lobo e lua

lobo e lua

26.6.10

Um ano sem o rei do pop

Há um ano, quando noticiaram a morte de Michael Jackson, que ensaiava para uma gigantesca turnê, muita gente prestou homenagens ao astro. Então, resolvemos homenagear os órfãos do rei do pop. Ou seja, os seus fãs. A história deste post é verdadeira e a republicamos porque a blogosfera se renova constantemente e muitos de nossos atuais leitores não a conhecem.

Michael Jackson - 1958/?

Logo que soube da morte de Michael Jackson, me lembrei de um faxineiro que trabalhava na galeria onde eu tinha uma loja de discos.

Ele dizia ter 20 anos, mas parecia menos, pois era franzino, muito magro e baixinho. Assim que abri a loja, ele apareceu e perguntou se tinha lá algum disco de Michael Jackson. "Tem alguns", eu disse. "Qual você procura?"

"Na verdade, nenhum, pois tenho todos. Só quero saber, pois, na hora do almoço, posso vir aqui e ouvir um pouquinho?"

"Claro, pode vir", eu disse.

E ele sempre aparecia lá, escolhia uma faixa e começava a dançar, daquele jeito que seu ídolo tinha imortalizado. Sorria, dizia que era o máximo e depois voltava ao trabalho de limpar a galeria.

Durante quatro anos, ele cumpriu esse ritual de aparecer e pedir pra ouvir Michael Jackson.

Depois, fechei a loja e nunca mais voltei lá. A notícia da morte de Jackson fez com que eu me lembrasse dele e de outras figuras que passavam por lá. Tinha um que andava com uma foto do Bono no bolso. Ele parava qualquer pessoa, na galeria ou dentro das lojas, tirava a foto do bolso e perguntava: "Não sou parecido com ele?" E, se a pessoa demonstrava alguma dúvida, ele ficava de perfil e perguntava novamente: "Assim, nessa posição, não parece?"

Também passavam por lá o Elvis jovem e o Elvis quarentão. Explico: um imitava o rei do rock nos anos 50, com topete, enquanto o outro era gordo e usava um cavanhaque enorme, além de tentar imitar o modo de andar de Elvis, tudo muito bem estudado.

Os clientes, em geral, eram fãs que imitavam seus ídolos. Um imitava John Lennon, outro o Jim Morrison, tinha também Jimi Hendrix, James Brown...

Um dia, percebi uma grande aglomeração no corredor e fui ver o que era. Tomei o maior susto, pois podia jurar que era o próprio Michael Jackson! O sujeito era alto, tinha uma daquelas roupas que Jackson vestia nos shows, igual a um uniforme militar, um tom de pele muito parecido com o astro que deixava de ser negro, também usava maquiagem, inclusive nos olhos, o cabelo com uma ponta escorrendo pela testa, um chapéu... Impressionante a semelhança!

O faxineiro estava lá, no meio da multidão. Pequenino, com seu uniforme cinza, sorria e observava o sósia. Quando tudo acabou, ele entrou na minha loja e disse:

"É bom a gente ter um ídolo, né?"

Por isso, dei como incerta a morte de Michael Jackson no título deste post. Quem tem um ídolo, vivo ou morto, sabe do que falo. Aquele pobre faxineiro, que morava longe e levava horas de ônibus pra chegar na galeria e voltar pra casa, tinha em Michael Jackson um forte motivo pra viver e ser feliz. Hoje, ele deve estar triste, mas logo voltará a ouvir as músicas de seu ídolo e dançar como se estivesse em um palco.

Quando me lembrei dele, depois que soube da morte de Jackson, uma música invadiu meus pensamentos. Foi "Gente Humilde", de Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Hollanda.

"Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver
Sem me notar

Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar"

12.6.10

Nós adoramos nossas sogrinhas!

1) A garota chega pra mãe, reclamando do ceticismo do namorado.
- Mãe, o Mário diz que não acredita em inferno.
- Case-se com ele, minha filha, e deixe comigo que eu o farei acreditar!

2) O homem leva um susto ao ouvir de sua cartomante:
- Em breve, sua sogra morrerá de forma violenta.
Imediatamente, ele pergunta à vidente:
- Violentamente? E eu? Serei absolvido?

