lobo e lua

lobo e lua

11.4.09

Blogueira fora de série faz 20 anos

Há pouco mais de um ano, eu fazia minhas tradicionais navegadas quando fui cair num blog que logo mudou meu estado de espírito. Era o Cólica Mental. Fiquei ali, lendo vários posts. Há tempos isso não me acontecia. Procurei saber quem escrevia daquela maneira, com tanto humor nas entrelinhas, juntando Sartre e Simone de Beauvoir com Zorra Total e CQC!

Era Nathália Esthevlana. E com apenas 18 anos!! Logo a convidei pra fazer parte do Jornal da Lua. Trocamos e-mails pra acertar os detalhes e conheci um pouco mais daquela autora tão diferente. Fizemos algumas experiências e dei a ela o cargo de colunista anti-social. Os jornais tradicionais têm colunistas sociais. Aqui Nathália é a colunista anti-social, usando o codinome de Lana Esthevlana. Tirei isso de sua própria definição de perfil que vi no Cólica Mental. E como ela se recusa a escrever o novíssimo “antissocial”, continuamos à moda antiga.

Um dia, ela me disse pra olhar um “blog de testes” que tinha em seu painel. Lá estava um novo template pro JL, com aquela Lua imensa! Claro que adorei! Continuamos trocando ideias e nos conhecemos pessoalmente em setembro do ano passado, numa exposição sobre Clarice Lispector, no Rio.

Meses antes, fiz uma página na rádio Last FM, mas acabei esquecendo de voltar lá. Em seu blog, Nathália criou um link, “Também estou na Last FM”. Fui lá, curioso pra saber o que uma representante do século 21 gostava de ouvir. Foi uma de minhas maiores surpresas. Quase tudo que ela ouvia era o que eu ouvia desde a minha adolescência! Ela conhecia tudo que eu conhecia e muito mais!

Numa noite, depois de entrar na página dela na Last (o que faço até hoje!) e ficar ouvindo suas faixas escolhidas, tive um sonho: eu estava em 1969, o que aconteceu a seguir indicava isso. Toca o telefone e vou atender:

- É Nathália! Vamos pra Woodstock?

No sonho, Nathália tinha 18 ou 19 anos. Na realidade, ela só iria nascer dali a 20 anos, em 1989. Mas, em sonhos, épocas, lugares e pessoas que não se conhecem se misturam, pelo menos comigo é assim. Então, neste sonho, nós éramos vizinhos.

- Wood... Como é?

- Woodstock! Ouvi agora no programa do Big Boy, na Rádio Mundial. Vai ser em agosto, três dias de festival, imagina! Dias 15, 16 e 17 de agosto!

- Mas, onde é? É festival de música?

- Woodstock fica perto de Nova York! Quase todos os grandes vão pra lá, pensa bem! Não podemos perder!

- Nova York? E quais são esses grandes?

- Quais são? Anotei aqui: Jimi Hendrix, The Who, Santana, Ten Years After, Creedence, Joan Baez…Bob Dylan não vai, mas podemos procurar em Nova York, fiquei sabendo que ele tá lá! Não me pergunte pelos Beatles, que eu sei que você vai perguntar! Eles não vão. Nem os Stones. Mas parece que até Janis Joplin vai. Quer mais? Crosby, Stills, Nash and Young, Country Joe and The Fish, Joe Cocker...

- Você tá me gozando, Nat? Esse pessoal todo junto? Vai ser um festival tipo o que houve em Monterey, dois anos atrás?

- Isso mesmo! Só que com muuuuitoo mais artistas! E nós perdemos Monterey! Esse nós não vamos perder! Vai logo arrumando a mochila e o sleeping bag!

- Nooossaa! Vamos ver Hendrix de perto? Claro que eu topo! Vai ser ao ar livre?

- Passa aqui mais tarde que eu te conto tudo. Agora tenho que ir numa passeata contra a ditadura. Você não quer ir?

