lobo e lua

lobo e lua

28.2.08

Políticos definem o futuro do Brasil

Patty Moon
A REPÓRTER QUE TODO EDITOR QUER, MAS TEM CONTRATO
COM O JORNAL DA LUA ATÉ O DIA 31 DE DEZEMBRO DE 2058



Galera, estive em Brasília pra cumprir uma pauta de nosso querido editor, aquele que toda repórter quer, mas tem contrato com esta que vos fala até dezembro de 2058. Fiquei lá, contemplando as obras de Niemeyer e, nas horas vagas, dei meus passeios pelo Senado e também pela Câmara dos Deputados. Ouvindo um papo aqui e outro ali, anotei estranhas definições para certas palavras que a gente conhece, mas nem sempre sabe o que elas realmente significam, é ou não é? Bem, no meio de um vossa excelência pra cá e vossa excelência pra lá, os representantes do povo usaram as seguintes definições, que anotei direitinho e agora passo pra vocês. Aprendam com quem sabe e nunca mais esqueçam, tão ligados? Fuuuuuiiiiiiiiiii....................


Abismado - Sujeito que caiu de um abismo.

Armarinho - Vento proveniente do mar.

Assaltante - Um "A" que salta.

Aspirado - Carta de baralho completamente maluca.

Barganhar - Receber um botequim de herança.

Barracão - Proíbe a entrada de caninos.

Bimestre - Mestre em duas artes marciais.

Biscoito - Fazer sexo duas vezes.

Caçador - Indivíduo que procura sentir dor.

Cerveja - O sonho de toda revista.

Cleptomaníaco - Mania por Eric Clapton.

Coitado - Pessoa vítima de coito.

Contribuir - Ir para algum lugar com vários índios.

Conversão - Papo prolongado.

Coordenada - Que não tem cor.

Democracia - Sistema de governo do inferno.

Detergente - Ato de prender seres humanos.

Determine - Prender a namorada de Mickey Mouse.

Diabetes - As dançarinas do diabo.

Edifício - Antônimo de "é fácil".

Eficiência - Estudo das propriedades da letra F.

Estouro - Boi que sofreu operação de mudança de sexo.

Expedidor - Mendigo que mudou de classe social.

Fluxograma - Direção em que cresce o capim.

Halogênio - Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes.

Homossexual - Sabão em pó para lavar as partes íntimas.

Luz solar - Sapato que emite luz por baixo.

Ministério - Aparelho de som de dimensões muito reduzidas.

Missão - Culto religioso com mais de três horas de duração.

Padrão - Padre muito alto.

Pornográfico - O mesmo que colocar no desenho.

Presidiário - Aquele que é preso diariamente.

Pressupor - Colocar preço em alguma coisa.

Ratificar - Tornar-se um rato.

Regime Militar - Rotina de dieta e exercícios feitos pelo exército.

Suburbano - Habitante dos túneis do metrô.

Unção - Erro de concordância verbal. O certo seria "um é".

Violentamente - Viu com lentidão.

Volátil - Avisar ao tio que você vai lá.

Testículo - Texto pequeno.

Tripulante - Especialista em salto triplo.


21.2.08

Ecologista defende a extinção da raça humana

Ainda sobre o post anterior ("Homens e ratos"): se você não sabe a diferença entre comentar (fazer algum acréscimo ao post, apoiar ou discordar - desde que seja de forma civilizada!) e agredir (agir como um rato de esgoto!), seu lugar não é na blogosfera! Aliás, você, como não sabe ler, não devia perder seu estúpido tempo vasculhando blogs. Volte para o seu habitat natural: os esgotos de sua cidade!

Agora, quanto ao post de hoje, trata-se de uma entrevista realmente polêmica, publicada no site
A BARATA, editado pelo nosso amigo Luiz Carlos Cichetto, que gentilmente autorizou sua publicação no Jornal da Lua. A matéria é de Vladimir Cunha.


Sabe aquela história de que a Terra é um lugar bacana, só que mal freqüentado? Pois é, para algumas pessoas, isso é mais do que uma piada velha.

Segundo Les U Knight - fundador, líder e mentor teórico da ONG Voluntary Human Extinction Movement (Movimento pela Extinção Humana Voluntária, em português) - nosso planeta está à beira do fim e a única maneira de salvá-lo é extinguindo a raça humana. De acordo com ele, depois de poluir o ar, envenenar rios, abrir buracos na camada de ozônio, condenar populações inteiras à fome e à pobreza, o mínimo que a humanidade poderia fazer era ter a decência de abandonar o barco e deixar este pedaço de rocha flutuante para a sua verdadeira dona: a Mãe Natureza. É o radicalismo ecológico levado às últimas conseqüências.

- Você acha realmente que a vida animal e os vegetais são tão importantes ao ponto de justificar a extinção da raça humana?

- Num ecossistema equilibrado, todas as espécies são importantes e nenhuma é melhor que a outra. De uma forma geral, quanto mais alta a posição que uma espécie ocupa na cadeia alimentar, menos importante ela é para aquele sistema. O homem já não faz mais parte da cadeia alimentar. Por outro lado, as bactérias presentes nos intestinos dos seres vivos são importantíssimas para a sobrevivência de toda a biosfera terrestre. Se levarmos isso em conta, chegaremos à conclusão que o homem vale menos do que uma bactéria.

- Então, a raça humana não tem valor algum?

