lobo e lua

lobo e lua

16.6.08

Deputado defende o fim da casa própria


Apulcro Mambojambo
ENVIADO ESPECIAL


Em contundente pronunciamento no Plenário da Câmara Federal, o deputado Augusto Pinóquio (PCR - Partido Conservador Radical) defendeu com unhas e dentes o fim da casa própria. Para o deputado, que cumpre o seu décimo mandato legislativo consecutivo, sempre eleito por esmagadora maioria de votos, "não tem mais sentido, em pleno século 21, ficarmos falando em casa própria para o povo. Alguns, como nós, precisam fazer um esforço concentrado para adquirir a casa própria. O povo, que não tem dinheiro nem para trocar de cueca, deveria usar seus parcos recursos para colocar comida na mesa, se é que o povo tem mesa."

Na opinião do deputado Augusto Pinóquio, "pesquisas científicas já demonstraram e provaram que o universo vai ter um fim. Quem pensava que o universo era eterno, aqui ó, sifu! O universo vai acabar, sim. Os cientistas não sabem precisar quando tal fato ocorrerá, mas, que vai acabar, isso vai! Então, de nada adiantam os ilusórios argumentos de pais e mães, alguns até idosos, de que fazem um grande sacrifício para comprar uma casa e deixar para os filhos. Ora, se o mundo vai acabar, de nada adianta comprar uma casa própria pensando que a vida é eterna, porque não é! Nossos descendentes não herdarão nada!"

Pinóquio argumentou que o correto é que as classes mais abastadas, "que nadam em dinheiro", aluguem suas propriedades para a imensa maioria da população, "que não tem onde cair morta". Assim, segundo o deputado, "fica cada um na sua: nós, da elite, temos as propriedades. Como temos sensibilidade social, oferecemos nossas moradias para os pobres, em troca de um pequeno aluguel. Os pobres não precisarão mais ficar naquelas horríveis filas para tentar conseguir uma casa própria, pagando juros altíssimos para os bancos federais."

O deputado Aristófanes Cachacinha, do PMML (Partido Mais ou Menos Liberal), vice-líder da oposição, pediu um aparte a Pinóquio:

- Vossa excelência vem de uma família com inúmeras propriedades espalhadas por todo o país. Vai ficar mais rico, caso o seu projeto seja aprovado pela Câmara. O povo não terá mais direito a comprar casa própria, e será obrigado a alugar as casas da família de vossa excelência!

- Vossa excelência tem razão, em parte. Meu projeto prevê que o povo poderá continuar a comprar a casa própria, mas apenas a parcela da população que ganha acima de cem salários mínimos, incluindo gorgetas, é claro. Aquela parcela da população que precisa pensar primeiro no estômago e depois na cama, deve tratar de sair da vagabundagem e procurar emprego. Depois que arrumar emprego, alugue uma casa. É muito melhor. Uma de minhas imobiliárias tem ofertas sensacionais, por exemplo...

- Vossa excelência, mais uma vez, está iludindo seus eleitores! Quem vai acreditar nessa história de que o mundo vai acabar?

- Vossa excelência que me desculpe, mas eu não tenho culpa se o povo é ignorante. Ontem mesmo eu vi um documentário na TV a cabo provando que o universo tem um fim. Então, não tem sentido toda essa luta para ter uma casa própria. O mundo vai acabar mesmo! E a casa própria vai junto, ou vossa excelência pensa que o mundo acaba e as casas continuam de pé?

- Vossa excelência é mestre em iludir o povo! Como é possível ainda ter alguém que vote em vossa excelência? Vossa excelência é um corrupto!

- Corrupta é a mãe de vossa excelência!

- Vossa excelência não coloque a minha mãe no meio!

- Ah, é? Pergunta pro Mário as histórias que eu sei da mãe de vossa excelência!

- Mário? Que Mário?

- Ahaha! Caiu nessa! Vossa excelência não conhece o Mário? Não é possível! E tem mais: se há algum mentiroso aqui, este alguém é vossa excelência, nobre deputado Cachacinha. Quem foi que fez campanha prometendo que, caso fosse eleito, iria acabar com o desemprego? Hein, quem foi, nobre deputado Cachacinha?

- Eu prometi que ia acabar com o desemprego e acabei! Tanto acabei que tô empregado! Ou não tô?

- Tá, mas o povo pensou que vossa excelência ia acabar com o desemprego dele, o povo!