3) Na delegacia, aparece um cidadão e diz que quer confessar.
O delegado pergunta:
- O que aconteceu?
E o homem: – Doutor, eu matei minha sogra!
- Bem, meu filho, você cometeu esse crime, mas devia estar muito alterado, não se importe, vá pra casa e descanse. Está tudo bem.
- Mas, doutor, eu enterrei a velha!
- Ah, meu filho, viu que boa alma você é? Enterrou a sua sogra e assim já evitou toda aquela burocracia.
- Doutor!!! Mas, quando eu estava enterrando, ela gritava que ainda estava viva!
- Ô meu filho, e você não sabe que toda sogra é mentirosa?

4) Um homem encontra seu amigo na rua e diz:
- Cara, você é igualzinho à minha sogra, a única diferença é o bigode!
O amigo fala:
- Ué, eu não tenho bigode!
- Mas minha sogra tem.

5) Um cara foi à delegacia e disse:
- Eu vim dar queixa, pois a minha sogra sumiu.
O delegado disse: – Há quanto tempo ela sumiu?
- Duas semanas – respondeu o genro.
- E só agora é que você me fala?
- É que custei a acreditar que eu tivesse tanta sorte!

6) A sogra do cara morreu e lhe perguntaram:
- O que fazemos? Enterramos ou cremamos?
- Os dois! Não podemos facilitar!

7) O cara voltava do enterro de sua sogra, quando, ao passar por um prédio em obras, um tijolo caiu lá de cima e quase acertou a cabeça dele.
O homem olhou pra cima e gritou:
- Já chegou aí, sua desgraçada?! E ainda continua com má pontaria!

8) – Querido, onde está aquele livro "Como viver 100 anos"?
- Joguei fora!
- Jogou fora? Por que?
- É que sua mãe vem nos visitar amanhã e eu não quero que ela leia essas coisas!

9) Na sala de espera de um grande hospital, o médico chega para um cara muito nervoso e diz:
- Tenho uma péssima notícia para lhe dar. A cirurgia que fizemos em sua mãe…
- Ah, ela não é minha mãe… É minha sogra, doutor!
- Neste caso, então, tenho uma boa notícia para lhe dar!

10) O cara encontra o amigo e fala:
- Minha sogra morreu e agora fiquei em dúvida, não sei se vou trabalhar ou se vou pro enterro dela… O que é que você acha?
E o amigo: – Primeiro o trabalho, depois a diversão!

11) O sujeito bate à porta de uma casa e, assim que um homem abre, ele diz:
- O senhor poderia contribuir com o Lar dos Idosos?
- É claro! Espere um pouco que eu vou buscar a minha sogra!

12) Qual a punição por bigamia?
Resposta: duas sogras.

13) A mulher comenta com o marido:
- Querido, hoje o relógio caiu da parede da sala e por pouco não bateu na cabeça da mamãe…
- Maldito relógio! Sempre atrasado!

4.6.10

Futebol: um ponto de vista feminino

Tahiana Andrade
BLOGUEIRA CONVIDADA

Como mulher, confesso que não entendo e nem gosto muito de futebol. Todavia, parece que algumas coisas nos são ensinadas por osmose e, no caso do brasileiro, futebol é uma delas!

Muito se falou sobre a tal convocação de Dunga para a Copa de 2010 e ainda há muito para ser falado. Muita gente esperava que Neymar estivesse na lista. Há quem diga que Dunga deveria ter dado uma segunda chance para Adriano, e o mundo inteiro (exagero?) tem comentado e criticado a ausência de Ronaldinho Gaúcho na lista...

Sinceramente? A- D- O- R- E- I!!!

Não é porque não entendo de futebol que não posso entender de comportamento dos jogadores, certo?

Na última Copa, em 2006, o Brasil perdeu feio! O time estava repleto de 'super-jogadores'... 'Estrelas' do futebol nacional. Em campo, os jogadores mais famosos, mais invejados, mais cotados, mais bem pagos. Em cena, uma Copa que marcou um fracasso futebolístico para o Brasil, uma derrota antes mesmo das semifinais. O time de estrelas não funcionou. Torcedores tiveram sua expectativa frustrada!

Sabe por quê?