- Nós só temos valor para as pessoas com quem nos relacionamos. Mas, para a natureza e o ecossistema, nós não fazemos a menor falta.

- Nem se levarmos em conta o legado cultural e intelectual da humanidade?

- Talvez as traças achem nossos livros um tanto quanto deliciosos, mas eu creio que elas não vão saber diferenciar o Pablo Neruda das Seleções do Reader's Digest. Pegue a maior criação literária já feita pelo homem e compare com qualquer forma de vida, mesmo a mais insignificante, e me diga: qual delas possui mais beleza, complexidade e potencial?

- Quantas pessoas fazem parte do seu movimento?

- Seis bilhões e 50 milhões, eu creio. Na verdade, eu falo isso porque é impossível dizer quantas pessoas já devem ter chegado àa conclusão de que o mundo seria melhor sem a raça humana. Mas, baseado na quantidade de pessoas que entram em contato comigo, posso dizer que temos por volta de três milhões de pessoas engajadas em nosso movimento. São pessoas que, embora não sejam membros de nossa organização e não tenham uma militância, apóiam nossas idéias e gostariam de ver nossos objetivos alcançados.

- E como vocês fazem para divulgar as idéias do movimento? Vocês têm algum tipo de publicação ou é tudo feito através da internet?

- Nós não funcionamos como uma organização normal. Não recebemos doações, não fazemos reuniões com os nossos membros e nem temos interesse nisso. Na verdade, toda a divulgação das nossas idéias é feita apenas em nosso site na internet (www.vhemt.org/pindex.htm). Nossos textos estão à disposição de quem quiser imprimí-los e distribuí-los por aí.

- Qual a situação do Movimento hoje em dia? Ele tem crescido?

- Sim, um bocado. Principalmente nos Estados Unidos, que é o país onde somos mais atuantes.

- A oposição ao movimento de vocês é muito grande ao ponto de chegar a reações mais extremas, como a violência contra membros da organização, por exemplo?

- Não. Existem aqueles que não concordam com a gente, mas não aconteceu até agora de sermos alvo de atos violentos. Não consideramos nossos opositores como inimigos. Os verdadeiros inimigos da humanidade são a ganância e o ódio, e estes podem ser combatidos com generosidade e amor ao próximo.

- A Extinção Voluntária existe em outros países?

- Sim, nós temos nossos textos traduzidos para o italiano e estamos providenciando versões para os nossos sites em alemão, holandês, português, chinês e francês. Ainda assim é difícil dizer com precisão todos os lugares onde nós estamos, pois a Extinção Voluntária é uma idéia que se espalha pelo mundo como um vírus de computador.

- Algumas pessoas tendem a achar que o seu movimento é contra as crianças e não contra a presença humana na terra. O que você acha disso?

- Isso é um mal-entendido. Ser contra as crianças é manter uma sociedade onde 40 mil delas morrem todos os dias vítimas de doenças facilmente curáveis. Além do mais, que tipo de mundo espera nossas crianças? O futuro não é mais o que costumava ser. Condenar alguém a viver neste mundo é como vender passagens para um navio que está afundando.

- O que você acha de organizações como a Igreja da Eutanásia e gente como Peti Linkola, que defendem que a humanidade deve ser extinta a qualquer custo, mesmo que, para isso, sejam necessários meios violentos?

- São abordagens diferentes para o mesmo assunto que ajudam a chamar a atenção das pessoas para a nossa causa.

- Mas será que a violência é a melhor solução para os nossos problemas ecológicos?

- Não existe violência maior do que as agressões que o homem faz à natureza. Destruir o ecossistema, matar animais apenas por esporte e prazer, criar seres vivos em cativeiro em condições de absoluta crueldade, promover a extinção de espécies inteiras... Isso sim é que é violência. Quanto à questão da militância que apela para o extremismo, não creio que ela resolva muita coisa. Brigar e bater nas pessoas não é a melhor maneira de fazê-las pensar diferente.

- Será que não existe outra solução, além da extinção da raça humana? Nós temos vários exemplos de organizações, como o Greenpeace, que lutam por um mundo ecologicamente equilibrado. Não seria essa uma saída?

- Todos os esforços são válidos. Não basta apenas parar de procriar para salvar o planeta. Se nós não cuidarmos do planeta enquanto estamos aqui, não vai sobrar muita coisa quando a raça humana estiver extinta de uma vez por todas. Sendo assim, nosso esforço terá sido em vão. No entanto, se não houver um trabalho de conscientização com relação à necessidade de diminuir gradativamente a população do planeta, todos esses esforços não irão adiantar de nada.

- Se um dia a raça humana deixar de existir, o que realmente vai acontecer?

- Quando nós desaparecermos, as plantas e os animais se encarregarão de restaurar o equilíbrio do ecossistema. Nossas cidades irão sumir aos poucos, até se tornarem apenas traços de uma civilização que um dia habitou este planeta. Nosso lixo tóxico continuará a envenenar a Terra por mais algumas dezenas de milhares de anos, mas, pelo menos, nós não estaremos aqui para poluir o planeta ainda mais. Creio que serão precisos milhões de anos para que a biosfera se recupere dos estragos feitos por esta raça de macacos em apenas 50 mil anos de existência. Para entender melhor, basta você imaginar o processo de retorno à natureza que as cidades Maias e Astecas estão sofrendo.