- Tô trabalhando. Contra a ditadura, mas acho que vão censurar meu artigo. Tem Coquetel Molotov aí?

- Hahaha! Meu grau de violência e repulsa a esse povo não chega a tanto. Mas, se for preciso, treinei jogar pedras na tropa de choque. Vou seguir de braços dados com diversos artistas, como na Passeata dos Cem Mil, ano passado. Cara, de repente eu conheço Chico Buarque, já imaginou?

- É mesmo, pena que eu não posso ir. E o lema de Maio de 68 continua, né?

- Sim, “É Proibido Proibir”. Ah, sábado estréia o filme do Bergman! Não esquece, hein?

- Não esqueço, vamos juntos! E tô louco pra ver “Sem Destino”, já te falei dele, não foi?

- Com Steppenwolf e Hendrix na trilha sonora? Claro! Compra logo o disco, vai sair aqui antes do filme!

Quando acordei, percebi como eu a via. É uma típica garota dos anos 60, mas que passou a infância nos anos 90 e entrou na adolescência junto com o século 21. Ela soube estudar o passado recente e entendeu tudo muito bem. Por isso, poderia tranquilamente passear com Janis Joplin em Copacabana ou jantar com Woody Allen em Nova York. Aliás, se Woody Allen fosse mulher, seria a Nathália!

Em um de seus posts, Nathália diz que não vê nada de mais no dia de seu nascimento, que muitas vezes nem se lembra, que a data não mudou em nada o rumo da humanidade. Típico pensamento de uma garota dos anos 60, adepta da Contracultura.

Tá OK, Nat! Então, em vez de te dar os parabéns pelos seus 20 anos no dia 13 de abril, fica aqui esta pequena homenagem. E, claro, vamos pra Woodstock!

1.4.09

Chegamos (quem diria!) aos dois anos

Já disse aqui que minha intenção, quando criei o Jornal da Lua, era contar com uma equipe, como uma redação mesmo. Nada de um autor só. Primeiro, porque eu prefiro muito mais ir pra praia do que ir pro trabalho; depois, porque acho muito mais divertido, já que tenho mesmo que trabalhar, fazer isso ao lado de pessoas engraçadas, que me contem piadas inteligentes, que me façam rir.

É difícil encontrar essas pessoas no mundo moderno. Pelo menos, pra mim! Mesmo assim, convidei algumas. Perto do dia primeiro de abril de 2007, data ideal pra lançar um jornal virtual que queria ser o filho de “O Pasquim”, vi que ninguém aparecia, só uma ou outra resposta evasiva, “vamos ver...”, “quem sabe..."

Acabei entrando nessa vida completamente só. Depois de algumas semanas, vi que a solução de meu problema estava na própria blogosfera. Comprei o livro da Maristela Bairros, blogueira de Porto Alegre, intitulado “Chutando o Balde”, e pedi pra publicar trechos no blog. Com o consentimento dela, lembrei de outro livro, desta vez de meu amigo de longa data, Chico Paula Freitas, carioca do Méier que hoje mora em Copacabana. Liguei pro Chico e perguntei se poderia publicar alguns contos de “Café e Bar Ponto Chic”, lançado pela Bertrand Brasil.

Bom, já tinha dois colaboradores. Depois, veio a Yvonne, com outro estilo, uma cronista perfeita! Falando do presente ou do passado, eu nunca perdia um post da Yvonne. Quando ela lançou um post, declarando estar “cansada do blog”, eu logo fiz meu convite: “Parando ou não com seu blog, você JÁ É da minha equipe, OK?”

