lobo e lua

lobo e lua

6.12.07

Uma mãozinha! O quê?


Maristela Bairros
CORRESPONDENTE


Meio de expediente, sufoco total, tudo para terminar, chefe na jugular cobrando, toca o telefone. E você, idiota, atende! Quem é?Ah, o amigo que você não vê há horas. Que não reconhece sua voz porque, diz ele, “parece que nem é você, parece que tá com pressa.”

Você engata a resposta: “E estou, muito, muito apressado.” Já assinou sua condenação aí. Depois de ter atendido o telefone, este é o segundo pecado: se explicar. Em vez de cortar, desligar, fazer de conta que caiu a ligação, não. Você inventa de se justificar! Pode dar adeus a toda possibilidade de se sair bem disso tudo. Daí pra frente é porcaria pura.

Do outro lado da linha, mesmo que você conte que tem tudo ainda por terminar, que aquele é o pior horário, que liga daqui a pouco, não tem salvação. O “outro” já ganhou terreno e vem com tudo. Você ali, refém do telefonema, e ele lasca: “Pois vai te procurar o fulano de tal que quer arrumar um trabalhinho e eu disse que falasse contigo.” Como assim, comigo? “Ah, dá uma força, não custa ajudar, o cara tá mal, super deprimido porque não consegue emprego.”

“Mas eu não tenho vaga nenhuma, nem conheço o cara, e a empresa está demitindo e...”
Convença-se: você está morto, meu amigo. Porque, é você desligar e quem vai lhe ligar? Ele mesmo. O indicado do amigo da onça que disse ao pobre desempregado que você era o cara, a solução para todos os problemas dele. Você tenta ser objetivo, duro e claro: “Olha, não tenho o que fazer por você, mande seu currículo pelo Correio, estamos sem vagas, desculpe.”

Tarde demais! O outro já lhe odeia, porque estava certo de que ia sair do contato com vaga garantida. Afinal, seu amigo tinha acenado com esta certeza. E você ainda vai se sentir magoado com o desprezo de quem ligou e pior: com dor na consciência por não ter ajudado. Atrasou em meia hora o que estava fazendo e vai ficar o resto da noite com azia, com raiva do mundo por ter sido, primeiro, incapaz de cumprir as expectativas de um pobre desempregado e, depois, por se sentir um autêntico frouxo por não ter cortado tudo na saída.

Aprenda: em hora de estresse, não atenda telefone. Ou dê nome errado quando reconhecer a voz do outro lado da linha.

Publicado em “Chutando o Balde” – Editora Artes e Ofícios – Porto Alegre

16 comentários:

Layla Lauar disse...

Nossa...sempre me acontece ligações desse tipo, me deu até arrepios aqui ao ler.

beijos Bill

Jacque- http://tricotando2.wordpress.com disse...

kkkkkkkkkkkkk

Obrigada pela dica!

Beijos.

Ricardo Rayol disse...

por isso muito cuidado com oq se fala sobre emprego... obrigado pela divulgação

Anônimo disse...

Fala meu querido Bill,

Pois é, só que no momento eu infelizmente não posso deixar meu ramal tocar, até porque se eu deixo sempre vai ter um f.d.p que vai puxar a ligação e dizer: Alê, é pra vc...rs
Beijos
e bomfindy
Alê Barros

Luara disse...

Puts que fria heim!
Esta sim eu diria é uma saia justa!
Bill, as bonecas variam de preço, entra no site ( tem la no blog um link, e dá uma olhada), são carerrimas!
rsrs uma boneca custa em torno de 1.600,00 reais!
rsrs claro que eu tbm queria uma, mais neste preço nào tem como!
Beijos !

ANDRÉIA disse...

Puts nem fala.....os dias voam....

Manda seu address pro meu e-mail, aí eu envio um cartãozinho de Natal pra vocês aí na LUA!!! rsrsr

BEIJOS!!!

Yvonne disse...

Bill, estranha essa situação. Beijocas

adelaide amorim disse...

Bill, vivi esse tipo de coisa várias vezes. Éuma seqüência de equívocos de péssimos resultados.
Obrigada pelo comentário simpático. Não tem o que agradecer quanto aos italianos, sou fã de carteirinha dos dois e dos outros também. E se você é de Floripa, já tem visto pra entrar no Rio :)
Beijo pravocê.

maristela disse...

bill, você não que ser meu publisher? com estas inserções no seu blog você já fez muito mais por mim que o dono da editora antes, durante e depois do lançamento do "Chutando". Eu até topo fazer um Chutando o Balde - O Retorno desde que você o edite.
Hehe
bj
maris

maristela disse...

Vortei: pegou seu selo pra blogagem da flavinha dia 17? Não forget us. Viu como sei ser troglodita, quer dizer, poli qualquer coisa

Weird disse...

Situação comum, texto interessante e engraçado!
vejo isso acontecer por aqui, mas é minha mãe ligando para o meu pai no serviço...rs...

Priskka disse...

Gente, que saia justa essa! Só com bom humor pra sair...

JuJu disse...

Eita vida, né? Ainda não me ocorreu algo assim, mas sintuações com essa são bem comuns.
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!

www.mycatblog.zip.net

somentebia disse...

Bill, atualizando a leitura quero dizer que achei excelente o texto anterior.

A situação de alguém ligar dizendo que um amigo vai te procurar para falar a respeito de um emprego torna-se uma situação constrangedora mesmo que não estivesses estressado e pudesses atender o telefonema com o maior tempo possível. Por mais educado que tu fosses, por mais que tentasses explicar as normas da empresa ou tivesses oportunidade de falar sobre o desemprego como um problema social fruto da política econômica atual, acredite amigo, a pessoa do outro lado da linha iria sempre achar que tu estavas com má vontade, que não arranjavas o emprego por que já tinha outro pretendente para a 'vaga', que tu eras desumano, insensível, e outras coisas mais. Como vês, o problema não é o estresse, mas sim a incompreensão humana para os problemas dos 'patrões'. Brincadeiras a parte, achei excelente o teu texto, conduzindo com um bom humor incrível uma situação que é tão corriqueira.

Ficam pétalas perfumadas de carinho, um beijo no teu coração, e o desejo de uma semana ensolarada de alegria, de música, de risos, e de nenhum telefonema de alguém precisando de emprego (rs).

mãe global disse...

Bill,
Eu já passei por essa situação várias vezes! Pior ainda quando é um primo ou alguém da família pedindo emprego pra esposa, pro filho ou pro marido. É uma saia justa e muitas vezes não temos mesmo como ajudar. E a pessoa acha que é má vontade, não é? Situação delicada...
Beijujus,
Rosana

Patty disse...

Aii, que situação complicada.