- Segundo alguns físicos, existe a possibilidade de que um dia o nosso sol aumente de tamanho até destruir nosso planeta e o próprio universo está condenado a morrer em um futuro remoto. Além disso, os dinossauros foram extintos e nós ainda tivemos as Eras Glaciais. Você não acha que a própria natureza tem seus métodos de manter o equilíbrio das coisas?

- Com toda certeza. O problema é que, devido ao seu poder tecnológico, o homem conseguiu evitar a morte natural que todas as espécies experimentam após um certo tempo de existência. Mas isso só vai contribuir para que a nossa extinção seja ainda mais dolorosa quando chegar nossa hora. Nós podemos evitar isso. Ou, pelo menos, evitar sentenciar alguém à vida apenas para que esta pessoa tenha que morrer depois. Algumas pessoas pensam que não temos que nos preocupar e que a natureza se encarregará de restaurar o equilíbrio do ecossistema. Isso é como achar que um carro não precisa de freios só porque ele vai deixar de andar quando der de encontro a um muro. Nós temos o freio e temos inteligência suficiente para usá-lo. Sendo assim, por que não fazer isso?A extinção humana é a melhor saída para a humanidade. A partir do momento que pararmos de procriar, as brigas por territórios e recursos naturais irão cessar. Poderemos, inclusive, experimentar um período de saúde, felicidade e abundância de recursos a partir do momento em que formos desaparecendo da face da Terra. É a sociedade utópica com a qual temos sonhado desde que o homem passou a dominar este planeta.

Fonte: A Barata (http://www.abarata.com.br/)

17.2.08

Editorial

HOMENS E RATOS

Nós, do Jornal da Lua, mantemos a nossa posição de sempre: somos do contra. Somos oposição a tudo que é considerado certinho demais para o nosso gosto. Temos, e sabemos que temos, um grande número de leitores e amigos que, mesmo quando não concordam com nossas posições, defendem o nosso direito de dizer o que pensamos.

Da mesma forma, respeitamos os blogs e as opiniões dos outros. Mesmo não concordando, respeitamos. Existe, no entanto, um bando de imbecis também no mundo da blogosfera. Esses ratos, covardemente, deixam bilhetinhos em nossas caixas de comentários, e depois desaparecem nos esgotos de onde vieram. Não têm coragem de mostrar a cara, pois sabem que, aqui, no Jornal da Lua, vão levar muita porrada e passar muito tempo no hospital.

Para esses filhos da puta, nós fazemos um desafio: deixem, junto com seus bilhetinhos de merda, seus nomes e telefones. Nós ligaremos, podem ter a certeza. Ligaremos pra marcar dia e hora de nosso confronto. Queremos ver até onde vai a coragem de vocês, seus merdas!!!!

Porque aqui o negócio é pra valer, entenderam? Ninguém aqui tem medo de rato de esgoto!!!! Este editorial aqui é pra dizer, além disso, desse recado direto para um bando de calhordas que vivem nos esgotos da blogosfera, que nosso próximo post será uma entrevista com um ecologista que defende (preparem-se!!!) o FIM DA RAÇA HUMANA!

Não é um convite ao suicídio, podem ficar tranquilos! Também não vamos adiantar mais nada, agora. Esperem até a próxima quinta-feira e vocês poderão ler a entrevista na íntegra e tirar suas próprias conclusões. Claro que se a gente pensar em nossos filhos e nas pessoas que gostamos, um tema como esse é um absurdo. Mas, devemos pensar também na natureza que estamos destruindo dia após dia. Estamos destruindo o Planeta Terra!!! Esta é uma verdade que só os piores calhordas não aceitam dizer.

Os mesmos calhordas que perdem tempo visitando um blog como o Jornal da Lua. Porque, sem nenhuma modéstia, nós estamos muito além da capacidade de compreensão de um bando de pilantras que supõem que terão algum tipo de conforto aqui nesse meio. Não terão! Ao contrário. Vamos rastrear esses vermes e acabar com eles, sem precisar nem jogar veneno químico em seus corpos imundos!

Sabemos quem são nossos amigos. Para eles, tudo. De bom, é claro! Mas, para esses filhotes da ditadura, que pensam poder nos intimidar com suas ameaças rasteiras, fica aqui o aviso de quem é bom de braço e muito mais inteligente: fiquem em suas tocas! E bem quietinhos! Não adianta sugerir que vocês façam seus próprios blogs, pois vocês não sabem escrever os próprios nomes! Nós, do Jornal da Lua, jamais perdemos tempo em blogs que não nos interessam. Entramos mudos e saimos calados! Vocês, ratos de esgoto, sempre precisam deixar seus vômitos por onde passam.

Ninguém é obrigado a concordar com nada. Mas, o aviso foi dado: entrem mudos e saiam calados, caso este espaço aqui não seja a casa de vocês. Porque, se deixarem alguma merda aqui, nós vamos caçar vocês, pilantras, com um simples cabo de vassoura! E ninguém nem vai saber de nada, pois só publicamos os comentários de quem queremos, estão sabendo? Vocês vão ser esmagados por uma vassourada, e ninguém vai saber de nada. Então, vão se preparar para a Páscoa, pois parece que disso vocês entendem! E confessem seus pecados direitinho para os padres. Não esqueçam de dizer que ficam falando asneiras nos blogs alheios. E que xingar os outros, na calada da noite, sem deixar nenhuma identificação, é prova de covardia. E todo covarde deveria pedir perdão.

