o avô do menino que ainda iria nascer, conhecê-lo e amá-lo.

Mas lá no retrato já estava definido o perfil que o acompanhou até o fim da vida: o grande nariz de Dante, romano, adunco, e o queixo pontudo, um tanto prógnata, comum aos bruxos.

O primo, de supetão, diz:

— Leve, é seu. Ele gostava mais de você.

Era verdade e ambos sabiam disso. Aceitou em silêncio e, mais emocionados, beberam mais. Saiu feliz com a tela e lembrou que deveria homenagear o avô. Uma boa e adequada moldura deveria completar o retrato e ele trataria logo de encomendá-la.

Quis o destino que um dia, ao voltar para casa, passasse, por acaso, naquela rua do sertão carioca que, por mais incrível que possa parecer, sem grandes transformações, está praticamente igual à em que, de bonde,viajou com o avô, na linda, fresca e inesquecível noite de luar. Continuam lá os matagais entre as casas espaçadas, uma aqui, outra mais adiante. A lua está lá, brilha reluzente e derrama prata sobre o capim-navalha.

O que há tempos foi menino vai conduzindo o automóvel em direção à sua casa. Relembra e reconstitui a antiga viagem. Já não existe mais o bonde, o frescor daquela antiga noite é substituído pelo ar-condicionado do carro. Não consegue conter a emoção quando, em um repente, lembra que o velho avô viaja com ele.

Não passa agora de um retrato embrulhado no porta-malas.

Do livro "Café e Bar Ponto Chic"- Editora Bertrand Brasil

14.4.08

Malandro perde a virgindade no Acaba Mundo

Francisco Freitas
COLUNISTA ANTI-SOCIAL

A reportagem do Jornal da Lua conseguiu entrevistar, com exclusividade, um sujeito que preferiu não se identificar, mas que perdeu a virgindade no Aglomerado Acaba Mundo.

Ele foi confundido com um dos integrantes de uma gangue rival, quando ia visitar a tia no Acaba Mundo. Sem direito de defesa, foi agarrado por dois capangas do bando do Caolho, que o arrastaram para um barraco.

- Passei o maió sufoco lá! Us caras entraro cumigo num barraco e tava lá um tal de Marcão, um negão vesgo, du tamanho de um guarda-rôpa, limpando as unha cum um facão inferrujado. Um deles falô:

- Marcão, o chefe mandô ocê istrupá esse cara aí, que é pra ele aprendê a não se metê a valente cum nosso pessoal.

- Pode deixar ele aí no cantinho, que eu cuido dele daqui a pouco.

Quando os caras sairam, o coitado tentou levar um papo com Marcão:

- Ô Marcão, faz isso cumigo não, amigo, sinão a minha vida vai se acabá...

- Cala a boca e fica quieto aí!

Pouco depois, mais dois homens entraram arrastando outro cara:

- Esse aí o chefe mandô ocê cortá as duas mão e furá us zôio, qui é pra ele aprendê a não tocá no dinhêro du bando.

- Deixa ele aí, que eu já resolvo.

Daí a pouco, chegou outro pobre coitado:

- Marcão, esse o chefe qué que ocê corte o bilau e a língua, pra ele não si metê cum mais ninhuma muié da favela!

- Já resolvo isso. Bota ele ali no cantinho junto cum os outros.

Foi quando nosso entrevistado, que assistia a tudo morrendo de medo, disse em voz baixa:

- Seu Marcão, com todo respeito, só pru sinhô num se confundí: quem vai sê istrupado aqui sô eu, tá?

E que lição tiramos dessa trágica reportagem, caros leitores?

NÃO RECLAME SE A SITUAÇÃO ESTÁ RUIM: SEMPRE HAVERÁ ALGUÉM EM SITUAÇÃO MUITO PIOR !!!