Foi da mesma forma que trouxe a Regina Simões, um talento que também pensava em fechar as portas. Claro que eu não deixei. Regina tem um tipo de humor que encaixa perfeitamente no que eu imaginava para o Jornal da Lua. Ela reativou o seu blog, mas entrou para nossa equipe usando o codinome de Regina Lewinsky, uma alusão àquela Lewinsky que ficou famosa pelo caso com Bill Clinton. Como eu também sou Bill, em vez de me enviar uma foto dela, como fizeram Maristela e Yvonne, mandou uma caricatura genial, da Lewinsky famosa, com uma tatuagem no braço, um coração com uma seta e o nome “Bill”. Rolei de rir quando recebi. Observem aqui na lateral direita!

Conheço vários outros blogueiros e blogueiras que eu poderia convidar. De alguns, pego uns “posts emprestados” de vez em quando. Mas, sei que muitos levam seus blogs com dificuldade, falta tempo, têm problemas pessoais que os afastam da blogosfera. E existem também aqueles e aquelas que eu adoro ler, e que estão muito bem em seus próprios blogs, de tal forma que eu nem penso nesses autores fora de suas criações naturais.

Outra conquista memorável para o Jornal da Lua foi Nathália Esthevlana Alves, que escreve aqui usando o codinome de Lana Esthevlana. Desde que cheguei em seu blog, em meados de março do ano passado, consegui não só uma colaboradora, mas uma amiga de todas as horas, dona de um talento único. Tenho tantas histórias sobre a Nathália, que vou precisar de um outro post.

Caroline Lira, que completava 17 anos quando a conheci, nunca saiu de meus planos. O “único” problema é que o dia tem apenas 24 horas, e Carol precisa de um dia de 40 ou 50 horas. Uma garota que estuda e trabalha desde cedo. Deve ter começado a ler com uns cinco anos. E foi logo devorando os clássicos, James Joyce, Cervantes, Platão, Nietzsche, Camões, Hegel, Dante, Sartre, Clarice Lispector, além de poetas como Fernando Pessoa, Rilke, Cecília Meireles, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Mário Quintana etc e etc.

Não se percebe humor em seus textos. Mas são escritos de uma maneira tão intensa, tão singular, brilham como uma joalheria abarrotada de diamantes, que eu a queria na equipe, e continuo querendo. Só que o dia continua com 24 horas. Porém, a foto dela já tá aqui, vejam à direita. E é preciso lembrar que minha inspiração, “O Pasquim”, não contava só com humoristas em sua equipe. Lá estavam, por exemplo, Sérgio Cabral (pai do atual governador do Rio), Paulo Francis, Luiz Carlos Maciel e Newton Carlos, o analista internacional que nunca sorria.

Gostaria também de trazer Kamilla Barcelos e Gabi Mazzei, duas outras excelentes blogueiras e humoristas. Já publiquei um texto da Kamilla aqui. No momento, ela inicia nova vida em outra cidade e não tem tempo pro próprio blog. Mas, uma hora, vamos nos encontrar. Quanto à Gabi, creio que em breve vocês a terão por aqui.

Aí este jornal vai ficar do jeito que eu imaginei no início. Eu trabalho um pouquinho, vou pra praia e as garotas fazem o resto! Hehehe!

E teremos fôlego suficiente para muitos anos. Com o objetivo inicial preservado: fazer com que os leitores riam, enquanto têm a doce esperança de que esse mundo esquisito em que vivemos tem conserto.

O meu muito obrigado a todos os que passam por aqui!

Beijos e abraços!

28.3.09

Todos contra o aquecimento global

Para evitar que esta imagem futurista aí de cima, enviada para o Jornal da Lua pela blogueira Cris Animal, se transforme numa triste realidade, precisamos tomar consciência do problema e agir logo.

O WWF-Brasil participa pela primeira vez da Hora do Planeta, um ato simbólico, que será realizado hoje, dia 28 de março, às 20h30, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global.

O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas.

Participe! É simples. Apague as luzes da sua sala.