13.2.08

Idosos lutam contra a burocracia brasileira

Jânio OB
ENVIADO ESPECIAL AO SUPERMERCADO

A burocracia brasileira aumenta a cada dia. O povo tem que se submeter a uma série de vexames para conseguir sobreviver. Em Brasília, já criaram até o Ministério da Pesca, e agora estão pensando no Ministério da Caça. No entanto, o Ministério da Desburocratização, criado ainda durante a ditadura militar (1964-1985), foi pras cucuias há muito tempo. Motivo? Excesso de burocracia.

Mas, a reação popular vem de onde menos se espera. Não vem de jovens intelectuais, nem de socialistas de boutiques, nem de dirigentes sindicais, nem de surfistas. A reação vem de uma parcela excluída da sociedade. Não, não estamos nos referindo aos assaltantes, nem aos desempregados. Estamos falando dos idosos, que são tratados como débeis mentais por uma sociedade pretensamente sã.

O Jornal da Lua, sempre em defesa dos humilhados pela sociedade de consumo, acompanhou a revolta de uma idosa, obrigada a passar seguidos vexames nos supermercados da vida. Seguimos a triste sina de vovó Favinha, que foi ao supermercado e colocou uma ração de gato no seu carrinho.

Nossa reportagem ouviu quando a moça do caixa disse:
- Me desculpe, mas não podemos lhe vender a ração de gatos sem provas de que a senhora tenha realmente gatos. Muitos idosos compram ração de gatos para comer, e a gerência quer provas de que a senhora esteja realmente comprando a ração para seu gato.

Vovó Favinha, sem outra alternativa, foi pra casa, pegou o gato e o levou ao supermercado. Só assim eles venderam a ração de gato para ela.

No dia seguinte, acompanhamos vovó Favinha novamente. Ela tentou comprar 12 biscoitos para cães. A caixa, mais uma vez, pediu provas de que ela realmente tinha um cão, explicando que idosos costumam comer ração de cachorro. Frustrada, vovó Favinha foi para casa e voltou com o seu cachorro.

No terceiro dia, vovó Favinha trouxe uma caixa com um buraco na tampa e pediu para a moça do caixa colocar o dedo no buraco.

A caixa disse:- Não, pode ter uma cobra aí dentro.

Vovó Favinha assegurou que não havia nada na caixa que poderia mordê-la. Então, a moça do caixa colocou o dedo no buraco, tirou e disse:

- Hummm... Tem cheiro de merda!

Vovó Favinha então sorriu de orelha a orelha e disse:- Agora, minha querida, eu posso comprar três rolos de papel higiênico???


"No Brasil, a única coisa que funciona (e, mesmo assim, tem muita gente que reclama) é o Carnaval!"
Francisco Freitas, colunista anti-social do Jornal da Lua

7.2.08

Povo faz milagres para sobreviver

Deb
(DE FLORIANÓPOLIS, ESPECIAL PARA O JORNAL DA LUA)
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Três homens andaram sobre as águas em toda a história da humanidade: o primeiro foi Cristo.
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O segundo foi Pedro.
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O terceiro foi Evangivaldo (esse cara da foto abaixo).
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31.1.08

Jurema

Chico PF
(Francisco Paula Freitas)


Vi Jurema na praia. Lá ia eu, lá vinha ela.
Com a aproximação, estranhei seu
novo penteado e as longas luvas amarelas
que iam até os cotovelos. A mala de lona retangular
e sua roupa também preta, naquela manhã de sol, soavam
um tanto exóticas.

Jurema não era disso, era discreta. Como mudam as
pessoas, eu pensava enquanto ia. A poucos passos, percebi
não tratar-se de Jurema. Claro, nem poderia ser.
Jurema havia morrido há alguns anos. Como confundir
aquela negra, metida em suas luvas amarelas que iam até
a altura dos cotovelos, com Jurema já morta; que fora,
em vida, a moça tímida e envergonhada que eu conhecera
na infância? Depois, o que significava aquilo? Dez
e meia da manhã, sol forte, aquela mala de lona, a roupa
p reta e as longas luvas amarelas, que agora podia ver,
eram de plástico. A resposta veio logo após sua passagem.

Dei uma parada, virei-me e a vi abrir o fechecler e
colocar na mala mais uma latinha de refrigerante que
acabara de catar entre os restos na lixeira da calçada. Há
em alguns miseráveis uma nobreza, um orgulho que teima
em lutar contra a humilhação. Aquela mulher que
agora de perto pude ver, e que nada tinha da boa, doce
e meiga Jurema, confirmava com seu porte e gestos o
que eu acabara de pensar. Não pude evitar um sorriso.

Talvez estivesse querendo rever Jurema, lembrar-me
dela. Por isso vi naquela mulher que vinha um pretexto,
e não mais que isso, para trazer à lembrança a pessoa
de quem poderia, e isso só me teria feito bem, ter
vivido um pouco mais próximo.

Mas por que diabos as aproximei? Será que a bondade
e a placidez de Jurema tinham algo a ver com a eficiência
e modernidade, digamos assim, da pobre mulher
da mala com fechecler que pegava suas latas? Associações
estranhas: altivez, bondade, eficiência, orgulho,
mansidão. Vá eu compreender...

Agora que continuo caminhando e a mulher orgulhosa
e um tanto airosa com suas luvas amarelas, que me
impressionou pela sua desenvoltura e altivez, ficou para
trás, longe dela, vou refazendo e remontando os pedaços
da boa lembrança.