Porque essas 'estrelas' do futebol não precisam mais mostrar serviço para o futebol. Eles já possuem títulos, fama e, o mais importante, grana. Quando se convoca para a seleção jogadores menos famosos, menos ricos, menos orgulhosos (contrariando todas as opiniões de quem diz entender do esporte), proporciona-se a eles a motivação de se tornarem estrelas do futebol. A fome de bola, de drible, de gol, de vitória será, provavelmente, maior. Não há o orgulho da fama nem o desprezo pelo dinheiro. Ao contrário: há o desejo de ser o responsável por trazer para o Brasil o título de hexa!

Como eu assumi no início do post, não sei realmente muita coisa sobre futebol, não entendo quem joga bem ou não, mas entendo de motivação, de comportamento, de maturidade. Talvez tenha sido a falta de motivação de Ronaldinho Gaúcho o que mais contribuiu para a derrota do Brasil na última Copa. Provavelmente a depressão e a inconstância de Adriano (eu o diagnosticaria como ciclotímico, rs) não deram a ele o merecimento de ser convocado. Possivelmente, Neymar, em suas entrevistas, deu a Dunga a percepção de que ali, brevemente, se manifestaria uma personalidade orgulhosa, prepotente e permanente em sua imaturidade de 18 anos!

Sinceramente, torço pelo Brasil, mas não me importo muito se vamos ganhar a Copa ou não. Esse é o único momento em que o brasileiro demonstra ufanismo pelo seu país e, por causa disso, se esquece das eleições que ocorrem no mesmo ano. Também não me interesso por ver milionários ficando ainda mais milionários simplesmente por correrem atrás de uma bola enquanto ficamos desesperados em frente à televisão, torcendo e gritando, com as nossas contas a pagar nas mãos.

Brasileiro dá mais visibilidade para o futebol do que o merecido e, independente de ser homem ou mulher, há muito mais coisa para torcer em nosso país. O problema é que os convocados, nós, os brasileiros, costumamos ficar parados em campo, vendo a bola rolar, enquanto os milionários tornam-se ainda mais milionários às nossas custas!


Tahiana Andrade pode ser encontrada aqui.

28.5.10

Presidente defende álcool na ONU

Gudesteu Hostalácio
ENVIADO ESPECIAL

O presidente Luiz Polvo da Silva esteve ontem na tribuna da ONU, tentando curar a ressaca da cerimônia da noite passada, quando resolveu experimentar vários tipos de bebidas estrangeiras e provar que nenhuma delas é superior à tradicional caipirinha brasileira.

- A gente não devemos nos iludir - afirmou o presidente - sobre o que vai substituir o petróleo nos nossos carros no futuro próximo que se avizinha. Já foi provado e disprovado qui (hic!) o álcool da cana brasileira é o melhor álcool pra todos os momentos, todos os carros, todos os trens e (hic!) todas as festas do mundo! Por falar em festa, todo mundo aqui já tá convidado pra baita festa que nóis vâmu fazê lá no Rio de Janeiro em (hic!) 2014. Todo mundo vai ver qui a cana de nosso país é a maior cana que tem. Não falo nem (hic!) no tal do açúcar que tamém tiram da cana, pois açúcar é coisa de criança e faz mal prus dentes, como (hic!) ocêis todos aqui sabem. Falo mesmo é do álcool, qui é o que nos interessa aqui, num é mesmo?

Acompanhado pela ex-ministra Magda Suplício e pelo ex-ministro da Fome e Desenvolvimento Social, Paliativus Onanias, o presidente pediu um copo de água gelada:

- Magda, venha dizer umas palavras aqui, enquanto eu tomo uma água, que a ressaca tá braba!

A ex-ministra tirou um espelhinho da bolsa Armani, colocou um brilho nos lábios e olhou pro microfone:

- Aiiiiiiiiiii, de onde veio esse microfone? Quero um pra mim! É tão assim...másculo, vocês não acham? Bem, éééééééé...olha, se eu fosse vocês, não pensava duas vezes: o presidente tá certo, gente! Caipirinha boa é a nossa! É só colocar 51, gelo e limão! Tem gente que gosta de açúcar no meio, mas eu não! Aí, você bebe, relaxa e goza, não é, presidente Polvo?