Em 1961, quando foi fundado, a sigla WWF significava “World Wildlife Fund” o que foi traduzido como “Fundo Mundial da Natureza” em português. No entanto, com o crescimento da organização ao redor do planeta nas décadas seguintes, a atuação da instituição mudou de foco e as letras passaram a simbolizar o trabalho de conservação da organização de maneira mais ampla. Com isso, a sigla ganhou sua segunda tradução: "World Wide Fund For Nature" ou “Fundo Mundial para a Natureza”.

Atualmente, a sigla WWF tornou-se tão forte internacionalmente que, para evitar confusão ou mensagens equivocadas, não se faz mais tradução para qualquer significado literal. Ou seja, agora a organização é conhecida simplesmente como WWF, uma organização de conservação global. Em 30 de agosto de 1996, foi criado oficialmente o WWF-Brasil.

O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Visite o WWF.

22.3.09

Reportagens feitas com MUITA pressa


"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de cancro a cada ano."
(Traz esperanças? Na cova?)

"Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente."
(O frio não é filiado ao sindicato grevista)

"Os sete artistas compõem um trio de talento."
(Hã?)

"A vítima foi estrangulada a golpes de facão."
(Uma nova modalidade de estrangulamento)

"Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável."
(De modo algum!)

"No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos."
(Naturalmente!)

"Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva."
(Jura?)

"Parece que ela foi morta pelo seu assassino."
(Não diga!)

"Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça."
(Espera, onde foi ferido mesmo?)

"O acidente foi no triste e célebre Rectângulo das Bermudas."
(Mas ontem era um Triângulo!)

"O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão."
(E será que tem cela especial?)

"O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou."
(O zumbi ou morto-vivo apertou o pescoço da mulher!)

"A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço."
(Que aberração!)

"Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação dos habitantes."
(Água no além para purificar as almas!)

"Há muitos redactores que, para quem veio do nada, são muito fiéis às suas origens."
(Do pó ao pó!)

15.3.09

Comunicado ao público


Por causa da quebradeira dos bancos, da queda nas bolsas, dos cortes no orçamento, e visando o racionamento mundial dos combustíveis e da energia elétrica, informamos que a luz no fim do túnel foi desligada, OK?

8.3.09

Introdução à política


ANTES DA POSSE

O nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
Para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo da nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.


DEPOIS DA POSSE

Basta ler o mesmo texto, DE BAIXO PARA CIMA

Colaboração do nosso amigo Bernardo Moura

1.3.09

As incríveis sacadas de Groucho Marx

Ele foi um dos maiores comediantes do cinema. Um dos motivos de sua fama eram as frases que usava nas comédias dos Irmãos Marx. Com vocês, Groucho Marx:

Acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro.

Do momento em que peguei seu livro até o que larguei, eu não consegui parar de rir. Um dia, eu pretendo lê-lo.

Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros.

Eu corri atrás de uma garota por dois anos apenas para descobrir que os seus gostos eram exatamente como os meus: nós dois éramos loucos por garotas.

Eu nunca esqueço um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma exceção.

Eu pretendo viver para sempre, ou morrer tentando.

Eu quero ser cremado. Um décimo das minhas cinzas devem ser dadas ao meu agente, assim como está escrito em nosso contrato.

Há muitas coisas na vida mais importantes que o dinheiro, mas custam tanto!

O matrimônio é uma grande instituição. Naturalmente, se você gostar de viver em uma instituição.

Por que eu deveria me importar com a posteridade? Ela nunca fez nada por mim.

21.2.09

Carnaval? Tô fora!

Lana Esthevlana
COLUNISTA ANTI-SOCIAL


Carnaval é uma festa de contradições. Pelo menos pra mim.

Até traz um pouco de felicidade sair de noite e se divertir como se aquele fosse seu último dia na face da Terra. Mas, no fundo, o que eu mais desejo é que essa festa abarrotada de gente suada e semi-nua termine logo.

Particularmente, prefiro o Carnaval à moda antiga. Fantasias e marchinhas é diversão na certa, sem dúvida.