Não sei se cheguei a ver Jurema com o uniforme da
escola pública, penso que sim, mas não tenho certeza.
Do penteado, que nunca mudou, e foi o único em toda
a sua vida, me recordo e bem. Era comum. Hoje quase
não se vê. Lembrava uma maria-preta. Aos antigos não
preciso, aos mais jovens, explico: maria-preta era uma
espécie de balão sem bucha, sem papel fino e sem cola
que as crianças pobres faziam. Bastava uma folha de jornal.

Estendia-se a folha, juntava-se o canto superior
esquerdo ao canto inferior direito e o inferior esquerdo
ao superior direito. Feito isso, quando as extremidades
se encontravam no centro, eram enroscadas e apertadas.
Aí, com cuidado para não amassar e desfazer o bojo, era
só colocá-la de bruços e tocar fogo nos quatro cantos.
Ao mesmo tempo em que ela se incendiava, ia subindo
até a altura dos telhados, quando, já toda queimada, se
desfazia em papel carbonizado e caía aos pedaços. Assim
era o penteado de Jurema, um pixaim onde eram dados
quatro pequenos nós em cada punhado de cabelos que
convergiam e se ajustavam em quatro cantos na cabeça.

Toda sua vida foi de entrega e renúncia. Na verdade,
penso que nunca a viveu para si. Viveu-a para os outros.
No início, para a macumbeira que a adotara. Como tantas,
Jurema, ainda bem pequena, foi apanhada para
criar. Mas a caridade de quem a acolheu era mera vitrine
ou falsificação da bondade. O que a mulher queria e
de fato conseguiu era uma escrava. Já abolida, ainda que
apenas formalmente, a escravidão imposta exclusivamente
pela cor ainda existe para todos, negros ou não,
desde que confinados à miséria, à ignorância e à falta de
oportunidades.

Mas não nos percamos.

Mesmo criança, Jurema não era bonita, muito ao
contrário. Entre as brincadeiras das meninas havia a do
diabo. Formava-se uma roda, e uma, por sorteio, fazia o
papel dele. Para tal, arregalava os olhos, rilhava os dentes,
punha a língua para fora e grunhia, fazendo a cara
mais feia que pudesse fazer. As outras o desafiavam cantando
algo como "... o Diabo tem dois chifres, gelofrê,
gelofrá..." Provocado, ele avançava sobre o grupo, que
fugia aos gritos em nervosa e dispersa disparada. Aquela
que o diabo conseguisse pegar faria o seu papel na próxima
vez, e assim por diante.

Quando coincidia do diabo ser Jurema,
o terror tomava conta de Marlene. Ela sentia
tanto medo, corria tanto, mas tanto, que tinha
a impressão de que iria morrer se fosse
apanhada pelo diabo-jurema.

Mocinha, Jurema, negra retinta, com seu penteado
de maria - preta, aos domingos ia ao cinema.
Um dinheirinho qualquer bastava. O ingresso
era barato. Depois, na pracinha suburbana,
as moças de braços dados, umas com as outras,
circulavam em um sentido e os rapazes em
outro. Este carrossel proporcionava um encontro a cada
volta na praça. Nos momentos em que os jovens
se admiravam e sorriam, Jurema, tímida, olhava para o chão.

Contou que não ficara aborrecida com uma colega
que respondera ao jovem galanteador que ela era sua
empregada. Compreendera: não ficaria bem. Todas
eram brancas e lindas; eu, burra, feia, preta.
Mais adiante, ainda no batente, agora com carteira
assinada, passadeira da fábrica de gravatas de seda, oito
horas por dia junto ao ferro, vence a vergonha, atreve-se
e consente conversar com aquele que, acredita, pode-
ria vir a ser um namorado. O primeiro. Tinha na época
mais de trinta anos. Ficou toda prosa, parecia
uma adolescente. Após uma semana de tímidas
conversas no bonde de segunda classe, ele alega
certa dificuldade financeira, Jurema empresta-lhe
e nunca mais o vê. Não ficou com raiva: ele precisava,
coitado.

Ficava triste quando alguém lhe dizia que não tinha dinheiro .
Ganhava o mínimo e dava-o todo a quem lhe pedisse.
Sobrinhos, então... Quando recebia, passava na porta da
amiga Marlene e perguntava se ela não queria comer
uma coisa gostosa. Um sorvete, ela comprava; um bife,
ela fritava. A felicidade dela sempre dependeu da felicidade
dos outros.

Trocados tinha sempre, e com eles fazia a fé que seria
salvadora. Das amigas, dos sobrinhos e dela também, se
sobrasse... Todos os dias jogava. Preparar o jogo era o
seu grande momento. Às vezes tentava dormir um pouco
para ver se no sonho vinha alguma inspiração. Era divertido
ver Jurema com os talões do jogo do bicho e as listas
dos resultados arrumados, lado a lado, em perfeitas
disposição e organização cronológica, cercando o veado
para que ele não fugisse... Dia após dia, lá ia Jurema ao
apontador levar seus tostões à sorte. Sua lógica era infalível:
se o mês tem trinta dias e o jogo tem vinte e cinco
bichos, jogando no mesmo todos os dias, no fim de um
mês, no máximo, devo acertar. Jamais ganhou.