O presidente voltou à tribuna:

- Agradeço as palavra sempre muito inteligente e oportuna de Magda Suplício. O que ela diz é verdade: se ocêis misturá a 51 com gelo e limão, num pricisa de açúcar ninhum! Tem gente qui gosta, mas eu e a Magda dispensamu!

O representante da Alemanha, Helmutt Hans Fritz Salsichon, pediu um aparte:

- I o que o senhôra pensa do cerveja? O senhôra acha que o cerveja também pode ser uma boa combustível no futura?

- Sem dúvida nenhuma. Sou um grande (hic!) apreciador, mas creio que a cerveja, assim como o chope, ainda depende de muitos anos de istudo e pesquisa pra gente pudê dizê: pronto, tá aprovado pra ser biocombustível. Sugiro, no entanto, que o sinhô e seus amigo da Alemanha continue (hic!) fazendo teste com a cerveja, pra ver se os carro guenta tomá mais chope do que nóis tomamo na festa de onti, tá certo? Bom, minha gente, vamu dexá de cunversa fiada e vamu logo ao qui interessa pra nóis: de noite, tão todo mundo convidado pra tomá uma (hic!) lá na nossa embaixada, certo? A parti de 6 hora, ocêis podi chegá qui nóis já vamu tá lá, tomanu umas i otras. Vô mandá reservá caderas especial pru pessual da Alemanha, Iscócia, Chile, Purtugal e França!

O representante dos Estados Unidos perguntou porque os países citados teriam tratamento diferente. Antes de se retirar da tribuna, o presidente Polvo respondeu:

- E onde é que fáiz u milhó uísque, a milhó (hic!) cerveja, o milhó vinho? Mais, pensando bem, ocê tamém pode ir, qui eu ti arrumo uma cadera legal. Só num isquece de (hic!) levá pelo menu umas trêis garrafa de Jack Dâniel, tá certo?

17.5.10

Depois da Copa, tem eleição

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

Os números são de 2006, da última eleição. Aumentaram de lá pra cá, principalmente na coluna da direita. Mas os privilégios (da coluna à direita) continuam os mesmos.

7.5.10

Aquela carta que você me escreveu

Real Morte
BLOGUEIRO CONVIDADO


Minha opinião sobre a humanidade não é das melhores. Sempre digo que se a Terra fosse um imenso corpo humano eu seria o Activia que aceleraria a saída de vocês. Deduzam o resto.

A raça humana é patética, frágil, iludida, insignificante, pusilânime, babaca, sem noção, e só digo isso porque estou de bom humor hoje. Se eu desse a real, ninguém aguentaria o tranco e cortaria os pulsos agora mesmo, o que nunca considero uma má idéia, desde que vocês não façam isso na hora da novela. Porém, para suportar tamanha falta de importância e sentido na vida, a humanidade desenvolveu um mecanismo de defesa que funciona até certo ponto: a vaidade.

A mais humana das qualidades, e justamente por isso uma das piores, a vaidade é capaz de torná-los mais sensíveis, mais divertidos, mais ridículos, e eu estaria cagando para ela caso não afetasse meu trabalho ocasionalmente. Sim, porque somente a vaidade explica a preocupação exagerada de alguns de vocês em escrever frases de efeito em cartas ou bilhetes de suicídio, algo que me irrita MUITO. Porque neguinho passa a vida inteira escrevendo no Orkut coisas do tipo “Genti, çaí cuns miguxos onti e foi di-maizzz!!!!” e na hora que vai empacotar vem querer dar uma de que sabe escrever bonito? Não fode! Pegue um post-it e rascunhe um “fui!” pra ninguém perceber seu português meia-boca e estamos combinados.

Quando o cara começa a demorar demais na carta de despedida, eu chego até a me intrometer antes do momento devido. Foi o caso de um famoso presidente brasileiro.