- Mas quem é que pode ser tão burro assim? Me diga, nobre deputado Pinóquio: quem poderia acreditar que alguém pode acabar com o desemprego de todo mundo? Eu pensei que falava claro, quando disse que ia acabar com o desemprego. Vossa excelência sabe há quantos anos eu não trabalhava?

- Nem quero saber. Tenho, por princípio, só dialogar com pessoas que ganham acima de cem salários mínimos, gorgetas incluidas, é claro, o que não é o caso de vossa excelência. Vossa excelência ainda vai ter que ficar muito tempo nesta casa, até merecer ganhar mais de cem salários mínimos, gorgetas incluidas, é claro, como eu ganho. Por enquanto, vossa excelência deve se dar por feliz em ter conseguido um emprego de deputado. Já dá pra pagar um aluguel numa casa bacana, não dá?

- Dá, eu tô até pensando em alugar uma casa maior, sair daquele apartamento funcional que nos deram. O porteiro é muito fofoqueiro e fica olhando pra todas as amigas que eu levo pra lá. Quero uma casa grande, com portões enormes, guardada por cães que não dormem em serviço, como um pitbul, um doberman, um rottweiler...

- Vossa excelência, agora, está pensando grande. Faz o seguinte: passa lá na minha imobiliária amanhã, procura o Teixeira, diz que fui eu quem mandou, e pede pra ele te mostrar uma casa que temos pra alugar ali perto da Granja do Corcunda. Tá em oferta, vossa excelência não pode perder! Mas, não esqueça: é só até sábado!! Só até sábado!!!

2.6.08

O que seria da MPB sem o créu?


Flávia Brito
BLOGUEIRA CONVIDADA

O Petê, lá do Vermelho Carne, e a singela mocinha que vos escreve provaram que têm um talento esmagador pra estragar o trabalho dos outros. Fala sério: esse negócio de “créu, créu, créu, créu, créu” é horrível, mas que tá na boca do povo ninguém nega. E se o Rei Roberto já cantou Claudinho e Buchecha e o Caetano fez a sua versão Odara para Um Tapinha Não Dói, não se espantem se um dia ouvirem no rádio alguma coisa assim:

A Gal: "Ando tão à flor da pele, que qualquer créu desses me faz chorar" (ah, chora não...)

O Roberto: "Você, meu amigo de créu, meu irmão camarada" (amigo de créu??! que suruba é essa??!)

Ainda o Roberto: "Se chorei ou se sorri, o importante é que um créu eu vivi" (pelo jeito, Robertão é adepto da máxima que créu, até quando é ruim, é bom!)

Mais Roberto: “Na paz do seu créu, meus sonhos realizo e me vejo feliz" (ah, pelo menos ele foi romântico, vai!)

Robertão de novo: "Eu te darei um créu meu bem, e o meu amor também" (Robertão é o rei do créu...)

Cauby: "Conceição... se ela créu, ninguém sabe, ninguém viu" (na moita, né, Conceição? Safadeeeenha!!!)

Caetano: "Às vezes no silêncio do créu eu fico imaginando nós dois" (também, pudera... coisa mais desanimada isso de "créu silencioso", né?!)

O Chico: "Créu daquela vez como se fosse a últimaaaa..." (nuuussa, quero nem pensar... põe gelo que alivia, colega...)

Chico again: "Créu... afaste de mim esse créu... afaste de mim esse créu" (coitado, esse aí traumatizou... acho que o gelinho não deu certo não!)

Ivete Sangalo: "Créu, créreréu, créréu, crécréu" (sei, fia, qual é esse teu "Pererê" de uma perna só... ou seria um Pererê tripé???)

Bruno e Marrone: "Do jeito que você me olha, vai dar créu" (aff... não rola nem um beijinho antes?!)

Elis: "Quando olhastes bem nos olhos meus e o teu olhar era de créu..." (uhú!!!Essa caprichava no tal do olhar 43, aquele assim...)

A Angélica: "Vou de créu, cê sabe" (eu não sei de na-da...tô fora!)

Leandro e Leonardo: "Entre créus e beijos, é ódio, é desejo..." (péra, deixa eu sair da sala primeiro!!!)

Zezé: "Créu mais uma vez comigo, uou, uou, uou...” (ela vai, tá? Mas só porque você pediu com jeitinho, não que você tenha talento pra coisa...)

A Xuxa: "Créu, créu, créu, a vida é um doce, vida é créu" (ti bunitinhooo... mas não abusa não que tu engorda e, depois de nove meses, ó o lombrigão...)

