lobo e lua

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5.9.07

Velhinha tenta provar que ainda não morreu para usufruir da CPMF

Apulcro Mambojambo
ENVIADO ESPECIAL

Dona Maria Francisca Brasilina Brasileira, de 86 anos, tentou ontem receber sua pensão de 300 reais e uns quebrados em uma agência da Caixa Econômica Federal no município de Gato Escaldado, interior do Maranhão.

Para sua surpresa, dona Brasilina Brasileira foi informada pelo caixa do banco de que “já morreu”. Dona Brasilina sofreu um ataque de pressão alta e procurou uma unidade do SUS – Sistema Único de Saúde. E descobriu que o único hospital de seu município não iria atender ninguém, porque os médicos estão em greve, reivindicando melhores salários.

A filha de dona Brasilina, Maria Brasilíndia Brasileira, informou à nossa reportagem que uma homônima de sua mãe havia falecido, em algum lugar do Brasil. Por isso, o sistema de computadores do INSS imediatamente registra que todas as mulheres de nome Maria Francisca Brasilina Brasileira também “morreram”.

Sem hospital e sem pensão, sem remédio e sem solução, Brasilíndia levou a mãe Brasilina para tomar água com açúcar, gratuitamente, na casa da vizinha, Maria Brasilda Brasiliana. “Dá pra quebrar galho”, disse Brasilíndia. “Minha mãe não tem mesmo nenhum dente, há mais de 50 anos. Não tem problema de dar cárie.”

Enquanto isso, em Brasília, para convencer o Congresso a aprovar com celeridade a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo aposta no discurso de que o fim do tributo acarretará “prejuízos graves à área social.”

Em audiência na comissão especial da Câmara, que analisa o assunto, o ministro da Fazenda, Gildo Manteiga, e três ministros da área social, se revezaram em destacar a importância da contribuição no financiamento da educação, da saúde e de programas como o Bolsa Família.
"Se suspendêssemos parte ou a totalidade da CPMF, teríamos de suprimir despesas, o que levaria inevitavelmente à redução de programas sociais", afirmou Manteiga aos parlamentares, acrescentando que o governo também seria obrigado a reduzir seu “esforço fiscal”.

Ele "desafiou" os deputados a sugerirem onde, exatamente, o governo deveria promover os cortes necessários, caso a CPMF, que vence no final deste ano, não seja renovada. Em 2006, o governo arrecadou 32 bilhões de reais com a contribuição, informou Manteiga. Deste total, 42,1 por cento foram alocados para a saúde; 21,1 por cento para a Previdência; e 21,1 por cento para o Fundo de Combate à Pobreza.

A arrecadação da contribuição estimada para este ano é de 36 bilhões de reais e, para 2008, de 39 bilhões de reais. "A CPMF representa mais ou menos 40 por cento das fontes do Ministério da Saúde, é a principal fonte há 10 anos, e tudo é repassado para estados e municípios", afirmou o ministro da Saúde, José Temporário.

Segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Paliativus Onanias, no ano passado, do total de 7,6 bilhões de reais aplicados no Bolsa Família, 6 bilhões de reais tiveram como fonte a CPMF. Além disso, 10 outros programas de seu ministério também dependem da contribuição. "Uma sociedade mais justa custa caro", afirmou o ministro Paliativus Onanias.

O ministro da Pré-Histórica Evidência, Luizão Marinheiro, também apontou as perdas que o seu setor sofreria sem a CPMF, afirmando que o cenário seria "bastante caótico".

Quando Marinheiro dizia a palavra “caótico”, no município de Gato Escaldado dona Brasilina tentava pegar uma gota d’água que escorria pelo queixo e dizia para a vizinha: “Deus ajude a sinhora! Agora, eu vô voltá pra fila, pra mostrá praqueles cabras safados que eu ainda tô viva! Valei-me, padim Ciço!”

8 comentários:

Yvonne disse...

Bill, esse seu post me deu vontade de sair correndo do país. Ainda bem que a Dona Brasilina recebe bolsa-esmola e os seus problemas enfim foram resolvidos. Este é o retrato do nosso lindo Brasil. Beijocas

JuJu disse...

Brasilina... Brasilíndia... São todos nomes de brasileiros pelo visto.
Será que o que tá acontecendo em relação ao permanente CPMF tem algo a ver com a baixa umidade de Brasília, que não tá deixando os nossos representantes pensarem direito?
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!

Sheherazade disse...

Prezado Editor,
Precisamos ter uma consciência clara do que acontece ao nosso redor. Explico: O que mais poderia esperar uma senhora com um nome desses, ainda mais quando depende de um ministro chamado "Manteiga". A analogia é bem clara: Pra um povo que só toma no c..., nada mais conveniente, concorda? A solução pra D.Brasilina que, ainda por cima, é brasileira até nos sobrenome, está implícita no conselho da ministra-sexóloga: Relaxe e goze!

Ô povinho folgado ... tsc, tsc, tsc... Quer mais o quê? Sem a manteiga seria muito pior, não acha?

a) Emputecida da COHAB III

Betty disse...

Bill, o que é isso, menino?! Eu aqui a essa hora e você aí mandando emails... A gente não regula muito bem...
Sheherazade, sua leitora mais assídua, já disse tudo. Garotinha tinhosa ela, não?
Preciso vir aqui mais vezes. Faz tempo que não rio tanto.
Beijinho

JuJu disse...

Só agora é que eu notei: então o nome do município aí do seu post é Gato Escaldado??? Virgem Maria, até os gatos sofrem nesse país...
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!

mãe global disse...

Bill, como disse a Yvonne, depois de ler a triste história da D. Brasilina dá vontade mesmo de sair correndo...Para a coitadinha só resta mesmo tomar água com açúcar e voltar para a fila para provar que está viva. E como disse a Sherazade, sem Manteiga seria pior! Ninguém merece!!!!

Bjs,
Rosana

Patty disse...

E como isso acontece nessa terra, meu Deus!!!
Beijo e ótima semana!!!!

maristela disse...

bill, pior é que tu induzes o povo a te levar a sério! nunca pensou em fazer teatro?