— Chega, Getúlio, já estamos há cinco horas nisso. Largue essa carta.
— Não antes de eu escrever minha última grande frase.
— Não precisa, tá bom assim.
— Não dá. Eu não vou me matar antes de escrever uma frase final perfeita.
— Haja saco. Onde foi que você parou?
— Nessa frase aqui ó: “Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço minha morte.”
— Beleza. Tá lindão.
— Tá mesmo?
— Tá. Não escreve mais nada que estraga.
— Jura?
— Juro. Me arrepiei. Agora pegue esse revólver e se mate.
— Não sei, não estou satisfeito ainda. Que tal se eu fechasse a carta com “serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade”?
— Melhor ainda!
— Acha mesmo?
— Acho. Agora SE MATE!
— Não, ainda não. Ainda tenho a impressão de que não é a frase ideal…
— Mas que merda de frase você quer escrever?
— Uma que valha a pena. Meu medo é abandonar a vida e ninguém se lembrar, não ficar na História.
— Então escreva isso.
— O quê?
— Que você sai da vida para entrar na História.
— Será? Mas não soa um pouco piegas?
— Soa como brega mesmo. Mas morto todo mundo perdoa. Pode escrever.
— “Saio da vida para entrar na História.” Taí, gostei.
— Ótimo.
— Eu gostei muito.
— Que bom.
— Sério, eu adorei, gostei demais.
— Perfeito.
— Ficou tão bom que me fez repensar o meu ato, me deu até ânimo de continuar vivendo. Acho que não vou me matar mais.
— AH, NÃO, MAS NEM FUDENDO!

Eu peguei o revólver e… bem, o resto vocês já sabem. Até hoje muita gente não entende porque Getúlio Vargas deu um tiro no peito e não na cabeça, mas eu nem me preocupei com esse detalhe na hora. Eu precisava botar isso pra fora. Ufa!

Real Morte pode ser encontrado aqui. Se você tiver coragem de ir lá, é claro.

23.4.10

O perigo do carboidrato

Dra. Inocência Pirassununga
NUTRICIONISTA E ENDOCRINOLOGISTA
CRM 99979562443106970321046/MG

Queridas leitoras:

Atendendo ao convite do charmoso editor deste telejornal (é um jornal que está na tela, portanto É um telejornal!!!), escrevo este artigo no sentido de alertar todas vocês sobre os perigos de um carboidrato que geralmente está na mesa do povo brasileiro.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que nem todo mundo tem grana pra comprar esse tal carboidrato. Outras, não têm nem mesa pra colocar o carboidrato. Algumas têm mesa e até arrumaram uns trocados pra comprar o carboidrato, mas só depois lembraram que não têm fogão, nem gás, nem pratos e muito menos panelas. Estas leitoras podem parar a leitura por aqui mesmo, pois esse assunto não as interessa nem um pouco, posso garantir!

Mas, as que têm essas coisas todas aí devem prestar atenção no meu método de emagrecimento para quem quer perder peso rapidamente. Muito se fala, quando o assunto é carboidrato, no espaguete, na lasanha, no canelone (ai, que delícia!!!), como se essas invenções dos italianos pudessem fazer algum mal à saúde.

Ora, mas que coisa mais idiota! Se macarrão fizesse mal à saúde, Sophia Loren seria bonita daquele jeito? E Claudia Cardinale? Gina Lollobrigida? Isto, sem falar nos homens italianos (aaaiiiiii, cala-te boca!!). Um dia, contarei sobre minha viagem a Roma, Florença, Veneza, mas agora não posso.

A massa (e que maaaaassaaaaaa, aaaiiiii!) italiana não tem nada com isso. Mostrarei e provarei que, para se manter uma silhueta que deixa os homens babando, basta apenas evitar o arroz!

Sim, isso mesmo! O arroz é o grande vilão de nossa alimentação! Ontem mesmo, fui almoçar aqui perto com o pessoal deste jornal e provei que podemos passar tranquilamente sem o arroz em nossa alimentação diária. Enquanto eles enchiam o prato de arroz, se empanturrando de carboidrato, eu fui pra outra prateleira e segui a minha dieta.

Misturei quatro coxas de galinha (ou seja, duas coxas de uma galinha e mais duas coxas de outra galinha) com um farto pedaço de pernil (de porco) e 25 colheradas de pirão, feito com a mais genuína farinha brasileira.

Pronto! Provei a todos que é perfeitamente possível fazer uma boa refeição sem o tradicional acompanhamento do arroz. Tudo é uma questão de tradição, nada mais! Alguns céticos poderão perguntar: mas, como é possível o arroz engordar, se os povos do Oriente, como japoneses, chineses, coreanos e vietnamitas, comem tanto arroz e são tão magros?