Bethânia: "E como eu sou feliz... eu quero ver feliz... quem créu comigooo... vemmm... nanananana..." (ah... um "canguru perneta" paz e amor, que meigooo!!)

Fabio Junior: "Nem por você nem por ninguém eu me desfaço dos meus créus" (percebe-se, queridinho... Não é à toa que os seus casamentos não fazem aniversário. Será que você é tão bom assim nisso?)

Adriana Calcanhoto: "Eu perco o créu, eu não acho as palavras" (me diz por onde você andou, vou evitar esse caminho, porque não quero encontrar nenhum créu perdido...eu, heim?)

Quem gostou, pede créu, ops, pede biiiiiiiiis!!! Fica o convite pra quem também quiser estragar a música dos outros: deixe nos comentários a sua versão créu de algum super sucesso nacional!!! Solta o créu – ops, solta o som!!!

Flávia Brito também pode ser encontrada ali.

E, enquanto Flávia veio pra cá, eu fui pra lá.

26.5.08

Tributo a um gênio monumental

Muita gente conhece esta cena final de "O Grande Ditador", realizado por Charles Chaplin em 1940. Nós, do Jornal da Lua, íamos fazer uma reunião de pauta quando alguém avisou que o filme seria exibido na TV a cabo. Então, adiamos tudo e fomos rever, pela décima ou vigésima vez. E não vai ser a última! Para quem não conhece, reproduzimos aqui o discurso que encerra o filme. E quem já conhece deve ler novamente, deve ler sempre. É mais uma obra-prima arrepiante de um dos maiores gênios da Arte de todos os tempos.

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.

Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"

Charles Chaplin - 1889/1977

20.5.08

Brasil vai dar um passo adiante


Gudesteu Hostalácio
ENVIADO ESPECIAL


Tivemos mais uma breve conversa com um pessoal aí que corrigiu umas provas do Vestibular. E conseguimos outras brilhantes respostas dos estudantes que vão dirigir este país, brevemente. Vamos dar um passo adiante, sem dúvida! Só precisamos tirar da frente um enorme precipício.
Respirem fundo e vamos lá!

"A floresta de araucária foi desenvolvida pela aracruz celulose para produzir papel reflorestado."

"Toda energia cinética você deve pegar a velocidade e dividir por 2 pra dar certo."

"Torriceli foi o inventor das torradas."

Perguntas e respostas:

O que entende por Helenização?

"É quando eles queriam chamar todas as meninas nascidas num determinado período de Helena."

Descreva o caminho do sangue venoso.

"Ele sai da cabeça, passa pelo coração e vai pro pé."

Traduza:

I am = "Você é"

laught = "leite parmalat com menor teor de gordura"

tunner = "carro todo enfeitado de playboy."

follows = "comprimentar quando se está indo embora."

master = "se for sistem é o criador do videogame."

finding = "fingindo"

straight = "estrago"

travel = "travado"

height = "oito"

myth = "tem dois, um com cabelo vermelho e um é careca bigodudo. Eles explodem coisas."

12.5.08

Festa imperdível em Urubici

Neste fim de semana, estaremos ali, não em Urubici, mas perto dali.





8.5.08

Mulheres dominam o mundo

Lana Esthevlana
REPÓRTER DE LUXO

O Jornal da Lua apresenta mais uma grande revelação da blogosfera. Trata-se de Lana Esthevlana, contratada a peso de ouro para ser a nossa repórter de luxo. Lana observa como poucos a vida ao seu redor. Quando fomos acertar os últimos detalhes de seu contrato, ela nos contou a seguinte história:

Um casal viajava de carro. Casados há muito tempo, com uma vida muito estável. Ele era um grande empresário.

Parando num posto de gasolina para reabastecer, o marido aproveitou para ir no banheiro, esticar as pernas e comer alguma coisa. A mulher permaneceu no carro. Quando retornou, ele a viu conversando com o frentista. O que mais lhe chamou a atenção era o fato deles parecerem muito íntimos, como se já se conhecessem há anos.

Pagou o que devia e, de volta à estrada, perguntou à mulher:

- Você conhece aquele frentista?

- Ah, conheço sim. Ele foi meu namorado nos tempos do colégio.

Com um grande sorriso, o marido disse:

- Ô, ainda bem que você o largou e ficou comigo. Caso contrário, a essa altura você seria mulher de frentista, ao invés de mulher de um grande empresário bem sucedido.

E ela respondeu:

- Meu amor, se eu tivesse ficado com ele, hoje o frentista seria você. E eu continuaria sendo a mulher do grande empresário bem sucedido.