Nada de pessoas te apertando, se esfregando em você, pisando no seu pé, te queimando com cigarro e te passando cantadas bregas com bafão de cerveja.

Hoje, Carnaval parece um tipo de eufemismo para "sexo sem compromisso". Não que todas as pessoas que curtem o Carnaval pensem dessa maneira, mas é difícil não ter este tipo de avaliação.

Principalmente quando se está na rua e o que mais passa pela sua frente são meninas de micro-saias, tirinhas denominadas de blusa e sandálias, em que o salto mais parece um bloco de concreto.

E, em contrapartida, vê-se caras com enormes cordões de "ouro", boné pra trás, bermudas multicoloridas de marca falsificada (e tênis também), blusas no estilo "mamãe-sou-forte" ou então sem blusa, que é pra mostrar o corpitcho sarado ou o protótipo de barriguinha de chopp. No melhor estilo Bad Boy.

E o único papo que se ouve é "gostosa, hein?", ou então "te achei muito linda, gata. Vamu ficá?".

No fim das contas, o Carnaval de hoje, ao meu ver, se resume a calor, música de qualidade duvidosa e a obrigação de se sentir feliz. E sarado.

A inigualável Lana Esthevlana também pode ser encontrada aqui.

16.2.09

Um conto de Carnaval


Regina Lewinsky
CORRESPONDENTE

- Vai, vai, vai ...Caminha, ômi! Deixa de ser frouxo e num vai pensando que eu vou ficá cum pena de tu não, que eu num vô, visse?

- Betinha, eu vou voltar, Betinha!.. Juro por Deus que eu num tô aguentando esse sol quente na minha cabeça ... Ai, ai, ai, ai!

- Apoi eu quero vê tu voltá ... Volta, pa tu vê, volta! Tu volta um carai, que tu vorta! Quando eu disse a tu que num bebesse onti porque eu queria vim pro Galo da Madrugada e a gente tinha que se acordá cedo, o que foi que tu fizesse? Ficasse foi mangando de mim, num foi? Apoi, intão, agora aguenta a ressaca debaixo do sol e do frevo! Num quero nem sabê!

- Ôxe! E tu queria o quê, mulé? Como era que eu podia não beber, se ontem foi o dia da saída do Bloco “CARANGUEJO SAI”, que é lá da comunidade do mangue aonde nós mora? Logo eu, que sou o presidente do bloco, num ia sair não, é?

- E precisava tu encher o c... de cana? Tomasse uma ou duas cervejinha, tava bom demais ... Mas não! Tinha que chegar c’as aprecata procurando caminho, feito um balai de bosta! E além do mais, eu preveni: num enche a cara não, porque, com tu ou sem tu, eu vou pro Galo de todo jeito!

- Eu sei, mas agora eu não tô em condições de acompanhar o Galo, de jeito nenhum, porra! Tô aqui todo me tremendo, com dor de barriga, dor nas pernas, zonzo e a minha cabeça parece que vai explodir... Eu não vou não! Quero ver quem vai me obrigar!

- Ah, não vai não? Então fica aí, ou volta pra casa a pé, porque o teu dinheiro tá aqui comigo e eu não vou te dar ele de jeito e maneira, que é pra tu não ir se misturar com aquele bando de quenga que tava lá na barraca do fim da rua quando a gente passou. Pensa que eu não vi não, é? Eu tô ficando é veia, não é besta, não!

- Que quenga, o quê, mulé! Aquilo é as menina lá do meu trabalho, vixe! Essa mulé é muito desbocada ... Nem conhece as menina e já tá xingando elas! Betinha, sem brincadeira: Eu não tô conseguindo nem me pôr em pé ... Vê como eu tô suando, feito tampa de chaleira! Vamo pra casa e mais tarde, quando eu ficar bom, a gente sai no Homem da Meia Noite!