Ora, minhas amigas, a resposta está no livro do fenomenal nutricionista e endocrinologista japonês Mijaro Nomuro, que escreveu o best-seller "Ping Johga Habola Kon Pong", que, traduzido literalmente, quer dizer "Porque o arroz é benéfico em épocas de guerra, mas muito perigoso em épocas de paz".

No famoso best-seller, o professor Mijaro Nomuro, que passou os últimos 50 anos se dedicando a defender sua tese de que o macarrão, principalmente o frito, é muito bom e gostoso, e o arroz é perfeitamente dispensável, explica claramente que os povos orientais são magros, mesmo comendo arroz, porque eles mesmos colhem o arroz.

Naquela ginástica de abaixa-levanta pra colher o arroz, ainda mais no meio daquele aguaceiro todo, os povos orientais acabam perdendo muitas calorias. Não é mole ficar o dia inteiro naquele abaixa-levanta, experimenta pra você ver! À noite, depois que terminam o serviço, os orientais estão tão cansados que nem conseguem descascar o arroz. Assim, comem o arroz integral mesmo! Entenderam?

De acordo com as pesquisas do professor Mijaro Nomuro, a casca tem um componente que combate o carboidrato do arroz. É por isso que os orientais não engordam. Se você, minha amiga, ver um japonês gordo, pode saber: ou é lutador de sumô, que comeu muito arroz branco pra engordar, ou é um japonês que vive viajando pelo mundo e comendo o que não presta.

Numa próxima oportunidade, quando nosso charmoso editor me convidar novamente, escreverei sobre uma de minhas sobremesas favoritas: arroz doce!

É, com doce pode. E vou explicar direitinho. Mais uma vez, com a ajuda do famoso professor japonês Mijaro Nomuro!

Até lá, garotas!

11.4.10

As grandes questões existenciais

Lana Esthevlana
COLUNISTA ANTI-SOCIAL


Vida - Com uma boa pitada de hedonismo e uma dose do bom e velho rock and roll, por favor.

Morte - Só se for pra morrer de amor, baby.

Vida após a morte - Se existir, vai ser danada de boa. Afinal, se cada um vai mesmo receber aquilo que merece, eu vou me dar bem. Adoro ajudar os outros (sem hipocrisia) e só faço maldade quando extremamente necessário (tenho uma teoria fodida sobre isso [vida após a morte, pessoinha lerda], se alguém quiser saber, me manda um e-mail). Até porque, se desfrutar da vida eterna lá no céu é sinônimo de ser otário aqui na Terra, prefiro ir pro quinto dos infernos. Ouvi dizer que lá é open bar. Opa, tô bêbada!

Reencarnação - Passar pelo colégio outra vez? Ah, não! Quero não. Quebra essa aí pra mim, tiô.

A nossa insignificância diante do universo infinito - Desanimador. Principalmente quando, enquanto você se mata de estudar, um cara que mal terminou o 2º grau ganha milhões pra bater uma bolinha.

Ser ou não ser - Eis a questão (duh, que original eu sou). Depende do ponto de vista: eu quero ser rica, mas quero não ser investigada pela Receita Federal.

A angústia existencial diante da transitoriedade de tudo - Primeiro a gente quase enlouquece de tanto pensar a respeito. Depois, acredite, isso passa.

O cérebro humano está capacitado a responder a todos os enigmas da existência? - Pode repetir? Me distraí com um emoticon que tava pulando na janelinha do msn.

Um sistema econômico voltado para as necessidades sociais e não dominado pela cupidez humana - Contanto que eu seja bem-sucedida e viva no luxo, apóio o que vier.

O que é mais importante, a genética ou o meio? - A genética. Porque se você for bonito, vai ser bonito em qualquer meio. E isso já facilita muita coisa nesse mundo. Tá me olhando assim por quê? É a dura realidade da vida, ora.

Existe um ser superior que dirige as nossas vidas? - Se existe, ele definitivamente não fez por merecer a carteira de habilitação.

Pra onde caminha a humanidade? - Pro fundo do poço e descendo. Acho que vou comprar um balão.