Lana Esthevlana também pode ser encontrada ali.

5.5.08

Educação brasileira é a melhor do mundo

Apulcro Mambojambo
ENVIADO ESPECIAL

Mais um furo de reportagem do Jornal da Lua. Desta vez, conseguimos algumas respostas de estudantes no Vestibular. Parecem as do ENEM, mas é porque esses estudantes já passaram pelo ENEM. Agora, depois de tudo que aprenderam, estão no Vestibular. É assim que nosso querido Brasil, pentacampeão mundial, segue em busca de seu futuro. Vocês vão ver, se existir mesmo algum futuro, é claro!

"Lavoisier era assim chamado pois se lavava facilmente, ou seja, lavou + easyer."

"O vento está intimamente ligado com propagação de ondas de ar, elas batem e carregam tudo pela frente quando são de alta amplitude."

"A igreja através dos anos perde seu público alvo pois o imposto do dízimo é de 10%."

"O tecido adiposo é um orgão gordo, mas muito gordo que separa as pessoas do frio."

"A mitocôndria é uma bolinha furada e cortada, cada pessoa tem a sua e ela produz um muco chamado secreção."

"O coração serve pra bater, ele fica batendo e quando pára a pessoa tem que colocar um contador de passos."

"D. João sexo era um ditador dinamarquês que impediu a revolução russa."

"Sólon possuia uma forte perspicácia que mesmo nos livros agente percebe sua importância."

"O Brasil foi povoado por ladrões, prostitutas, mercenários e pelos negros que vinham da áfrica procurando emprego dentro de navios negrescos."

"Cabral andava nú pois perdeu as calças no triângulo das bermudas."

"Toda vírgula deve ser pressedida de alguma palavra, pode ser qualquer uma."

"A prosopopéia é o início de uma epopéia."

"Proparoxítona é toda palavra que começa com "p" e termina com "a"."

"O barroco foi na época em que não existiam calçadas e as ruas não eram pavimentadas, chuvia e o barro se tornava realmente oco."

"A Ásia é aquele lugar que tem briga todo dia, tem homem bomba e a polícia se chama police."

"O armistício era um absolutista português que era amigo de napoleão."

"Índice pluviométrico é a medida das escalas pluviômicas sobre unidade de tempo."

"Uma massa de ar pode ser quente ou fria, a quente serve pra chuver e a fria num é bom nem falar…"

28.4.08

Notas de falecimentos



Patty Moon
REPÓRTER ESPECIAL

Pois é, moçada! Além desse engenheiro aí, lamentamos informar a morte do valente macaco-prego Chico, semana passada, em Araxá. Chico foi protagonista de um dos casos jurídicos mais interessantes dos últimos tempos. Morador da Mata do Ipê, em Uberaba, foi preso e julgado, sob alegação de que teria agredido visitantes. Ou seja, gente chata.

Condenado, foi mandado para uma reserva em Araxá, onde vivia desde janeiro. Segundo sua tratadora, Chico estava até engordando ultimamente. Mas, vai ver que morreu disso mesmo. Sem muita coisa pra fazer, já que morava numa área restrita, Chico só viu prazer em comer. Aparentemente, foi um ataque cardíaco. O que geralmente acontece com quem come muito e tem vida sedentária. A morte de Chico mereceu até manchete de primeira página no Jornal de Uberaba, único órgão de imprensa, além do Jornal da Lua, que sempre se posicionou ao lado do macaco-prego.

Chico representou a luta das espécies ameaçadas de extinção por uma raça que se julga dona do Planeta Terra. A mesma raça que pega uma menina de cinco anos e joga pela janela do sexto andar, como se fosse um saco de lixo. Nós, do Jornal da Lua, perguntamos: somos mesmo superiores?



22.4.08

Estrada do Mato Alto


Chico PF
(Francisco Paula Freitas)


Caía a tardinha, lá vinham os dois. Às vezes de ônibus, quase sempre de bonde. Ele, empertigado em sua magreza, chapéu na cabeça, gravata com laço grande e bem folgada ao pescoço, sentado, a bengala entre as pernas, de vez em quando cruzava as mãos sobre o seu castão e apoiava o queixo pontudo.

O menino lia em silêncio os cartazes do veículo e vez por outrafazia uma pergunta que o velho respondia escondendo um meio sorriso, achando graça e gostando da curiosidade esperta do neto.