No escuro, um vulto escuro me assusta. Na entrada
da vila, encostada ao muro, braços cruzados, a cabeça
pendida, apoiada no ombro, ouço Jurema:
—Sou eu, estou aqui vendo o céu, é tão bonito...
Marlene dizia que jamais vira um ser humano assim;
que era um anjo de bondade, de ternura, de educação.
Tinha plena consciência de sua feiúra, por isso preferia
esconder-se, andando sempre de cabeça baixa, envergonhada.

Porém, era só encará-la e descobrir a doçura e a
bondade em seu triste olhar. Sempre tesa, ainda assim
ajudava a todos. Era só ter. Irmão, amigas, sobrinhos.
Ninguém ficava em falta. Chegava a se encalacrar com o
agiota para dar o dinheiro a quem precisasse. Até a conta
de luz dos amigos, ameaçados pelo corte, ela pagava.

Vive o resto dos seus dias debruçada no fogão, cozinhando
para os sobrinhos que não lhe poupam nem
compreendem sua dor e sofrimento. Não ouve os conselhos:
Você, assim, vai morrer, sua boba. Descansa,
pára um pouco! Põe esses marmanjos para trabalhar. A
todos responde, dizendo: São apenas crianças, cresceram,
mas são meninos, não têm mais mãe...

Quando morre a mulher que a acolhera e a criara,
Jurema convida o irmão e uns outros sobrinhos para
morar na casa que ficara com ela. Má educação, cachaçadas
e escândalos passam a fazer parte da vida de
Jurema. São em tudo o oposto a ela. Não consegue conviver,
vai embora, e ainda assim continua a pagar o aluguel
para que eles lá permaneçam. Não quer que voltem
para o buraco onde viviam...

Magra e minguada, no hospital, entre aquelas paredes
e lençóis brancos, onde vai morrer dali a alguns dias,
só se vê a cabecinha negra, miúda com seu penteado de
Maria-preta.

Os olhos cheios d'água, Jurema, mãos dadas à velha
amiga, com voz sumida, pergunta:

— Marlene, beijar na boca deve ser bom, não é?

Publicado no livro "Café e Bar Ponto Chic"
Editora Bertrand Brasil - 2003

27.1.08

Kamilla Barcelos volta com seu Mundo Efêmero

Apulcro Mambojambo e
Gudesteu Hostalácio

O ano de 2008 começou com uma pergunta repetida diariamente na redação do Jornal da Lua:

- Onde estará Kamilla Barcelos?

Seu desaparecimento foi um mistério para nossa equipe e todos os blogueiros amigos. De Angra dos Reis, onde foi passar as férias, Patty Alves ligou aflita:

- Alguma notícia da Kamilla?

Dentro de um avião, André Wernner abriu o notebook e mandou o recado:

- Escreve pro Google!

Luiz Santilli, de São Paulo, pedia providências urgentes:

- Tente a Interpol!


Foi o maior pandemônio na redação. Pessoas entrando, reclamando, telefones tocando sem parar. E-mails de todas as partes, o velho fax voltou a funcionar. Até o correio. Chegavam cartas:

"Minha conexão caiu. Kamilla apareceu?"

Em sua sala, nosso editor ligava e recebia chamadas.

- Chefe, Amanda no telefone!

- Pode passar.

- Chegou uma tonelada de e-mails: Alma, Bruna, Fabiane, Saramar, Alê...

- Alê apareceu?

- Até Alê apareceu! Já Kamilla... Bom, recebemos outros mails: da Maristela...

- Maristela? Onde ela está?

- Não disse. Só pergunta pela Kamilla. E também Mylene, Ana D, Jaya, Fláh, Bete, Lilah, Andreia, Lelinha, Carol Honey, Felícia Feliz, Ana (da Gazeta), Kika, Nanah, Luma, Mariana, Carol (a Menina Lunar), Silvia, Sueli, Leticia, uma tal Little Devil...Essa eu não conheço, chefinho!

- Sei quem é. Vive trocando de nome e de blog. Agora tá no Overlooka.

- Ah, lembrei! Carla Granja mandou o desenho de uma rosa pra Kamilla. Recebi também diversos telefonemas: da Naninha, Priscila, Layla, Beth, Bia e Biaaahhh, Jorge Sôbesta, Vieira Calado, Ana Paula, Weird...

- Chefe, Amanda no telefone!

- Ué, mas eu acabei de falar com ela!

- Aquela foi a Oliveira. Esta é a Amanda Bia.

- Ah, do Chá das Cinco. Pode transferir!

A orelha de nosso editor ficava vermelha, de tanto atender ligações. Depois da Amanda Bia, foi a vez de atender chamados da Betty, Iza, Teresa e Livia Nadezhda. De Araçatuba, Marcela fez uma promessa:

"Se a Kamilla aparecer, eu juro que faço UM post pequeno. Eu juro!"

Rayol mandou recados pelo Feedburner, Technoratti, RSS e Google Talk:

"Eu aceito até publicar um meme, depois que a Kamilla aparecer."

Juju questionou a agitação:

"Depois que acabar toda essa confusão aí, vocês passem no meu blog e deixem seus comentários."

Em Guarapari, Magui, ouvindo "Are You Lonesome Tonight" no walkman, foi avisar Yvonne, que saiu da cama, depois de dias tossindo, e mandou um e-mail:

"Será que ela não foi pra praia? Vai ver, tá aqui perto. Mineiros, em férias, só pensam em praia."

Os telefonemas continuavam. Rosana, do Mãe Global, pedia:

- Vamos pensar positivamente!