10.4.08

Bazar do Chupeta foi o maior sucesso

Gudesteu Hostalácio
ENVIADO ESPECIAL

Nunca se viu nada igual na história dos bazares e leilões no Brasil. O Bazar do Chupeta, carinhoso apelido do megatraficante colombiano Juan Carlos Abadia, previsto inicialmente para durar até o próximo domingo, terminou em apenas dois dias.

No primeiro dia, na terça, mais de 5 mil pessoas fizeram filas nas portas do Jockey Club de São Paulo. Venderam até as cuecas do Chupeta. Na quarta, o povão não entrou, pois o leilão foi apenas pro high society paulistano.

Entre os destaques, mais de 200 pares de sapatos, roupas de ginástica e equipamentos, DVDs, bicicletas, roupa de cama, móveis, roupas masculinas e femininas, óculos e eletrodomésticos - só TVs de plasma foram mais de 20.

A reportagem do Jornal da Lua, sempre presente aos grandes acontecimentos, registrou que a maior procura foi por papelotes de cocaína.

- Quanto é que tá o papelote aí, chefia?

Esta era a pergunta mais repetida na terça-feira. Um dos guardas, já irritado com a mesma pergunta, respondeu:

- Eu já disse mil vezes que aqui a gente não vende droga!!!

- Como não vende? O cara não vendia coca? Cadê a coca? Me ajuda aí, xará, só um papelote!

- Eu já avisei: aqui não tem droga!!

- Tem droga, sim! Daqui eu posso ver uma coleção de discos de Zecão e Zecãozinho! Como não tem droga? Mas eu quero é UM papelote! Só UM!

Nossa reportagem constatou que foi realmente difícil conter a multidão de consumidores em busca dos valiosos bens de Chupeta. Toda a renda será destinada a duas entidades filantrópicas de São Paulo: Fundação Julita, que atende crianças e idosos do Jardim São Luís, Zona Sul da Capital, e a Ten Yad, que diariamente alimenta mais de 2100 pessoas pela cidade.

No entanto, diversos grupos gritavam slogans e portavam cartazes na porta do Jockey Club, exigindo que a grana seja mais dividida. Lá estavam, por exemplo, representantes de hospitais. Do Rio, pedindo grana pra combater a dengue. De Belo Horizonte, da Santa Casa, pedindo grana pra consertar uma máquina de radioterapia, estragada há quase um mês, e ninguém faz nada. Enquanto isso, os doentes morrem de tanto esperar, ou de raiva.

O certo é que Chupeta ficou apenas com a roupa do corpo, mas sem cueca, que também foi vendida no bazar. O comprador da cueca de Chupeta, que pagou 1 real, ficou desapontado:

- Pensei que fosse encontrar algum dólar escondido na cueca!

- Você é um bocó! Quem guarda dólar na cueca é assessor de político!

Os itens mais caros foram leiloados na quarta-feira. Na lista, um Ford Rural Willys e um Jeep Overland, uma geladeira importada, vários relógios Rolex, Cartier (um avaliado em R$ 50 mil), Chanel, Piaget, Bulgari, um Franck Muller de US$ 190 mil e um Audemars Piguet de US$ 219 mil, canetas especiais e bicicletas novas.

Mas, na quarta, o povão foi proibido de entrar no Jockey. Inclusive a reportagem do Jornal da Lua!

7.4.08

O menor conto de fadas do mundo

VERSÃO FEMININA

Era uma vez uma moça que pediu a um lindo garoto:

- Você quer se casar comigo?

Ele respondeu:

- NÃO!

E a moça viveu feliz para sempre! Fez compras, foi ao salão dar uma mudada no visual, conheceu muitos outros garotos, visitou muitos lugares, foi paquerada por onde passou, mudou pra praia, comprou carros, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava grana, bebia vinho e champagne com as amigas e ninguém mandava nela.

O rapaz ficou com uma barriga do tamanho do mundo, varizes, os cabelos cairam, os dentes apodreceram e ele acabou banguela, careca e sozinho.

FIM

(Valeu, Teresaaaaaaaaaaaaa!!!)