A incrível, fantástica, extraordinária Lana Esthevlana também pode ser encontrada aqui

1.4.10

Três anos na blogosfera

Redação do Jornal da Lua. Entram Gudesteu e Apulcro.

Gudesteu: - Os balões ficaram bem, aqui no meio da sala?

Apulcro: - Eu gostei. Acredito que o pessoal também vai gostar.

- E os convites? Mandou pra todo mundo?

- Mandei. Só não tá na lista aquele que dizia pra gente ler o blog dele no ...

- ... Ótimo! Esquece esse cara mesmo! Mas, e os nossos amigos de verdade?

- Peguei os nomes de todos os blogueiros e blogueiras que publicaram os e-mails em seus blogs. Pode ser que ainda falte algum nome, a blogosfera se renova constantemente, preciso conferir as últimas visitas que tivemos.

- Lembrou também das pessoas que nos acompanharam durante um bom tempo, desde o início, mas depois fecharam seus blogs?

- Creio que estão todas na lista. Fecharam os blogs, mas amizades foram feitas ao longo desses três anos e não devem terminar por isso.

- Tá certo! Hoje mesmo eu tava comentando com uns chegados aí que devemos ter mais amigos na blogosfera do que no chamado mundo real, né?

- É mesmo! E dizer que tudo começou há exatamente três anos, depois que o Cadinho fez o blog dele e insistiu que o nosso estimado chefinho também fizesse um.

- E ele nos chamou pra essa tal de blogosfera. Temos sido felizes aqui, né?

- Sim, porque nossa opção foi fazer com que nossos visitantes pudessem rir e pensar sobre a chamada realidade.

- Não apenas rir, mas também pensar.

- Então, nem todo post é engraçado, mas, se o leitor não rir, pode encontrar algo pra pensar.

- Essa é a ideia. Como sugeriu de cara o nosso chefinho, antigo fã daquele jornal que fez muito sucesso nos anos 70, "O Pasquim".

- Sem esquecer a revista "Mad", editada no Brasil pelo Ota, que trabalhou com o Bill na extinta Editora Vecchi.

- Ah, sim, essa mistura foi que gerou o Jornal da Lua.

- Não podemos esquecer dos colaboradores da blogosfera, que logo surgiram, e ainda surgem, pra dar um novo tempero às nossas publicações.

- Esses não podem faltar! Nem no blog, nem em nossa festa de três anos!

Entra Lana Esthevlana.

Lana: - E aí, moçada? Tudo pronto?

Apulcro: - Ainda tenho uns convites pra mandar...

Gudesteu: - Mas deixa a porta aberta! Quem for chegando, vai entrando. Chama o pessoal todo e vamos comemorar o terceiro ano do Jornal da Lua.

Apulcro: - Que foi fundado no dia primeiro de abril, mas não apenas pra contar mentiras. De vez em quando, contamos verdades também.

Lana: - É mesmo? Pensei que era tudo mentira!

Gudesteu e Apulcro: Hein?!?!

Lana: - Calma, gente!! Brincadeirinha!!! Socorro!! Socorro!!!

19.3.10

Pergunte ao Bigô

Ivani Cunha
JORNALISTA CONVIDADO


Já escrevi sobre o Aristides (Tide) da Margarida, um dos personagens inesquecíveis da minha infância na Vila Nova Esperança dos anos 50. Naquela crônica, concentrei-me nas travessuras do homem com alma de moleque, que não dispensava uma boa birita, amava a música e o ofício de treinar cães de caça. Mas, ao contar aqueles casos, veio-me também à memória o filho dele, Luiz “Bigô”.

Imagino que o menino tenha desenvolvido, desde muito novo, uma rara capacidade de abstração, pois conseguia dormir nas madrugadas de festa em sua casa. Não era uma casa de muitos cômodos; portanto, onde estivesse, a música e as risadas estariam sempre bem perto. É certo que Bigô sempre conseguia adormecer antes daquele momento terrível em que começava uma briga qualquer, talvez por causa de algum sujeito atrevido que resolvera dançar um pouco mais agarrado com a mulher... do outro. Talvez por outro motivo, do qual ninguém se lembraria algumas horas depois.