De Recife, Regina mandava uma idéia:

- Vixe! O negócio é fazer um abaixo-assinado e enviar para o Hugo Chavez!

Bridget Jones e Lee Holloway tentavam analisar a situação:

"Se olharmos por um prisma junguiano..."

- Chefe, Aninha e Ana Fernandes convidam para um chá, depois de tudo esclarecido!

No meio do tumulto, dr. Bruegel chegou à redação:

- Fiquem calmos! Temos um novo post!

Todos se voltaram contra ele:

- Quem quer saber de novo post?

- Você não vê que estamos procurando a Kamilla?

- Bota esse cara pra fora!

- Que egoísta!

- Safado!

Apesar de empurrado e insultado, dr. Bruegel ainda conseguiu falar:

- Mas é isso que eu tô querendo dizer!!! Tem post novo no blog da Kamilla!!!

O silêncio foi imediato. Todos ficaram parados e confusos. Aos poucos, nossa equipe foi caindo na real.

- Tem post novo no Mundo Efêmero?

- Tem, eu acabei de ler!

- Assinado pela Kamilla?

- Assinado pela Kamilla!

- Caraca! E o que ela diz? Tava mesmo na praia?

- Ela não diz nada sobre férias. Eu me lembro da primeira frase: "Ontem, minha prima de quatro anos veio passar o dia aqui em casa."

- E não disse pra onde foi, desde o Natal?

- Nadinha! Aparentemente, nem saiu de casa. Vi um recado lá, informando que ela tá lendo "Memórias Póstumas de Brás Cubas".

- Então, ela ficou esse tempo todo em casa, lendo Machado de Assis?

- Parece que sim.

A euforia foi geral. Nosso editor entrou em sua sala e chamou os repórteres:

- Vocês anotaram tudo?

- Sim, chefinho! Tudo!

- Então, já temos a manchete de nosso próximo post! Anotem aí: "Kamilla Barcelos volta com seu Mundo Efêmero". Ufffaa!!!!! Pensei que ia ter que apelar pra outra piada infame de português!!!!

24.1.08

Cantor Bono Vox é agredido em Lisboa

Jânio OB
ENVIADO ESPECIAL


A banda U2 fez um grande show em Lisboa, com casa lotada. Tudo ia bem, até que, depois de várias músicas, o cantor Bono Vox pediu silêncio à platéia.

Atendido, Bono começou a bater palmas de uma maneira ritmada. Sem parar de bater palmas, se aproximou do microfone e disse para a platéia silenciosa:

- Eu quero que agora vocês pensem numa coisa muito importante: a cada batida de minhas mãos, uma criança morre na África!

Nisso, surgiu uma voz do meio da platéia, com aquele sotaque característico, gritando bem alto:

- Então pára de bater, ó filho da puta!!!

22.1.08

Receita popular para uma boa dieta

Yvonne da Lua
CORRESPONDENTE

Um mendigo aproxima-se de uma mulher cheia de sacolas de compras e diz:
- Madame, eu estou sem comer há quatro dias!!!

E a madame:
- Meu Deus... Como eu gostaria de ter a sua força de vontade!

19.1.08

Como entrar para o Big Brother Brasil

Teresa Soares
ESPECIAL PARA O JORNAL DA LUA

Tudo que o homem e a mulher precisam fazer para participar do BBB é:

Mulheres: peito e bunda são fundamentais. Se o cabelo for tuim, dê uma definitiva. Faça plástica pra consertar a venta de porrote, o olho de bomba, o beiço de vaca e a orelha de abano. Entre na ginástica, sua mamona assassina; a Globo só mostra baleia no Globo Ecologia. O BBB é um programa com outro formato, literalmente [e lateralmente]. Desencrave as unhas, remova cravos e espinhas. Se tiver dentes tronxos, use aparelho. Torne-se puta. Use fio-dental ou não use nada. Fale muito, mesmo que só fale merda. Brigue por tudo. Ande com a barriga de fora. Permaneça na seca. Tenha um nome comum; nada de Sherylânia ou Marqueleide. Se tiver nome difícil, mude o RG; caso contrário, a produção não vai nem assistir sua fita. Nome assim baixa a audiência e não cabe nas janelinhas da abertura do programa. Torne-se alcóolatra. Com relação à mentalidade, seja fútil. Não leia livro, nem jornal. Revista, só de fofoca. Não demonstre interesse por assuntos como bolsa de valores, aquecimento global, CPMF ou a libertação dos reféns na Colômbia. Preocupe-se apenas com unha, cabelo, maquiagem, marca de biquini, homem, dinheiro e cachaça. Dê um jeito de demonstrar tudo isso na fita. E não diga "eu sou puta", diga apenas que saiu com 12 ontem. Eles vão entender.

Homens: peito e bunda também contam pra vocês. O cabelo deve ser bom; se for cacheado, precisa ter estilo. Se for careca, faça implante. Se for gordo, emagreça. Hipopótamos também só são mostrados no Globo Ecologia. A regra da venta de porrote, do olho de bomba, do beiço de vaca, da orelha de abano, dos dentes e da unha também vale pra vocês. Eu não sei porque, mas vocês têm que ter o pé grande. Agora, vocês vão ter que escolher uma dessa opções de animais: ou torna-se viado ou cavalo. Ou dorme abraçado com um ursinho ou arrota 16 vezes por dia. Ou veste cueca do Puff ou não veste cueca. Ou pega todos, ou pega todas. Mas não pode ser homossexual, tem que ser viado mesmo, frango. Com relação ao nome, você não pode se chamar algo do tipo Howlfrayer ou Marthynelson. É totalmente contra a política editorial de abertura do BBB. Na sua cabeça, três assuntos bastam: mulher (ou homem), dinheiro e cachaça. E, na fita, não diga "eu sou viado", diga apenas que sua cor preferida é lilás. Eles vão entender.