Chegavam. Na porta da vila, antes de entrar, ele se voltava à igrejinha que ficava logo ali, no final da elevação da rua, tirava o chapéu, encostava-o ao peito e balbuciava umas palavras a Deus, que o menino, embora não entendendo o que significavam, respeitava silenciosamente. Nesses momentos, o garoto olhava para o avô e percebia, em seus olhos, lágrimas, que vinham da comunicação entre eles, ambos deuses.

Cumprindo o ritual, entravam na vila e, uns quarenta passos depois, estavam em sua casa. O velho balbuciava novas palavras incompreensíveis ao quadro do Cristo pregado no alto da parede, em frente à entrada, tirava o paletó e mantinha a gravata afrouxada. Fazia umas graças aos presentes e, em seguida, sentava para a sua pequena refeição.

A filha mais velha, que ansiosa os aguardava, beijava-o, despedia-se dele, dos irmãos e da mãe, pegava o seu menino que acabara de chegar e iam embora. Isto era uma rotina. Mas esta era uma outra história.

Naquele dia, já eram quase oito horas da noite e ainda estavam na rua. No bonde aceso e barulhento, que, com a luz amarela, iluminava a rua larga e escura por onde passava, iam o avô e seu neto pelo sertão carioca.

Na zona rural, as ruas mal iluminadas ajudavam a lua cheia a flutuar bem baixo, quase ao alcance da mão. Apesar do verão, o veículo aberto, em ligeiro movimento, dava frescor e tornava a viagem agradável. Menino e velho iam em silêncio. Nas curvas que fazia — viajavam no reboque — o bonde, volta e meia, deixava entrever a lua. O que para o avô era poesia, encantamento, uma lembrança talvez, para o menino era uma novidade. Sair de noite. Que bonito era o luar na roça, como podia ser grande a lua!

O episódio ficou gravado na memória do menino, pois a aventura não era comum. Na rua ainda àquelas horas! A claridade do luar iluminando os amplos capinzais entre as casas espaçadas, uma aqui, outra ali, que no sertão era assim, o bonde, serpenteando devagar, a mão amiga, segura e morna do avô em sua mão, eram coisas que iriam ser de difícil esquecimento. No dia em que aprendeu o significado da palavra esplendor, lembrou-se daquele momento.

O menino, agora pai e homem maduro, visita o primo. Conversam, falam da infância, do passado e bebem. Entre umas e outras, o primo diz:

— Sabe aquele retrato do nosso avô, que ficava na sala de jantar? Está comigo.
A despeito de já se terem ido mais de trinta anos, não era difícil provocar a memória. Havia de fato, entre outros, um retrato do avô pintado a óleo por um consagrado pintor alemão da primeira metade do século passado, que vivera na região serrana. O quadro era de alto valor artístico. Além disso, valia um bom dinheiro.

A tela é trazida à sala. Estava sem a moldura original, que o cupim dera cabo. Ambos, em silêncio, olham o quadro que acostumaram-se a ver quando meninos. Ali estava o rosto de um homem moço, que teria de envelhecer para se tornar o avô do menino que ainda iria nascer, conhecê-lo e amá-lo.

Mas lá no retrato já estava definido o perfil que o acompanhou até o fim da vida: o grande nariz de Dante, romano, adunco, e o queixo pontudo, um tanto prógnata, comum aos bruxos.

O primo, de supetão, diz:

— Leve, é seu. Ele gostava mais de você.

Era verdade e ambos sabiam disso. Aceitou em silêncio e, mais emocionados, beberam mais. Saiu feliz com a tela e lembrou que deveria homenagear o avô. Uma boa e adequada moldura deveria completar o retrato e ele trataria logo de encomendá-la.

Quis o destino que um dia, ao voltar para casa, passasse, por acaso, naquela rua do sertão carioca que, por mais incrível que possa parecer, sem grandes transformações, está praticamente igual à em que, de bonde,viajou com o avô, na linda, fresca e inesquecível noite de luar. Continuam lá os matagais entre as casas espaçadas, uma aqui, outra mais adiante. A lua está lá, brilha reluzente e derrama prata sobre o capim-navalha.

O que há tempos foi menino vai conduzindo o automóvel em direção à sua casa. Relembra e reconstitui a antiga viagem. Já não existe mais o bonde, o frescor daquela antiga noite é substituído pelo ar-condicionado do carro. Não consegue conter a emoção quando, em um repente, lembra que o velho avô viaja com ele.

Não passa agora de um retrato embrulhado no porta-malas.

Do livro "Café e Bar Ponto Chic"- Editora Bertrand Brasil