Nunca soube por que a briga sempre envolvia o Aristides. Acho que, na tentativa de apartar os brigões, ele acabava ofendendo um deles, ou quem sabe exagerava ao exigir respeito. Mas, ora bolas, ele era o dono da casa. Depois, como eu já contei, a história se repetia: aparecia o Tide gritando da cerca, ou diante da porta da cozinha de nossa casa, que havia alguém no seu calcanhar com uma faca.

Bigô dormia.

Acordávamos bem cedo no domingo, e também nos outros dias, como se tivéssemos de atender a alguma obrigação. Mas a nossa agenda era sempre a mesma: conversar fiado lá no fundo do quintal, apoiados na cerca de arame farpado. Do lado da minha casa havia uma pequena horta, um galinheiro e, mais abaixo, um espaço para o lixo. Eu disse lixo, mas para o Bigô e para mim, às vezes, aquele espaço era uma espécie de despensa ao ar livre. Um dia pegamos ali uma garrafa de Biotônico Fontoura que se encontrava pela metade e a entornamos goela abaixo de uma só vez. Em outra oportunidade, saboreamos uma lata de doce de leite quase cheia – depois, é claro, de afastar centenas de formiguinhas que se deliciavam com a guloseima. Estava um pouco azedo, mas desceu bem.

Não sentimos sequer uma discreta dor de barriga depois dessas e de outras estripulias gastronômicas no fundo do quintal. Benditos sejam os mecanismos de defesa que Deus coloca no organismo das crianças.

Bendita seja também a camaradagem e, mais do que isso, a cumplicidade existente entre as crianças. Minha relação com Bigô foi marcada por muitos atos de cumplicidade, mas eu destaco um, na poeira dessas histórias que se passaram há meio século.

Um dia, eu brincava com o meu estilingue no alto da escada que ligava a cozinha ao quintal. Bigô estava lá no fundo do lote deles. O amigo me desafiava a acertar uma lata no meio do lixo e eu já havia feito várias tentativas, todas em vão. De repente, uma galinha – a mais bonita, a melhor poedeira do quintal – atravessou distraída na linha de tiro. A pedra acertou-lhe em cheio o papo. A ave não conseguiu dar nem mais um passo. Caiu morta.

Bigô pôs a mão direita na cabeça, a esquerda na boca, e com o olhar admitiu que já estava com pena de mim, pois certamente eu levaria a maior surra de vara de marmelo da minha vida.

Fiz, com o dedo indicador sobre os lábios, o clássico sinal de pedir segredo sobre aquele desastre.

Algumas horas depois, minha mãe descobriu o corpo da gorda galinha no quintal: “Quem diria que essa galinha fosse adoecer e morrer assim de uma hora para outra, não é?” Em seguida, ordenou que eu jogasse a ave num buracão no fim da rua, pois havia o risco de contaminação de todo o galinheiro.

A verdade sobre a morte daquela galinha seria revelada uns 40 anos depois do incidente. Eu mesmo já não tinha nenhum filho com a idade em que cometera a travessura, e minha mãe, então uma criaturinha frágil, incapaz de empunhar uma vara de marmelo, disse que eu estava inventando história...

– Pois então pergunte ao Luiz Bigô... – respondi.

Ivani Cunha é jornalista em Belo Horizonte

8.3.10

Antes de pedir dinheiro emprestado...


Antes de pedir dinheiro emprestado a um amigo, decida de qual dos dois você precisa mais.

Mostre-me uma mulher que quer ser magra apenas por razões de saúde e eu lhe mostro um homem que lê Playboy apenas pelas entrevistas.

Quando um homem e uma mulher se casam, tornam-se um só. A primeira dificuldade é decidir qual deles.

Sabe por que a Psicanálise é mais rápida pros homens do que para as mulheres? Porque, quando dizem para eles voltarem à infância, eles já estão lá.

Terceira idade é aquela em que a gente bota os óculos para ouvir o rádio. (Simão)

Os políticos são como fraldas. Devem ser trocados constantemente. E pela mesma razão.

Não faça na vida pública aquilo que você faz na privada.

Há duas espécies de patifes: os que admitem ser e nós. (Millôr)

É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida. (Lincoln)

Frases retiradas do livro “Ironia”, compiladas por José Francisco de Lara