Agora, se você não bebe, não fuma, é virgem, gago, anão, velho, banguela, tem asma ou qualquer outra doença, até uma simples alergia, esqueça! Você tá fora. Vale lembrar que aleijados, cegos e surdos-mudos também são barrados, pois o BBB é só para perfeitos. Mas o que é perfeição para você? Um programa que exclui não pode ser perfeito. E o BBB começa com exclusão de milhões de inscritos, passa pela exclusão de classes, costumes, idades, raças e chega na pior exclusão de todas: a de valores. Quer entrar no BBB? Entre, só não esqueça de deixar os princípios de fora. A roupa e a vergonha na cara, também.

Teresa Soares é estudante de Jornalismo em Pernambuco e editora do blog Caneta Vazia

16.1.08

Está tudo sob controle

André Wernner
ESPECIAL PARA O JORNAL DA LUA

Segundo a nova elite dominante, populista e quase bolivariana, o país não terá apagão. Ôba!!

Está tudo sob controle. Inclusive o Universo que, como você sabe muito bem, apesar dos danos causados pelos humanos – e ainda não bolivarianos – continua no seu eixo, sem pender para a direita, e menos ainda para a esquerda... Muitos, porém, aqui embaixo, não têm a mesma firmeza. Às vezes, pendem para a direita. Outros, e muito mais freqüentes, à esquerda, que domina veementemente pelo verbo e, diminutamente, pela ação... Coisas do universo humano, né?

Mas o apagão para os ilustres – mas nem tanto – da República política tupiniquim da atualidade, caso aconteça, mesmo que neguem, não é nada! Porém, tem o mérito de relembrar a todos – bolivarianos ou não – que, mesmo antes do grande relato bíblico, “faça-se a luz!”, e a luz se fez, tudo era trevas, escuridão, ou um eterno apagão, até então... Se, por outro lado, nos dias que correm, os quase bolivarianos conseguirem trazer o apagão para mais próximo da grande massa ignara, e também dos supostos brasileiros de primeira e segunda classes – é, não se assuste, estamos caminhando para a divisão de classes sociais... – poderão dizer, justificando como de costume, que assim era o mundo antes do grande clarão...

Mas, agora, com a nova política emPACtada de ação que gera luz, o apagão é apenas uma peça promocional do conjunto de medidas a serem apresentadas pelo governo, no sentido de mostrar que mesmo nas trevas há pontos positivos para se crescer e muito!Pois, das trevas da ignorância se faz um novo País. Novo no conceito e perdido na ética e na moralidade pública.

Muitos políticos há anos já vivem nas trevas do apagão moral. A sociedade atônita vive no apagão dos seus direitos e de mobilização, também por dormência, enfim. Se você analisar calmamente, verá que, entre o progresso capenga do país e a luz do progresso reinante de um tempo que não volta mais, o que domina hoje é o apagão de idéias, de interesses maiores pelo crescimento real da nação, e também de uma sociedade acomodada e de um governo sem brilho.

Afinal, para brilhar é preciso luz! Mas a primeira luz é a da consciência! Como esta está em desuso, o apagão há muito que se estabeleceu na República política de decisões pífias e ninguém consegue extirpá-la. Pelo menos, por enquanto. Portanto, se o apagão atingir o seu prédio e você tiver que subir dez, doze, treze andares, pode reclamar e chiar à vontade. Ninguém vai lhe dar atenção... É isso mesmo. Mas, com a sabedoria da Nova República e da elite política dominante, eles vão lhe dizer que estão lhe fazendo um favor. Afinal, subir todos os dias centenas de degraus é um exercício natural e saudável para qualquer cidadão, segundo recomendação médica.

E mais: com a vantagem de não precisar desembolsar um centavo que seja para pagar academia de ginástica... Não é maravilhoso? Não demonstra um carinho especial – como diria um político amigo, pela “pessoa humana"?, por que desumana está cheio por aí... Não sei se você é daqueles tempos – bons tempos! – quando se falava, lá no interior, “vamos em frente, rápido, sebo nas canelas...” Pois é! Recomendo a você sebo nas canelas e desde já ir se preparando para exercitar esse ‘modelito corporal’ e assumir o que lhe espera... A realidade do apagão, a escuridão, as trevas, o caos dos primórdios...

Não se assuste. Tudo era pó. E ao pó voltará! Seria essa a missão dessa nova elite intelectual e quase bolivariana? Deus o sabe. Amém? Na dúvida, procure o bispo, o padre, o apóstolo, a bispa, o cooperador. Mas, um conselho de amigo: tome cuidado com os vigários, digo, vigaristas de plantão... Você pode até nem saber quem são eles, mas eles sabem quem é você. No mais e na medida do possível, felicidades meu caro! Eu, precavido, já estou investindo no aspecto interior (da alma! Pois, o interior do país também vive a sobressaltos...) e almejando uma reencarnação em tempos mais adequados para um espírito de paz e que quer ver, novamente, esse chão com outros olhos.

André Wernner é jornalista e editor do blog que tem o seu nome: André Wernner