- O QUÊÊÊÊÊ??? Desde que a gente se conhece, tu já visse eu passá um Carnaval sem acompanhá o GALO DA MADRUGADA? Nem quando eu tava buxuda eu deixei de vir, agora eu vou deixá só porque tu enchesse a cara? É ruim, hem?

- Sabe de uma coisa? Eu tô vendo que, nessa conversinha, a gente já tá quase atravessando a ponte, o Galo já entrou na Rua da Concórdia e daqui a pouco a multidão arrasta a gente de um jeito, que eu não vou conseguir mais sair. Eu não dou mais um passo. Pronto!

- Ah, é? Então, meu nêgo, plante-se aí, que nem uma estáuta, porque eu vou cair na folia e não sei a hora ou o dia que chego... Ah! E tem mais: se prepare pra levar gaia, porque eu não sou mulher de pular sozinha!

E lá se foi Betinha, juntar-se à irreverente turba, entoando, em alto e bom tom, o chamado irresistível a qualquer pernambucano, às primeiras horas do Sábado de Zé Pereira, pelas ruas do centro do Recife:

“EI, PESSOAL, EI, MOÇADA!
CARNAVAL COMEÇA
NO GALO DA MADRUGADA!!!"

Regina Lewinsky também pode ser encontrada aqui.

8.2.09

Povo brasileiro reage contra a "devassidão" da Amazônia


Pelo menos é o que demonstram alguns que participaram do ENEM 2008. Vejamos:

"O problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."
(E levaram o disco da Xuxa, onde ela canta "Brincar de Índio")

"A amazônia é explorada de forma piedosa."

"Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta."

"A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."

"Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."
(Pra deixar bem claro o tamanho da destruição)

"O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação."

"Espero que o desmatamento seja instinto."

"A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo."
(Os animais extintos também merecem uma cerveja para comemorar quando o ar estiver limpo)

"A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta."

"Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis."
(Todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro e realizar uma árvore renovável)

"Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas."
(E também sem o Home Theater e os DVDs da coleção dos Trapalhões)

"Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna."
(Amém!)

"Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza."
(E as renováveis?)

"A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica."
(Deve ser culpa da morte ecológica)

"Explorar sem atingir árvores sedentárias."
(Peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões!)

"A fiscalisação tem que ser preservativa."
(Os fabricantes de Jontex, por exemplo, deviam ajudar!)

"Não podem explorar a Amazônia de maneira tão devassaladora."
(Ou seja: devastadora + avassaladora)

"O que vamos deixar para nossos antecedentes?"
(O que vocês sugerem?)

1.2.09

Doutor Bruegel atende


Maldito dr. Bruegel: eu gostei tanto, tanto, quando me contaram que lhe encontraram chorando e bebendo na mesa de um bar. E que quando os amigos do peito por mim perguntaram, um soluço cortou sua voz, não lhe deixou falar. Ah, mas eu gostei tanto, tanto, quando me contaram, que tive mesmo que fazer esforço pra ninguém notar! O remorso talvez seja a causa do seu desespero. Você deve estar bem consciente do que praticou. Me fazer passar essa vergonha com um companheiro! E a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou. Mas enquanto houver força em meu peito, eu não quero mais nada, só vingança, vingança, vingança aos santos clamar. Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada, sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar!
(Andréa Parafuseta - Paris, Texas)

Prezada Andréa Parafuseta: rasgue as minhas cartas e não me procure mais! Assim será melhor, meu bem! O retrato que eu te dei, se ainda tens, não sei, mas, se tiver, devolva-me! Deixe-me sozinho, porque assim eu viverei em paz! Quero que sejas bem feliz junto do seu novo rapaz. Rasgue as minhas cartas e não me procure mais! Assim vai ser melhor, meu bem! O retrato que eu te dei, se ainda tens, não sei, mas, se tiver, devolva-me!
Devolva-me!
Devolva-me!